Henrique, o carregador de piano

  • por Gustavo Ribeiro
  • 3 Anos atrás
Arte: Doentes por Futebol

Arte: Doentes por Futebol

Finalista da Copa do Brasil e com o título do Brasileirão bem encaminhado, o Cruzeiro continua mostrando sua superioridade em relação aos demais adversários. Mesmo em um ano com alguns de seus principais jogadores não apresentando a mesma regularidade da temporada anterior, como Everton Ribeiro, Ricardo Goulart, Willian e Dagoberto, o time se mostra forte e tem tudo para fechar com chave de ouro um dos anos mais importantes de sua história.

Um dos únicos que conseguiu manter uma constância durante todo o ano foi o volante Henrique, que após começar a temporada no banco de reservas, conseguiu cravar seu lugar no time titular após a lesão de Nilton, ainda no começo do ano. E não demorou muito para ganhar a confiança do técnico Marcelo Oliveira e ter um lugar cativo no onze inicial celeste.

Contratado pelo Cruzeiro em 2008, Henrique sofreu para ganhar a confiança da torcida. Mas com Adilson Batista, o técnico na época, o jogador rapidamente mostrou que o clube acertou ao apostar em seu futebol. Os momento mais marcante de sua primeira passagem pelo clube foram os gols na Copa Libertadores de 2009: o primeiro no segundo jogo das quartas de final, contra o São Paulo, quando acertou um chute antológico de fora da área; e o segundo foi na partida de volta da final, contra o Estudiantes, abrindo o placar no Mineirão, em mais um chute de fora da área. Mas logo depois o time sofreu a virada e o título que parecia certo escapou. Henrique, por pouco, não entrou para a história.

O ótimo futebol apresentado pelo volante com a camisa celeste chamou tanta a atenção que, em 2011, foi convocado pelo técnico Mano Menezes para defender as cores da seleção brasileira. Não chegou a entrar em campo no jogo contra a Escócia, mas vale o destaque pela convocação, que premiava um dos melhores da posição do país naquele momento, mesmo sem o reconhecimento de grande parte da imprensa.

Em 2011, após a eliminação nas oitavas de final da Libertadores, Henrique foi vendido ao Santos. Mesmo com alguns bons momentos com a camisa alvinegra, o volante esteve longe de apresentar o futebol jogado em Minas que o credenciou como um dos melhores de sua posição na época. Sob o comando de Muricy Ramalho, o volante chegou a atuar algumas vezes improvisado na lateral direita. Com a camisa santista, foram 71 jogos disputados e apenas dois gols marcados. Conquistou a Recopa Sul-Americana e o Campeonato Paulista de 2012.

Em 2013, em negociação envolvendo o meia Montillo, Henrique foi usado como moeda de troca e voltou para Minas. Convivendo com lesões, viu Nilton tomar conta da posição ao lado de Lucas Silva e acompanhou a conquista do Campeonato Brasileiro daquele ano no banco de reservas. Na sua volta, disputou apenas nove jogos, todos eles pelo Brasileirão, sendo seis como titular. Ficou no banco de reservas em 16 oportunidades.

Volante acostumado a ter liberdade para subir ao ataque, participar da criação das jogadas e até arriscar alguns chutes de fora da área, Henrique teve que se adaptar nessa sua volta à Toca da Raposa, já que essa função cabe ao seu companheiro Lucas Silva, prata da casa. Aliás, o entrosamento da dupla foi tão rápido que dá a impressão de já jogarem juntos há tempos.

Arte: Doentes por Futebol

Arte: Doentes por Futebol | Henrique e seu companheiro Lucas Silva.

Em sua primeira passagem, seja sob o comando de Adilson Batista ou Cuca, Henrique atuava como volante pela direita, com liberdade para apoiar o ataque. No 4-3-1-2, principalmente após a saída de Ramires, formou o tripé do meio-campo ao lado de Marquinhos Paraná e Fabrício. Hoje, no 4-2-3-1 de Marcelo Oliveira, guarda mais a posição e deixa seu companheiro subir mais ao ataque.

Se no seu auge Henrique era o volante que aparecia constantemente no ataque, hoje ele parece não se importar em fazer o trabalho sujo. Titular em 26 dos 32 jogos da equipe no Campeonato Brasileiro até aqui, Henrique é quem mais desarma certo (97) e errado (24) no time, além de ser quem mais comete falta (60). No Campeonato, ocupa a sétima colocação em desarmes certo e a quinta posição em roubadas de bolas. Números do volante responsável por dar proteção à quinta melhor defesa do campeonato.

Mais nem só de destruição vive o jogador mais regular do time na temporada. Como primeiro volante, também é responsável pela saída de bola da defesa para o ataque, quesito em que também não deixa a desejar: é quem mais acerta passes no time (1.194) e quem mais tem viradas de jogo certas (40).

Mais experiente em relação à sua primeira passagem, Henrique se mostra peça fundamental no atual esquema do técnico Marcelo Oliveira. É difícil imaginar o time ideal sem a presença do volante. Se na sua primeira passagem não conseguiu aliar o bom futebol com a conquista de títulos, a história agora é bem diferente.

Números via Footstats

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Projeto de jornalista, mineiro, 20 anos. Viu que não tinha muito futuro dentro das quatro linhas e resolveu trabalhar dando seus pitacos acompanhando tudo relacionado ao futebol, principalmente quando a pelota rola nas canchas dos nossos vizinhos sul-americanos. Admirador do "Toco y me voy" argentino, também escreve no Sudaca FC e tem Riquelme e Alex como maiores ídolos.