Cachorros grandes disputando a Europa

EUROPA LEAGUE 14-15

Apesar de não possuir tanto glamour quanto a Liga dos Campeões da Europa, a Europa League é um torneio tradicional – resultante da “evolução” da Copa UEFA – que vem ganhando ainda mais peso, já que a partir da temporada 2015 / 2016, seu vencedor garante vaga direta na fase de grupos da Champions League. Falando em tradição, a edição deste ano conta, em sua fase de playoffs, com várias equipes grandes do cenário europeu e que vivem bons momentos em suas ligas nacionais (ou pelo menos a maioria delas vive): Wolfsburg, Roma, Internazionale, Villarreal, Fiorentina, Napoli, Everton, Sevilla e Ajax.

Tomei a liberdade de destacar as citadas equipes e pedi aos especialistas da nossa redação que fizessem um resumo da temporada delas, a fim de mostrar por que creio que a edição 2014 / 2015 da Europa League está sendo disputada por cachorros grandes do cenário europeu e promete ótimos jogos até a final, que será disputada dia 27 de maio no estádio nacional de Varsóvia.

Nesta primeira parte, listo 04 equipes que considero serem as favoritas ao título da competição, vamos a elas:

WOLFSBURG
(por Fred Miranda)

Os lobos vivem fase espetacular desde o início da temporada. Liderados por Kevin De Bruyne, preencheram o vácuo deixado pelo Borussia Dortmund e são atualmente a segunda força da Bundesliga. O time comandado por Dieter Hecking tem perdido poucos jogos na temporada, até a derrota para o Augsburg na semana passada, o lobos vinham de uma sequência de 15 jogos sem perder (03 meses completados).

O time base conta com: Benaglio; Vieirinha, Naldo, Knoche, Ricardo Rodríguez; Max Arnold, Luis Gustavo; Caligiuri, De Bruyne, Schürle; Bas Dost.

Informações ainda mais detalhadas de como os lobos vêm jogando e seus pormenores táticos você encontra na ótima análise de Raniery Medeiros:

Os lobos uivantes da Bundesliga

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NAPOLI
(por João Almeida)

A história recente do Napoli inclui muitas participações em competições europeias, mas pouco destaque nelas. Os grandes momentos dos azzurri nos últimos anos foram ambos na Champions League, quando o time quase eliminou o campeão Chelsea em 2011/12 e quando foi eliminado com incríveis 12 pontos em 6 jogos na fase de grupos da última temporada. Na Europa League, os desempenhos incluem muitas eliminações, como a vergonhosa queda para o Viktoria Plzen na temporada 2012/13.

Agora um dos favoritos para ganhar a competição, o time do técnico Rafa Benítez busca evitar a sina do “quase” e conquistar seu segundo título internacional – o único na história do clube foi o da Copa da UEFA de 1989, nos áureos tempos de Diego Maradona. Para isso, conta com um sólido elenco, que vem se fortalecendo ano a ano e brigando sempre no topo da Serie A.

Bem diferente de mercados passados, as últimas janelas do clube serviram para aquisições pontuais, que solidificaram muito o plantel do técnico espanhol. As opções dos partenopei hoje permitem que eles briguem pelo título da Liga Europa sem prejudicar muito o desempenho no campeonato nacional.

Benítez nunca abre mão de seu 4-2-3-1. No entanto, as variações de jogadores que ele faz em cima do mesmo esquema são algo incomum. É muito difícil dizer qual o time titular do Napoli, uma vez que na Serie A, por exemplo, dezessete jogadores já têm mais de dez partidas na competição.

Para ilustrar o bom nivelamento do elenco, basta ver o meio de campo. Para a função de meia, são três vagas para escolher dentre Hamsik, Callejón, Mertens, Insigne, De Guzmán, Michu e o recém-contratado Gabbiadini, que começou muito bem com a camisa azzurra. Para a volância, apenas duas vagas para Inler, Gargano, Jorginho e David López. Por isso, são poucos os intocáveis da equipe.

Até agora, o time tem ido bem na Liga Europa e tem pela frente o Dínamo de Moscou, um adversário teoricamente fácil, apesar de perigoso. O histórico recente põe em cheque a capacidade do Napoli de brigar pelo troféu, mas seu elenco o põe como um dos favoritos. Essa contradição cria a dúvida: será que o time desta temporada será capaz de repetir o feito da equipe que tinha Maradona como destaque?

Time base: Rafael; Maggio, Albiol, Koulibaly, Ghoulam; David López, Inler, Callejón, Hamsik, Mertens; Higuaín.

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ROMA
(por João Almeida)

Depois de muitos anos sem disputar a Champions League, a Roma voltou nesta temporada e deu azar ao cair no grupo da morte, juntamente com Manchester City e Bayern. No entanto, o time vendeu caro a eliminação e só caiu porque deixou escapar a classificação na última rodada, em casa, contra o City. Agora, na Liga Europa, após eliminar o Feyenoord, o time de Rudi García chega forte no confronto diante da compatriota Fiorentina.

Hoje vice-líderes da Serie A, os giallorossi não perdem há 15 rodadas na competição, por mais que tenham empatado a maioria desses jogos. Contudo, durante esse período invicto, perdeu justamente para a Viola pela Coppa Italia.

Com Francesco Totti ainda jogando em bom nível, a equipe tem nele e De Rossi seus principais pilares, mesmo que não apresentem a mesma disposição de outrora – o que requer que sejam constantemente poupados. Mas vale destacar também participações de outros jogadores. Adem Ljajic voltou a repetir as boas atuações que há muito não tinha e é hoje o artilheiro do time, que tem o meia bósnio Miralem Pjanic como o principal destaque. O 4-3-3 de García conta muito também com a velocidade de Gervinho.

O meio de campo comandado por Pjanic é o ponto forte da Roma, apesar da ausência de Strootman por muito tempo.

https://www.youtube.com/watch?v=ZgZoL-42-fE

Nainggolan, em boa fase, é sólido tanto no ataque quanto na defesa, que é reforçada pelo experiente volante Keita ou pelo supracitado De Rossi. O setor defensivo também é digno de nota e é responsável por fazer do time o segundo com menos gols sofridos na Serie A, atrás apenas da Juventus. Muito disso se deve pelas boas opções na zaga, que não parece sentir tanta falta do brasileiro Leandro Castán, uma vez que Mbiwa, Manolas e Astori (reserva na maioria das vezes) têm dado conta do recado.

O duelo contra a Viola tem tudo para ser duro, sobretudo porque jogar contra uma equipe italiana coloca um pouco de rivalidade no embate. No papel, a Roma é a favorita, mas, da última vez que ambos se enfrentaram em um mata-mata, foi o adversário que levou a melhor, nas quartas de final desta edição da Coppa Italia. Esses ingredientes fazem deste confronto um dos mais interessantes das oitavas da Liga Europa.

Time base: De Sanctis; Maicon, Mbiwa, Manolas, Holebas; Keita, Pjanic, Nainggolan; Gervinho, Totti, Ljajic.

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VILLARREAL
(por Lucas Sousa)

De volta à elite do futebol espanhol na temporada passada, o Villarreal segue embalado e enchendo seus torcedores de expectativa. Nas duas vezes que foi a Madrid enfrentar os grandes, pontuou: venceu o Atlético e empatou com o Real. A atual 6ª colocação garante vaga para a Liga Europa, competição que deve ser tratada como prioridade neste ano por levar o vencedor à Liga dos Campeões, algo quase impossível no campeonato nacional. No torneio continental, ficou atrás do Borussia Monchengladbach em um grupo que ainda tinha Zurich (Suíça) e Apollon Limassol (Chipre). Na fase seguinte, passou sem muitas dificuldades pelo Red Bull Salzburg.

DESTACADA

Saiba mais sobre a joia argentina.

 

O sonho de conquistar a Europa e retornar ao grande palco do continente passa pelos pés de Luciano Vietto. Argentino de apenas 21 anos, ele é o artilheiro do time no Espanhol e na Liga Europa, com onze e cinco gols, respectivamente. Na competição internacional, é também o líder geral de assistências, com seis (UEFA). Sua grande temporada chamou a atenção de Barcelona e Real Madrid, que disputam sua contratação. Aliando velocidade, poder de fogo e jogadas individuais, o atacante se tornou o grande nome do Submarino Amarelo.

O estilo de jogo da equipe de Marcelino García Toral também favorece seu principal jogador. Nada de troca de passes e manutenção da posse de bola como dita a escola espanhola, no Villarreal o contra-ataque é muito importante. A equipe se fecha bem na defesa e aposta em transições rápidas e com muitos lançamentos para chegar ao ataque, explorando a velocidade de Vietto sempre que possível. A propósito, a defesa é bem sólida. Mesmo com a ida de Gabriel Paulista para o Arsenal, o time continua seguro lá atrás e foi o quarto que menos levou gol no Espanhol, empatado com o Real Madrid.

Também vale a pena ficar de olho em dois homens de meio-campo: Cheryshev e Jonathan dos Santos. O russo joga aberto pelo lado esquerdo, ataca chegando à linha de fundo ou centralizando, ajuda no trabalho defensivo e serve bem os companheiros – é líder de assistências do time no Espanhol, com nove (WhoScored). Já Jonathan, irmão de Giovani e ex-Barcelona, não tem uma chegada tão forte ao ataque, mas é o cara do passe qualificado, que cadencia e pensa o jogo. É bastante útil porque pode ser utilizado aberto na direita ou pelo centro do campo.

Diferente da badalada Liga dos Campeões, a Liga Europa é recheada de surpresas e o Villarreal pode pintar como uma delas. Com tantas equipes de qualidade na disputa, o Submarino não pode ser considerado absolutamente favorito, mas sem dúvidas está entre as que podem aprontar. Para isso, conta com o estádio El Madrigal, onde tem um retrospecto pra lá de animador. Contando os principais campeonatos que o clube disputa – Espanhol, Copa do Rey e Liga Europa -, apenas Real Madrid, Valencia e Barcelona (duas vezes) saíram de lá com a vitória. O Gladbach conseguiu um empate, mas nas outras 18 partidas deu Villareal.

Time base (4-4-2): Asenjo; Mario, Musacchio, Ruíz, Costa; Jonathan, Trigueros, Bruno, Cherysev; Vietto, Uche/Giovani.

Na segunda parte, falaremos de Internazionale, Fiorentina, Ajax, Sevilla e Everton.

Boa leitura!

Botafoguense e apaixonado por Futebol.

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