Copa da Ásia de Seleções: por que assistir?

  • por Rogério Bibiano
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Começou ontem (9), na Austrália, a principal competição entre seleções da Ásia: a Copa da Ásia de Seleções. Torneio que reúne as 16 melhores seleções do continente asiático, um mercado que tradicionalmente investe muito dinheiro e que possui outras perspectivas, como o crescimento do futebol na Índia e na Tailândia (que não competirão em 2015), por exemplo.

Recomeço de trabalho para a maioria

Após a péssima apresentação das seleções asiáticas na Copa do Mundo 2014, a maioria das principais seleções do continente recomeçaram seus trabalhos tendo por ponto de partida a competição na Austrália.

Talvez a maior decepção asiática na Copa, o Japão será comandado pelo experiente treinador mexicano Javier Aguirre, que substitui o italiano Alberto Zacheronni. Outra seleção asiática que foi mal no Brasil e trocou de treinador é a Coréia do Sul: saí Hong Myung-Bo e entra o alemão Uli Stielike. Irã e Austrália seguem com os mesmos comandantes, o português Carlos Queiroz e o o australiano Ange Postecoglou, respectivamente.

Os favoritos

Em sua terceira participação desde que se filiou a AFC (Confederação Asiática de Futebol), a Austrália espera, enfim, diante do seu torcedor, conquistar o título. A base australiana para a disputa é a mesma que esteve na Copa do Mundo no Brasil, contando com os “intermináveis” Mark Bresciano (34 anos e jogando atualmente no Al-Gharafa/Qatar) e Tim Cahill (35 anos e atuando no New York Red Bulls/Estados Unidos), que lideram a equipe e esperam levantar pela primeira vez a taça de campeão asiático. Um jogador que esteve no elenco australiano no Brasil e deve ganhar oportunidade é o jovem Massimo Luongo, que atua no Swindow Town/Inglaterra. Com um time extremamente oscilante, resta saber qual Austrália entrará em campo, a das goleadas homéricas de 2014 ou a que fez frente à Holanda (terceira colocada do Mundial) em jogaço de bola em Porto Alegre (3×2 Holanda).

Quatro vezes campeão asiático em sete participações, o Japão mudou o treinador, mas o novo técnico não fez nenhuma mudança drástica e, assim como o elenco australiano, a base é a mesma da Copa do Mundo 2014. No papel, os japoneses possuem uma forte seleção, com destaque para Makoto Hasebe (Eintracht Frankfurt/Alemanha), Shinji Kagawa (Borussia Dortmund), Yuto Nagatomo (Internazionale/Itália) e Keisuke Honda (Milan/Itália). Cabe saber se Aguirre conseguirá colocar em prática todo o potencial, especialmente ofensivo, que o time possui e, principalmente, motivar jogadores que tradicionalmente possuem a autoestima em baixa, apesar de terem vencido três das últimas quatro edições da competição.

Tradicional força da Ásia, o Irã tem três títulos asiáticos no currículo, porém, a última conquista foi em 1976. Para tentar acabar com o jejum de títulos, o experiente e renomado treinador português Carlos Queiroz segue no comando. A base iraniana também é a mesma da Copa, entretanto o treinador já começa a apostar em jovens e promissores valores no ataque, como Sardar Azmoun (Rubin Kazan/Rússia), de 20 anos de idade e Alireza Jahanbakhsh (NEC/Holanda), com 21 anos. Estes jovens jogadores devem entrar aos poucos na equipe, pois Queiroz não abriu mão da experiência de Ashkan Dajagah, atualmente no Al-Arabi/Qatar, e do capitão Javan Nekounam, que atua no Osasuna/Espanha. Mesmo não avançando de fase na Copa, o Irã deixou boa impressão no Mundial. No entanto, uma coisa é jogar no erro contra seleções mais qualificadas, outra é chegar como um dos favoritos no próprio continente.

Outra força do continente que foi muito mal na Copa do Mundo 2014 e que vive à sombra da última conquista asiática no longínquo ano de 1960 é a Coréia do Sul. A péssima campanha no Brasil fez com que a federação reorganizasse seu planejamento. Assim, a sequência de treinadores sul-coreanos foi quebrada com a contratação do alemão Uli Stielike, que tem à sua disposição para o torneio um grupo de jogadores com boa experiência internacional. Se no passado as seleções sul-coreanas se destacavam por terem a maioria dos convocados atuando no país, a atual Coréia do Sul é o oposto , com apenas cinco jogadores jogando a K-League. Comandam a equipe em campo o meia e capitão Ki Sung-Yueng (Swansea City/Gales), Lee Chung-Yong (Bolton Wanderes/Inglaterra) e a esperança de gols, Lee Keun-Ho (El-Jaish/Qatar). Parece pouco para o atual estágio do futebol sul-coreano na Ásia, mas,em campo, o time promete mais uma vez chegar entre os melhores da competição.

Os coadjuvantes de luxo

Desde que o Iraque, então treinado pelo brasileiro Jorvan Vieira, conseguiu a façanha de conquistar a Ásia em 2007 (quebrando uma sequência de títulos do Japão), a Copa da Ásia de Seleções sempre gera a expectativa em torno de alguma provável seleção que saia do plano de coadjuvante para estrela-mór do torneio.

Apesar de haver terminado na segunda colocação em seu grupo nas eliminatórias para o torneio, atrás dos Emirados Arábes Unidos, o  Uzbequistão pode ser apontado como um eventual coadjuvante e candidato a surpresa. A equipe treinada pelo uzbeque Mirjalol Qosimov vem batendo na trave, sobretudo nas eliminatórias continentais para a Copa, mas possui bons valores como o meia Server Djeparov (Seongnam/Coréia do Sul) e o atacante Vitaly Denisov (Lokomotiv Moscow/Rússia).

Após a fraca campanha nas eliminatória para o Brasil, a Arábia Saudita (tricampeã asiática) renovou o comando técnico. O badalado treinador holandês Frank Rijkaard saiu para dar lugar ao desconhecido romeno Cosmin Olaroiu, que classificou sua equipe em primeiro lugar no grupo C e que possui um elenco experiente, que tem como base o Al-Hilal. Como na Arábia Saudita os jogadores são proibidos de deixar o futebol local para atuarem em outros países, nenhum convocado joga fora do país. Resta saber se o entrosamento que coloca os clubes árabes entre os favoritos nos interclubes asiáticos irá ser suficiente para encarar as principais seleções do continente.

As incógnitas

Em um torneio onde raramente o título foge aos favoritos, a maioria das seleções acabam se constituindo em um ponto de interrogação. No entanto, as boas campanhas de algumas destas seleções nas eliminatórias as colocam num patamar muito próximo de uma “zebra”. E, no quesito incógnitas (que na verdade poeríamos chamar também de loteria), o Doentes por Futebol destaca a Coréia do Norte, o Emirados Arábes Unidos, Qatar e a China.

Após participar da Copa do Mundo 2010, os norte-coreanos decepcionaram e sequer chegaram à fase decisiva das eliminatórias asiáticas para o Brasil. No entanto, o fato do país viver sob a ditadura mais fechada do mundo, onde pouco se sabe da seleção norte-coreana, pode ser um aliado para o treinador local, Jo Tong-Sop. Ryang Yong-Gi, meia que atua no Vegalta Sendai/Japão, é um dos principais jogadores da equipe.

Vencedores do grupo E das eliminatórias à frente do Uzbequistão e com um futebol que investe a cada dia em estrutura e pagando pomposos salários, os Emirados Árabes apostam na força do seu futebol. Se no passado era comum a importação de treinadores estrangeiros, no presente a equipe será comandada pelo treinador local Mahdi Ali. Dos 23 convocados, todos atuam em clubes do país. A seleção possui uma baixa média de idade e o destaque é o meia e capitão, de apenas 23 anos de idade, Omar Abdulrahman, que joga no Al-Ain e se destaca pela habilidade.

Futura sede da Copa do Mundo em 2022, o Qatar também tem investido pesado no futebol nos últimos anos, no entanto, ficou atrás do Bahrain, nas eliminatórias, pelo grupo D. A equipe é treinada pelo argelino Djamel Belmadi, experiente e profundo conhecedor do futebol no mundo árabe. Assim como os Emirados Árabes, a seleção do Qatar não conta com nenhum jogador atuando fora do país – todos os convocados jogam no campeonato local. Belmadi, talvez já visando um projeto a longo prazo, promoveu para este torneio uma renovação do selecionado, baixando consideravelmente a média de idade. O destaque é o meia Khalfan Ibrahim, do Al-Saad.

Outra seleção 100% caseira (e oscilante) é a China, treinada pelo francês Alain Perrin. Apesar de contar ccom um campeonato organizado e que paga salários no padrão europeu, a evolução do futebol na China ainda não surtiu o efeito esperado na seleção, tanto que os chineses conseguiram a classificação para a Copa da Ásia com a terceira colocação. O líder da equipe é o meia-armador que atua no Guangzhou Evergrande, o experiente Zheng Zhi, de 34 anos.

As zebras

Em se tratando de zebras, é impossível esquecer da conquista iraquiana em 2007. No caso da Copa da Ásia, temos algumas seleções que podemos colocar com absolutas zebras.

Primeira colocada do grupo A, a seleção do Omã é treinada pelo rodado treinador francês Paul Le Guen, que sofreu duas baixas por lesão na reta final de preparação: Mohannad Al-Zaabi e Amer Said Al-Shatri. O destaque da equipe é experiente goleiro Ali Al-Habsi, que joga no Wigan/Inglaterra, único convocado que atua fora do país.

Segunda colocada no grupo A das eliminatórias, a Jordânia é treinada pelo inglês Ray Wilkins e espera repetir o bom desempenho que teve nas eliminatórias para a Copa do Mundo, quando chegou à repescagem (foi eliminada pelo Uruguai). O destaque do time segue sendo o meia Ahmad Hayel, que joga no Al-Arabi/Kuwait.

Tradicional centro do futebol do Oriente Médio nos anos 80, o Kuwait (campeão em 1980) é treinado por conhecido treinador no mundo árabe, o tunisiano Nabil Maaloul, que tem na base de sua equipe jogadores de clubes locais, dos 23 convocados, apenas 3 atuam fora do país. O destaque da equipe é o goleiro Nawaf Al Khaidi, que atua no Qadsia.

Campeão em 2007, quando quebrou a sequência japonesa e fez história, o Iraque chega para a principal competição de seleções da Ásia novamente sem grandes perspectivas de título. A equipe é treinada pelo iraquiano Radhi Shenaishil, que leva para a Austrália um grupo bastante jovem. A base da equipe vem do Al-Shorta, campeão iraquiano. No entanto, o destaque do time é o veterano Younis Mahmoud, atualmente sem clube e remanescente do título de 2007. O atacante norte-americano de origem iraquiana Justin Meram, que atua no Columbus Crew/Estados Unidos, é candidato a ídolo.

Vencedor do grupo D, o Bahrain, do treinador Marjan Eid, possui um elenco bastante experiente. Para muitos, a Copa da Ásia de Seleções provavelmente será a última competição pelo selecionado nacional, como é o caso do zagueiro e capitão da equipe, Mohamed Husain, de 34 anos, que atua no Al-Nassr/Arábia Saudita.

Principal e grata surpresa, a Palestina irá disputar pela primeira vez a fase final de um competição de grande nível. Treinados por Saeb Jendeya, os palestinos possuem um grupo com média de idade elevada, com grande destaque para o capitão da equipe, o experiente goleiro Ramzi Saleh, de 34 anos, que atua no Smouha/Egito. Muitos olhos estarão sobre o candidato a revelação, o jovem Mahmoud Eid, de apenas 21 anos de idade, que joga no ataque do Nykopings/Suécia. Outro jogador experiente da equipe é o chileno naturalizado, Alexis Norambuena (revelado pela Unión Española), que atua no GKS Belchatow/Polônia.

O Formato

A Copa da Ásia de Seleções 2015 conta com a participação de 16 seleções. Austrália (país-sede), Japão (campeão em 2011) e Coréia do Sul (terceira colocada em 2011, que herdou a vaga australiana do segundo lugar), classificaram-se automaticamente para a fase final. As demais seleções disputaram um qualificatório, sendo que a Coréia do Norte (campeão da Copa Challenge de 2012) e a Palestina (campeã da Copa Challenge de 2014) disputaram as eliminatórias, mas garantiram suas vagas graças a estas conquistas. As demais seleções se classificaram nas eliminatórias.

Os 16 times estão divididos em quatro grupos, com quatro equipes cada, que jogam entre si, classificando-se as duas primeiras colocadas.

Os Grupos

A definição dos grupos da 16ª edição da Copa da Ásia de Seleções ocorreu com base no ranking da Fifa do mês de março de 2014, tendo os australianos, donos da casa, ocupando o pote 1, no lugar que seria da Coréia do Sul, que ficou no pote 2.

No grupo A, que teve na rodada de abertura, ontem (9), a Austrália goleou o Kuwait por 4×1 (Hussain Fadhel abriu o placar para o Kuwait, mas Tim Cahill, Massimo Luongo, Mile Jedinak e James Troisi viraram para os australianos). Completam o grupo, além destas equipes, as seleções da Coréia do Sul de de Omã. Ao que tudo indica, australianos e sul-coreanos (que encerram a fase de grupos no dia 17/01), devem se classificar para as quartas de final.

No grupo B, estão Uzbequistão, Arábia Saudita, China e Coréia do Norte. Uma das vagas, em tese, deverá ser dos uzbeques, com as demais seleções brigando para passar à próxima fase.

Pelo grupo C, irão se defrontar Irã, Emirados Arábes Unidos, Qatar e Bahrain, constituindo uma mini-Copa do Golfo. Com ótima participação  na Copa do Mundo, apesar de não ter avançado de fase, os iranianos são os favoritos da chave e deve se classificar sem sustos. A outra vaga deverá ficar em aberto, mas, no atual estágio, os Emirados Arábes parecem viver um momento melhor.

Encerrando, temos o grupo D, no qual o Japão é disparado o grande favorito. Os comandados de Javier Aguirre terão pela frente Jordânia, Iraque e Palestina, devendo passar às quartas-de-final sem sustos. A outra vaga tem tudo para ser definida já na primeira rodada da chave, quando jordanianos e iraquianos se enfrentam. A Palestina é candidata a saco de pancadas do grupo.

Confira a tabela da competição, no link.

Natural de Telêmaco Borba-PR e criado em meio à "boemia futebolística", com horas de papo sobre futebol, samba e cervejas na pauta. Influência do pai, que também adorava futebol, e da mãe, que sempre apoiou a iniciativa. Técnico em Eletrônica, formado desde 1999, e fanático por futebol, futsal, futebol de praia, society e todo esporte que tenha no futebol a sua essência.

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