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Onde estão os destaques da Copa? (Parte II)

Arte: Doentes por Futebol/Fred Miranda

Arte: Doentes por Futebol/Fred Miranda

Dando sequência à lista dos destaques menos badalados da Copa do Mundo, falamos um pouco mais de jogadores como Keylor Navas, Romero e Vlaar. Seis meses após a Copa do Mundo, quem se deu bem e quem se deu mal? Quem correspondeu e quem decepcionou? Tentaremos responder isso logo abaixo.

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Keylor Navas (Costa Rica)

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O Levante deve muito a Navas pela tranquila temporada que teve. Foram apenas 43 gols sofridos e quinta defesa menos vazada. Não à toa, o costarriquenho faturou o prêmio de melhor goleiro de La Liga. Sua Copa do Mundo foi ainda mais irrepreensível: sofreu apenas 2 gols em 5 partidas. Certamente foi um dos três melhores goleiros do torneio e um dos principais responsáveis pela campanha histórica da Costa Rica.

Para fechar com chave de ouro a melhor temporada de sua carreira, uma transferência para o Real Madrid. Casillas já não estava mais no auge e Ancelotti revezava o goleiro de acordo com a competição (Casillas jogava a Liga dos Campeões e Diego López o Espanhol). A expectativa era que, no mínimo, o rodízio continuasse, mas o treinador definiu o arqueiro espanhol como titular para todas as competições. Até aqui, Navas tem apenas seis jogos na temporada. Ao menos neste primeiro ano, sua passagem por Madrid não tem sido boa.

Guillermo Ochoa (México)

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Ochoa foi rebaixado na temporada passada com o Ajaccio, que teve a pior defesa (72 gols) e última colocação no Francês. Era reserva na seleção e dificilmente faria um jogo no Brasil se o comando técnico não fosse trocado. Miguel Herrera chegou e apostou em arqueiro. Deu muito certo. O goleiro levou apenas um gol na primeira fase e fez uma partida espetacular contra o Brasil.

Depois da Copa, o mexicano foi especulado em diversos clubes. Sua chegada ao Málaga, para suprir a ausência de Caballero, que estava a caminho do Manchester City, foi cercada de expectativas. Expectativas que não foram nem um pouco correspondidas seis meses depois. Ochoa é banco do camaronês Kameni e fez apenas três partidas. Tendo em vista sua participação no Mundial e o cenário do novo clube, foi uma das grandes decepções entre as transferências pós-Copa.

David Ospina (Colômbia)

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Pior ataque do Francês, o Nice só ficou na Ligue 1 porque a defesa segurou a onda. Ospina levou 26 gols em 29 jogos e, se não tivesse perdido nove partidas, talvez seu time tivesse um campeonato mais tranquilo. Na Copa, mostrou que poderia (e merecia) jogar em um time melhor através de grandes defesas. Suas exibições seguras foram importantes na melhor campanha da história de seu país.

Conseguiu um grande negócio saindo do Nice e chegando ao Arsenal. Porém, na Inglaterra, teria que brigar pelo seu espaço. Deu o azar de se contundir logo quando teria a chance de ser titular na Liga dos Campeões, em outubro, e só voltou aos treinamentos em dezembro. Totalmente recuperado, foi titular nas últimas duas partidas do time e deve brigar pela posição, já que Szczesny agora tem um concorrente à altura.

Ricardo Rodríguez (Suíça)

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Lateral esquerdo de vocação ofensiva, Rodríguez terminou a última temporada com 5 gols e 9 assistências pelo Wolfsburg. Só não foi o melhor da posição na Bundesliga porque Alaba teve uma temporada exuberante. Também fez uma belíssima Copa. Foi um dos melhores (talvez o melhor) jogadores da Suíça e terminou com duas assistências em quatro partidas.

De volta ao Wolfsburg, está ainda melhor. Atualmente, é o melhor lateral esquerdo da Bundesliga, já balançou as redes 6 vezes e serviu seus companheiros 2, em 16 partidas. O clube tratou de renovar seu contrato e estendeu seu vínculo até 2019, mas o suíço não deve ficar muito tempo. Já foi especulado em Arsenal, Chelsea, Liverpool e United e sua transferência para um gigante europeu deve ocorrer em breve.

Marcos Rojo (Argentina)

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Rojo foi zagueiro e lateral esquerdo enquanto esteve no Sporting. Já havia trabalhado com Alejandro Sabella no Estudiantes e o treinador, que o conhece bem, decidiu utilizá-lo na lateral. Foi peça importante na solidez defensiva argentina, mas não foi o jogador defensivo que se esperava – pelo contrário, apoiou bastante o ataque e fez até gol.

Deixou o Sporting e partiu rumo ao Manchester United e, após de um início inconsistente, vai se firmando no clube inglês. Tem sido mais zagueiro, até porque o clube investiu muito na contratação de Luke Shaw, mas já apareceu também na lateral. É um jogador muito interessante taticamente e bastante valioso para van Gaal. Para um treinador que varia a linha defensiva entre três e quatro homens, contar com um zagueiro/lateral no elenco é fundamental.

Sergio Romero (Argentina)

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Romero foi banco na maior parte da temporada passada, no Mônaco. Foram apenas 9 jogos no clube do principado. Por isso, sua titularidade (e até mesmo convocação) foi muito questionada durante a Copa. Até pela falta opções confiáveis, Sabella bancou o goleiro, que retribuiu a confiança e terminou o Mundial como uma das gratas surpresas.

De volta à Sampdoria após o empréstimo ao time francês, vive altos e baixos. Vivano começou a Serie A como o goleiro titular. Na sétima rodada, se lesionou e Romero assumiu a vaga. Fez 10 partidas consecutivas e, nos dois últimos jogos, seu concorrente voltou ao gol. A situação do argentino é semelhante à de Ochoa: desacreditado antes da Copa, foi muito bem no torneio, mas não consegue se firmar no clube. Romero é mais um caso difícil de se explicar.

Mathieu Valbuena (França)

valbuena

Valbuena vestiu a camisa do Olympique de Marselha por oito temporadas. Na última, foram 3 gols e 6 assistências em 33 aparições na Ligue 1. Ainda era importante para o time, mas não tanto quanto em anos anteriores. Fez uma boa Copa aberto pela ponta direita, com muita movimentação e dribles rápidos. Saiu do Brasil com um gol e uma assistência.

Pelo currículo e Copa que fez, teria vaga em um time de qualidade na Europa. Optou pelo Dynamo Moscou e pelos belos salários que o mundo russo oferece. Valbuena não é mais um garoto (30 anos) e talvez não tivesse outra boa proposta – financeiramente falando – na carreira. É um dos melhores na liga russa e principal jogador do Dynamo. Segue jogando em bom nível, mas em um campeonato bem menos competitivo.

Enner Valencia (Equador)

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O atacante equatoriano Valencia é um fruto do bom trabalho de observação dos mexicanos na América do Sul – e que deveria servir de exemplo para os clubes brasileiros. Em janeiro de 2014, foi contratado pelo Pachuca junto ao Emelec e, em 23 jogos no Clausura, foi à rede 18 vezes. Trouxe a boa fase para o Brasil, marcou os 3 gols do Equador no torneio e conseguiu sua mudança para a Europa.

Sua transferência para o West Ham, seis meses depois de ser contratado pelo Pachuca, foi até surpreendente. A enorme distância entre as ligas inglesa e mexicana se reflete nos números de Valencia. Até aqui, são apenas 3 gols em 16 jogos na Premier League. Com o rodízio no ataque dos Hammers, tem sido mais titular que reserva, mas também rende menos que o esperado.

Ron Vlaar (Holanda)

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O Aston Villa terminou a temporada passada a cinco pontos da zona de rebaixamento. Vlaar conseguiu algum destaque, mas nada de muito especial. Foi na Copa do Mundo que o zagueiro se apresentou de vez. Era um dos mais experientes no jovem elenco holandês, assumiu essa responsabilidade na defesa como um legítimo xerife e foi um dos melhores na posição.

Se fosse tão jovem quanto seus companheiros de zaga, provavelmente já estaria em outro clube logo após o Mundial. Mas a idade não deve ser uma barreira para Vlaar dar um passo adiante na carreira. Com tantos clubes grandes precisando de um zagueiro que passe tranquilidade ao time, o holandês surge como ótima opção. Pode pintar em Arsenal, Liverpool ou Manchester United nas próximas janelas.

Mario Yepes (Colômbia)

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Aos 38 anos, o interminável Yepes se firmou no miolo de zaga da Atalanta. Perdeu alguns jogos – muito por conta do físico que não é mais o mesmo – mas, no geral, esteve bem no time italiano. Sua participação na Copa foi surpreendente. Pelo tanto que correu e se entregou em cada partida – debaixo de forte calor, vale destacar -, não parecia ser um dos mais velhos do torneio.

Seu contrato com a Atalanta não foi renovado. Sem clube, muitos acreditavam que Yepes encerraria a carreira após a Copa, mas o veterano foi contratado pelo San Lorenzo, em setembro de 2014. Fez apenas seis partidas no Argentino e foi titular do Ciclón no Mundial de Clubes. Hoje, pode se aposentar com orgulho de dizer que já disputou Libertadores, Liga dos Campeões, Copa América, Copa do Mundo e Mundial de Clubes. Enfim, Yepes jogou os maiores torneios possíveis para um sul-americano.

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Mineiro e estudante de jornalismo. Admira (quase) tudo que cerca o futebol inglês, não esconde seu apreço por times que jogam no contra-ataque (sim, sou fã do Mourinho) e acha que futebol se discute sim. Também considera que a melhor invenção do homem já ultrapassou os limites do esporte.