O fim da fila do Palmeiras

  • por Igor Leal da Fonseca
  • 3 Anos atrás
Arte: Doentes por Futebol

Arte: Doentes por Futebol

Dezembro de 1993: o surpreendente Vitória chegava à final do Campeonato Brasileiro contra o esquadrão Palmeiras. O time alviverde, comandado por Vanderlei Luxemburgo e com as estrelas Edmundo, Evair, Zinho, Roberto Carlos, Cléber, Edílson, Antônio Carlos entre outras, buscava quebrar o jejum de títulos nacionais, já que a equipe não conquistava a taça desde 1973. Do lado do time baiano, a busca era igualar o rival Bahia, que havia conquistado o título em 1988.

Por conta do regulamento, na primeira fase o Vitória enfrentou apenas times médios do cenário nacional. A equipe baiana passou em primeiro no seu grupo após enfrentar Remo, Paysandu, Náutico, Ceará, Santa Cruz, Goiás e Fortaleza. Já o Palmeiras enfrentou Santos, Grêmio, Vasco, Fluminense e Atlético-MG dos grandes clubes nacionais, além de Sport e Guarani.

Na segunda fase, foi a vez do clube paulista ter uma tabela mais tranquila, com apenas o São Paulo de grande clube na sua chave, que era completada por Guarani e Remo. O time de Luxemburgo venceu quatro dos seis compromissos, empatou outros dois e terminou na primeira colocação do quadrangular, garantindo-se na decisão. Já o Vitória teve vida dura, enfrentando o Corinthians – único time invicto na primeira fase -, Santos e Flamengo.

O time das promessas Dida, Alex Alves, Rodrigo e Paulo Isidoro passou invicto pelo grupo e avançou para a final contra o Palmeiras.

O primeiro jogo

77 mil pessoas compareceram à Fonte Nova para a disputa do primeiro jogo da decisão. O Vitória mandou seu jogo na casa do maior rival para arrecadar mais com ingressos e usar a torcida como instrumento de pressão. A primeira oportunidade foi do rubro-negro, em cobrança de falta de Roberto Cavalo, que já havia feito alguns gols dessa forma durante a campanha. O Palmeiras respondeu com grande oportunidade desperdiçada por Evair, que sozinho cabeceou fraco para defesa de Dida. Com clara superioridade técnica, a equipe alviverde passou a pressionar e só não abriu o placar no primeiro tempo graças às intervenções do goleiro baiano.

No segundo tempo, o Vitória equilibrou mais as ações, criando duas oportunidades, mas não conseguiu abrir o placar. Até que, numa trama do Palmeiras, Evair deixou de calcanhar para Edílson, ex-jogador do time baiano, que bateu para a defesa de Dida e completou para as redes no rebote. O jogo ficou morno até o final e o clube alviverde ficou com uma mão na taça.

https://www.youtube.com/watch?v=UvcBEBaBRYI

O segundo jogo

Quase 80 mil pessoas compareceram ao Morumbi para testemunhar o jogo da volta. Naturalmente favorito devido à diferença técnica entre as duas equipes, o Palmeiras ainda levava a vantagem de poder perder por um gol de diferença para encerrar o longo jejum de títulos nacionais. E logo aos quatro minutos de jogo, Roberto Carlos cruzou da esquerda e Evair se redimiu dos gols perdidos na partida de ida: Palmeiras 1×0. Aos 23, César Sampaio descolou primoroso lançamento de trivela para Edmundo, o Animal ganhou na corrida da zaga do Vitória e bateu cruzado para fazer o segundo e garantir a festa da torcida palmeirense. O restante do jogo foi mera formalidade. O Palmeiras criou oportunidades, poderia ter aumentado o placar, mas o 2×0 foi mais que suficiente para a conquista do título e o fim da fila de 20 anos sem título nacional.

https://www.youtube.com/watch?v=zcnRtdL5VK4

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33 anos, morador do Rio de Janeiro. Rubro Negro de coração, apaixonado pelo Maracanã, tem no Barcelona o exemplo de clube para o que entende como futebol perfeito, dentro e fora do campo. Estudioso da memória do futebol, tem nessa sua área de maior atuação no site, para preservar a memória do esporte. Dedica especial atenção aos times mais alternativos, equipes que tiveram grandes feitos, mas que não são tão lembradas quanto as maiores do mundo. Curte também futebol do centro e do leste da Europa, com uma coluna semanal dedicada ao assunto. Um Doente muito antes de fazer parte desse manicômio, sua primeira memória acadêmica é uma redação sobre o Zico, na qual tirou 10 e a mesma foi para o mural da escola. Nunca trabalhou com futebol dessa forma, mas adora o que faz junto com o restante do pessoal e se pergunta o porquê de não ter começado com isso antes. Espera recuperar o ''tempo perdido''. Acha Lionel Messi o melhor que viu jogar e tem em Zico, Petkovic e Ronaldo Angelim como heróis.