2014 e a alternatividade no futebol

  • por Igor Leal da Fonseca
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Arte: Doentes por Futebol

Arte: Doentes por Futebol

O não tão longínquo ano de 2004 faz os amantes da alternatividade no futebol suspirarem ainda hoje: a Grécia eliminou França, R. Tcheca e na final bateu Portugal, conquistando o título europeu.

O Once Caldas eliminou Santos, São Paulo e venceu o Boca Juniors na final da Libertadores da América, surpreendendo o continente.

O eterno saco de pancadas Bolivar chegou à final da Copa Sulamericana. O Santo André bateu o Flamengo em pleno Maracanã na final da Copa do Brasil.

Foram tantos exemplos de times ‘’alternativos’’ se destacando que o ano de 2004 é considerado o máximo da alternatividade futebolística no futebol mundial. Mas 2014 pode entrar na disputa, como mostraremos a seguir.

Campeonato Paulista

 

FOTO: MIGUEL SCHINCARIOL/ITUANO

FOTO: MIGUEL SCHINCARIOL/ITUANO

Com uma sólida campanha na primeira fase, o Ituano eliminou ninguém mais ninguém menos que o Corinthians. O time do interior terminou em segundo, atrás do Botafogo de Ribeirão Preto. Nas quartas, o time de Itu eliminou a equipe que revelou Sócrates Raí para o mundo e chegou à semi contra o Palmeiras, time de melhor campanha na primeira fase. Um Pacaembu lotado viu o time do interior tirar o Palmeiras da disputa com um gol no final do jogo. Na final, mais surpresa: o Ituano venceu o Santos por 1×0 na primeira partida, perdeu por 1×0 na segunda e bateu a equipe da Baixada nas penalidades, faturando o título. Outro destaque na competição foi a Penapolense, que chegou à semi final, vendendo caro a eliminação contra o Santos.

Campeonato Espanhol

 

Com uma campanha com apenas 4 derrotas, o Atlético de Madrid fez 90 pontos na competição e conquistou o título. O time de Simeone não teve nenhuma derrota para Real Madrid e Barcelona na competição e conquistou o título num ‘’confronto direto’’ contra a equipe de Messi em pleno Camp Nou, na última rodada. Os Colchoneros jogavam pelo empate e viram Sanchez abrir o placar para o Barça. No segundo tempo Godín empatou para o Atlético, a equipe manteve o resultado e levantou o caneco.

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Liga dos Campeões

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Se o feito do Atlético de Madrid em território nacional já foi surpreendente, os resultados na Liga dos Campeões foram assombrosos. Na primeira fase, a equipe fez seis jogos e não perdeu, com cinco vitórias e um empate. Nas oitavas, eliminou o Milan, vencendo os dois jogos e somando 5×1 no placar agregado. Nas quartas, empate no primeiro jogo contra o Barcelona (1×1) e vitória por 1×0 no segundo, quando o placar saiu barato para os comandados de Tata Martino. Na fase seguinte a vítima foi o Chelsea de Mourinho: empate em 0x0 no Vicente Calderón e vitória por 3×1 em Stamford Bridge. Na final o time vencia o Real Madrid até os 93’ de jogo, mas um gol de Sergio Ramos tirou o título do primo pobre da capital espanhola. Na prorrogação o time de Cristiano Ronaldo fez três gols e conquistou a orelhuda. Mas a campanha do Atlético de Madrid ficou na história da equipe e da competição.

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Libertadores da América

 

A maior competição da América do Sul não poderia ficar de fora e, em termos de alternatividade, foi a recordista do ano. Considerado um dos grandes na Argentina, o San Lorenzo era a única equipe com esse status no país a jamais ter vencido a competição. E após a primeira fase parecia que a escrita seria mantida, já que o time do Papa Francisco fez campanha insegura e avançou ao mata mata com apenas 8 pontos. Nas oitavas, eliminou o Grêmio, segunda melhor campanha da primeira fase, em plena Arena do Grêmio. Nas quartas a vítima foi o Cruzeiro, Campeão Brasileiro em 2013 e que repetiria a campanha nesse ano. Na semi, um surpreendente rival: o Bolivar, eterno saco de pancadas na América, mas que nesse ano surpreendeu. Na final, uma surpresa ainda maior: o pequeno Nacional do Paraguai, que chegou à decisão após eliminar Vélez, Arsenal, e Defensor – URU. O time paraguaio fez jogo duro na decisão, mas acabou sendo derrotado por 1×0 na derradeira partida após empatar em 1×1 o jogo de ida.

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Copa do Mundo

 

Na mais importante competição do futebol, um festival de surpresas, começando já na primeira fase. No Grupo B, a Espanha perdeu para Holanda e Chile e chegou à última rodada eliminada. No Grupo C, considerado por muitos o mais equilibrado, a Colômbia enfileirou três vitórias e terminou na ponta de forma incontestável. No D, o ‘’da morte’’, a Costa Rica apresentou futebol sólido e eliminou Inglaterra e Itália, terminando na ponta da chave. O Uruguai ficou com a segunda e os europeus, considerados favoritos para avançar, voltaram para casa mais cedo. No Grupo G, Cristiano Ronaldo pouco fez e viu Portugal ser eliminado pelos EUA. No H, a Argélia arrancou um empate contra a Rússia na última rodada e chegou às oitavas pela primeira vez na sua história.

 

Se na primeira fase tivemos um festival de zebras, no mata-mata elas diminuíram mas ainda apareceram. O Brasil foi salvo da eliminação já nas oitavas nos momentos finais da prorrogação, após chute de Pinilla explodir no travessão. Nas penalidades, Júlio César brilhou e a equipe avançou. A Colômbia seguiu surpreendendo e não chances ao Uruguai, mandando a Celeste de volta para casa mais cedo. A Holanda esteve próxima de cair no confronto contra o México, mas com gols de Sneijder aos 88’ e Robben aos 94’ o time de Van Gaal virou o jogo e avançou às quartas. No confronto mais alternativo da competição, a Costa Rica eliminou a Grécia nos penaltys e chegou às quartas. A Argélia fez jogo duríssimo contra a Alemanha nas oitavas, vendendo caro a eliminação para os futuros campeões do mundo.

 

Nas quartas, as zebras se despediram: a Costa Rica chegou à disputa de penalidades contra a Holanda, mas uma manobra de Van Gaal – que substituiu o goleiro – impediu o pequeno país de alcançar um feito ainda maior na competição. A Colômbia encarou o Brasil e perdeu por 2×1, mas como consolação viu James Rodriguez levar a Chuteira de Ouro para casa, após marcar seis gols e dar duas assistências competição.

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33 anos, morador do Rio de Janeiro. Rubro Negro de coração, apaixonado pelo Maracanã, tem no Barcelona o exemplo de clube para o que entende como futebol perfeito, dentro e fora do campo. Estudioso da memória do futebol, tem nessa sua área de maior atuação no site, para preservar a memória do esporte. Dedica especial atenção aos times mais alternativos, equipes que tiveram grandes feitos, mas que não são tão lembradas quanto as maiores do mundo. Curte também futebol do centro e do leste da Europa, com uma coluna semanal dedicada ao assunto. Um Doente muito antes de fazer parte desse manicômio, sua primeira memória acadêmica é uma redação sobre o Zico, na qual tirou 10 e a mesma foi para o mural da escola. Nunca trabalhou com futebol dessa forma, mas adora o que faz junto com o restante do pessoal e se pergunta o porquê de não ter começado com isso antes. Espera recuperar o ''tempo perdido''. Acha Lionel Messi o melhor que viu jogar e tem em Zico, Petkovic e Ronaldo Angelim como heróis.

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