Austrália, potência asiática

  • por Levy Guimarães
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Foto: AFC Asian Cup

Foto: afcasiancup.com

Bastaram nove anos para que a Austrália entrasse, definitivamente, para o grupo das forças mais respeitadas do futebol asiático.

Desde que se mudou da Confederação de Futebol da Oceania (OFC) para a Confederação Asiática de Futebol (AFC), em 2006, o futebol australiano tem marcado presença nas cabeças dos torneios tanto de clubes como de seleções. A novidade na época já se mostrava promissora para os dois lados – já que, para os australianos, era a oportunidade de atuar em um nível bem mais competitivo que o semiamador futebol da Oceania, e para a AFC, era mais uma seleção de bom nível entre seus filiados. E essa peculiar geopolítica no futebol tem sido um sucesso.

Pode-se dizer tranquilamente que a Austrália é hoje uma potência do futebol do continente, fato confirmado com o título inédito da Copa da Ásia, em casa, ao vencer a Coreia do Sul por 2×1, o que dá aos Socceroos o direito de disputar a Copa das Confederações de 2017, na Rússia. Além disso, em apenas três participações, foi a segunda vez em que o time chegou à decisão – na edição passada, foi vice-campeão, caindo apenas para o Japão, que havia conquistado seu 4º título nas 6 edições anteriores. Nas Eliminatórias para a Copa do Mundo, a Austrália também confirmou sua força garantindo vaga nas últimas duas edições do mundial. Também de forma inédita para o futebol australiano, o Western Sydney Wanderers conquistou a Liga dos Campeões da AFC em 2014. E no feminino, a seleção australiana esteve em três das últimas quatro finais continentais, tendo sido campeã em 2010.

Fora de campo, tanto o país quanto a Confederação Asiática também têm colhido frutos nessa história. A Copa da Ásia de 2015, em território australiano, foi uma das edições com melhor média de público até hoje. Ao todo, 650 mil torcedores compareceram às partidas, número quase 20% acima do esperado. A audiência global pela televisão rondou os 700 milhões de espectadores, quase o dobro da edição de 2011.


Porém, nem tudo são flores nessa parceria. Um grupo forte de países do Oriente Médio, como Arábia Saudita, Emirados Árabes e Iraque, não vê com bons olhos a presença australiana na AFC. Para eles, o único intuito dos Socceroos em disputar os torneios asiáticos seria ter um caminho mais fácil para a Copa do Mundo, já que a Oceania não oferece vaga direta para o torneio. Por isso, essas federações alegam que o benefício é muito maior para a Austrália do que para o futebol asiático. Nos bastidores se diz, ainda, que há outras nações insatisfeitas com a situação além das do Oriente Médio.

Olhando os resultados dentro das quatro linhas nos últimos anos, é possível entender o posicionamento dessas federações. Nas duas últimas Copas do Mundo, nenhuma seleção do Oriente Médio esteve presente (com a Austrália ocupando uma vaga asiática), ao passo que, de 1982 a 2006, pelo menos um país dessa região esteve representado. Se antes havia duas seleções asiáticas favoritíssimas a se classificarem para o mundial (Japão e Coreia do Sul), hoje a Austrália pode ser colocada nesse bolo. Assim, sobra uma vaga direta e duas na repescagem a serem disputadas a tapas pelas demais.

Se as intenções da Federação Australiana se limitam a ter mais facilidade de ir à Copa ou se realmente há intenção em desenvolver melhor o futebol no país ao migrar para a Ásia, não podemos afirmar. Mas o que não dá para negar é que, esportivamente, os Socceroos só têm acrescentado às competições da AFC.

Estudante de Jornalismo e redator no Placar UOL Esporte, belo-horizontino, apaixonado por esportes e Doente por Futebol. Chega ao ponto de assistir a jogos dos campeonatos mais diversos e até de partidas bem antigas, de décadas atrás.

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