Onde estão os destaques da Copa? (Parte I)

  • por Lucas Sousa
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Arte: Doentes por Futebol/Fred Miranda

Arte: Doentes por Futebol/Fred Miranda

A Copa do Mundo é um evento fantástico para todos. Para os torcedores, que veem os melhores do mundo disputando o título mais importante do planeta. Para o país-sede, que recebe milhões de turistas em um mês. Para os organizadores, que conseguem encher os cofres de dinheiros. E claro, para os jogadores, que têm a chance de brilhar para todo o mundo. Quem se destaca no maior palco do futebol pode ter a chance de mudar sua carreira de uma vez por todas.

E lá se vão seis meses desde que a Brazuca parou de rolar nos estádios do Brasil. Todos nós sabemos que o artilheiro James Rodríguez hoje faz gols pelo Real Madrid. Ou que o versátil Blind seguiu van Gaal e foi para o Manchester United. Mas e aqueles menos badalados que fizeram uma boa Copa, por onde andam? O maior evento esportivo do mundo deu uma força na carreira deles? Eles ainda estão jogando bem? É o que tentaremos responder logo abaixo.

Serge Aurier (Costa do Marfim)

aurier

Eleito o melhor lateral direito da última Ligue 1, Aurier fez um temporada fantástica pelo Toulouse. Em 34 partidas, marcou 6 gols e deu 6 assistências – melhor do time no quesito. No Brasil, foi um dos poucos destaques na decepcionante campanha dos Elefantes. É um lateral muito ofensivo, que busca o drible e cruza com qualidade. Logo na estreia, frente ao Japão, mostrou isso: cruzamentos precisos para Bony e Gervinho virarem a partida.

Suas boas exibições na França e no Brasil chamaram a atenção do milionário Paris Saint Germain, que acertou seu empréstimo por um ano com opção de compra, frustrando o Tottenham. No novo clube, disputa a posição com o titular Van der Wiel, mas tem jogado bastante graças ao revezamento que Laurent Blanc faz. De qualquer forma, deu um passo enorme na sua carreira e, levando em conta sua idade (22 anos), pode vir a ser um jogador importante para o PSG.

Yacine Brahimi (Argélia)

brahimi

Driblando nos gramados espanhóis, Brahimi ajudou o pequeno Granada a permanecer na primeira divisão espanhola por dois anos. Mesmo em um clube pequeno, chamou tanta atenção que ganhou o apelido de El Garrincha del Granada. O Mundial serviu para consolidar de vez o bom futebol do argelino/parisiense e uma das grandes surpresas – e melhor africana – da competição teve em Brahimi um de seus pontos fortes.

Rápido, agudo e driblador, o jogador seguiu para o caça-talentos Porto. Já disputou 23 partidas com a camisa azul e branca e balançou a rede 9 vezes. Para coroar o ótimo ano, conquistou o prêmio de africano mais promissor de 2014. Com 24 anos, soube aproveitar muito bem a oportunidade em um grande palco para alavancar a carreira. Pode ainda fazer do Porto mais um trampolim e seguir para um gigante europeu em breve.

>> Leia mais: A ascensão meteórica de Brahimi no Porto <<

Joel Campbell (Costa Rica)

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O Olympiakos já vencia o Manchester United por 1×0 quando Campbell marcou um lindo gol de fora da área. O costarriquenho foi um dos melhores em campo e talvez aquela tenha sido sua primeira grande aparição na carreira. Mas ele se tornou conhecido mesmo alguns meses depois. Contra o Uruguai, logo na primeira rodada, marcou um gol, deu uma assistência e foi o melhor em campo. Não conseguiu manter o nível das exibições na segunda fase, mas, no geral, fez boa Copa.

Depois de três empréstimos consecutivos, retornou ao Arsenal. Havia a expectativa de que fosse, no mínimo, um jogador útil para Arsène Wenger. Não aconteceu. A concorrência é pesada e Campbell ainda não parece pronto para os Gunners. Deve sair por empréstimo na janela de inverno – provavelmente para a Real Sociedad – na tentativa de evoluir seu futebol. Com apenas 22 anos, deve ganhar outra oportunidade na Inglaterra, mas seu pós-Copa não foi como o esperado.

Kevin De Bruyne (Bélgica)

de bruyne

Pouco aproveitado no Chelsea, De Bruyne chegou ao Wolfsburg em janeiro de 2014. Precisava recuperar a meia temporada perdida no banco dos Blues e, em cinco meses na Alemanha, garantiu sua vaga – e titularidade – na Copa com 3 gols e 6 assistências em 16 partidas. No Mundial, foi o melhor jogador da Bélgica, assumindo o posto do sumido Hazard, e se destacou pelos passes precisos e dribles.

Centralizado ou aberto pela esquerda, deu sequência à ótima fase nos Lobos. É um dos melhores jogadores da Bundesliga e o grande nome do melhor Wolfsburg desde 2008/2009, quando foi campeão nacional. Aos poucos, vai deixando o rótulo de promessa para se tornar realidade e deve ser um dos grandes meio-campistas da Europa nos próximos anos. Não à toa, já é especulado em clubes do tamanho de PSG e Manchester City.

>> Leia mais: A boa fase do Wolfsburg passa por De Bruyne <<

Stefan de Vrij (Holanda)

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Cria das categorias de base do Feyenoord, o zagueiro de Vrij foi um dos melhores da posição na Eredivisie e um dos pilares da terceira melhor defesa da competição. Com apenas 22 anos, passa segurança e tranquilidade para a defesa e tem um bom jogo aéreo. Foi um dos tantos jovens convocados por Louis van Gaal e correspondeu bem, marcando gol na sua primeira partida de Copa, frente à Espanha.

Chegou a ser especulado no Manchester United, mas acertou mesmo com a Lazio, que já observava o jogador antes mesmo da Copa. Por mais que o time da capital não tenha uma das melhores defesas da Serie A, o holandês tem se saído muito bem. Prova disso são os minutos em campo: 1435. Ninguém na Lazio jogou mais tempo que ele. De Vriij é mais um a manter o bom nível antes, durante e depois da Copa, mostrando que pode evoluir ainda mais.

Cristian Gamboa (Costa Rica)

gamboa

Vice-campeão norueguês pelo Rosenborg, Gamboa era uma das apostas da Costa Rica na Copa do Mundo. Foi semifinalista do Mundial sub-20 em 2009 e logo depois seguiu para o futebol europeu. Durante a Copa, foi um ala/lateral direito que apoiava bastante o ataque para trabalhar com Bryan Ruiz.

Mostrou serviço nas terras brasileiras e partiu para o West Bromwich. Sair da pequenina Tippeligaen (liga norueguesa) e chegar à Premier League foi um passo enorme. Um passo que parece ser maior que suas pernas. Até aqui, Gamboa só conseguiu ser titular na principal competição inglesa uma vez e é o sexto jogador do elenco que menos joga. Esses números mostram que o jogador parece ter sentido a disparidade técnica entre Noruega e Inglaterra e não se adaptou mesmo ao futebol inglês.

Ezequiel Garay (Argentina)

garay

Zagueiro de boa qualidade técnica e forte pelo alto, Garay foi campeão português pelo Benfica na temporada passada. Peça importante da defesa menos vazada do torneio, também deixou sua marca no ataque, anotando 6 gols. Também fez ótima Copa do Mundo, sendo um dos destaques da posição. A Argentina teve a terceira melhor defesa (segunda na média gols/jogos) da competição e Garay é parte importante nesses números.

Sua saída do Benfica era iminente. Foi especulado em gigantes europeus, mas optou pelo Zenit, da Rússia. Obviamente, a escolha foi financeira e o zagueiro está conseguindo uns bons trocados no leste europeu. Seu time é líder absoluto e, mais uma vez, ele é parte da melhor defesa do campeonato. Para melhorar ainda mais a situação, ainda existe a possibilidade de Garay partir para um clube de ponta. Jornais ingleses afirmam que o Manchester United – interessado no atleta desde os tempos de Benfica – pode fazer uma proposta ao Zenit pelo argentino.

José Giménez (Uruguai)

gimenez

Na temporada passada, Giménez era o quarto zagueiro do Atlético de Madrid. Miranda e Godín formavam a melhor zaga da Espanha, Alderweireld era o reserva imediato e o uruguaio fez apenas uma partida em La Liga. Começou a Copa também como reserva, mas ganhou a oportunidade na segunda partida, depois de Lugano provar que não é mais aquele zagueiro de outrora. Não saiu mais. Fez três partidas bem seguras e mostrou a Simeone que merecia mais chances no Atlético.

Alderweireld saiu e Giménez subiu uma posição entre os zagueiros. Foi tão bem quando entrou que agora já busca a titularidade. Deixou Miranda no banco em partidas importantes (contra Real Madrid e Barcelona, por exemplo) e já é cotado para deixar o Vicente Calderón. Em uma posição em que se preza a experiência, Giménez, de apenas 19 anos, passa uma segurança rara para alguém com tão pouca idade e tem sido um dos melhores do time. Caminha para ser um dos melhores zagueiros do mundo em alguns anos e já atrai o interesse dos rivais de Manchester.

>> Leia mais: Olho Nele: José Giménez, o futuro xerife <<

Antoine Griezmann (França)

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Griezmann foi um dos destaques da surpreendente Real Sociedad, sétima colocada na temporada passada. Partia da esquerda para o centro visando o gol, que conseguiu marcar 16 vezes no Espanhol. Com o corte de Ribery por lesão, foi o titular da França no Brasil. Se ainda não está no nível do jogador do Bayern, certamente mostrou que é um ótimo nome para substituí-lo ao dar muita movimentação e dinamismo ao ataque francês.

Com algumas perdas ofensivas, Simeone enxergou no jogador uma boa peça para o seu ataque. Seu faro de gol fez o treinador testá-lo mais avançado, fazendo dupla com Mandzukic. E tem dado certo. Já marcou 8 vezes no Espanhol e 2 na Liga dos Campeões. Aberto pela esquerda ou centralizado, tem aparecido em quase todas as partidas do Atlético. É um jogador muito importante para os Colchoneros e mais um jovem francês que merece atenção.

José Holebas (Grécia)

holebas

De pai alemão, mãe grega e ascendência uruguaia, Holebas já apareceu bem na última Liga dos Campeões vestindo a camisa do Olympiakos. E a pragmática/defensiva Grécia não poderia deixar de ter entre seus bons nomes um defensor. É um lateral esquerdo que apoia e defende com qualidade e era uma das válvulas de escape para os contra-ataques gregos, que tinha neste lado suas melhores opções.

Aos 30 anos, saiu da Grécia para assumir a lateral da Roma, no maior desafio de sua carreira. Depois de um período de adaptação, se tornou bastante regular e agora é titular no time de Rudi Garcia, deixando Ashley Cole no banco. Com certeza ganhou alguns pontos com a torcida depois de fazer um bom clássico frente à Lazio (quando deu o passe para Totti empatar o jogo) e, se mantiver o nível das últimas exibições, pode ser o melhor do país na posição.

Fabian Johnson (Estados Unidos)

johnson

Versátil, ambidestro e forte nas subidas ao ataque, Johnson foi um jogador bastante útil para o Hoffenheim na temporada passada, ora como lateral direto, ora como lateral esquerdo e até meio-campista. Suas boas atuações na Copa sugeriram que ele poderia ser mais do que apenas “útil”. A seleção americana apresentou alguns nomes interessantes e Johnson está nas primeiras posições desta lista. Foi um lateral direito bastante ofensivo e que deu trabalho para muita gente (especialmente Portugal).

Com seu contrato próximo do fim, o Borussia Monchengladbach fechou a transferência de graça. Tendo em vista os valores e o Mundial, parecia um ótimo negócio. Infelizmente, Johnson não emplacou no novo clube. Fez apenas três partidas como titular na Bundesliga e quase não tem jogado na lateral (direita ou esquerda), sendo constantemente escalado no meio-campo. Dos 18 jogadores que o treinador Lucien Favre utilizou na Bundesliga, Johnson foi o que menos atuou.

Kostas Manolas (Grécia)

manolas

Ao lado de Campbell e Holebas, que também integram esta lista, Manolas foi outra grata surpresa do bom Olympiakos que chegou às oitavas da Liga dos Campeões. Peça importante no ferrolho grego montado por Fernando Santos, formou uma boa dupla de zaga com Sokratis. Com 23 anos, é da safra dos zagueiros modernos, aqueles que defendem com eficiência, mas também sabem sair pro jogo com bons passes.

O Arsenal chegou a fazer uma proposta pelo jogador, mas, logo que vendeu Benatia para o Bayern de Munique, a Roma levou Manolas – e agora tem três dos quatro defensores titulares da Grécia na Copa. Até aqui, tem se mostrado uma boa escolha. Forma uma zaga segura ao lado de Astori e ainda pode evoluir como jogador. Levando em conta sua idade, pode ficar no Olímpico por mais alguns anos.

Rais M’Bolhi (Argélia)

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M’Bolhi chegou para sua terceira passagem no CSKA Sofia, da Bulgária, em junho de 2013. Começou como terceiro goleiro e, aos poucos, foi ganhando seu espaço até fazer boa partida no principal clássico do país, o Derby Eterno, contra o Levski Sofia. Foi uma das grandes figuras da Copa. Fez uma partida memorável contra a Alemanha e só foi batido na prorrogação, uma das melhores atuações de um goleiro no Mundial.

A ascensão do goleiro de 28 anos continuou após o Mundial e ele se transferiu para o Philadelphia Union, da MLS. Um acidente de carro em Paris e as constantes convocações para a seleção atrasaram sua vida no novo time, mas, com o tempo, M’Bolhi deve se tornar o dono da posição. Sem dúvidas, a Copa impulsionou sua carreira e abriu portas para o argelino em um cenário bastante promissor, mesmo que em um clube de médio porte.

Mineiro e estudante de jornalismo. Admira (quase) tudo que cerca o futebol inglês, não esconde seu apreço por times que jogam no contra-ataque (sim, sou fã do Mourinho) e acha que futebol se discute sim. Também considera que a melhor invenção do homem já ultrapassou os limites do esporte.

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