As sete maiores noites do Barcelona de Guardiola

  • por Victor Mendes Xavier
  • 3 Anos atrás

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O sorteio da manhã dessa sexta-feira (24/04/15) colocou frente a frente numa semifinal de Liga dos Campeões da Uefa criador e criatura. Se a competitividade do ciclo vencedor do Barcelona continua intacta, é graças ao espírito vencedor que Josep Guardiola implantou ao assumir o time em junho de 2008. À época, sob a batuta de Johan Cruyff, o maior protetor do catalão, a aposta do presidente Joan Laporta dividia o ambiente culé: seria possível um treinador inexperiente, cujo único trabalho tinha sido com os jovens do Barça B, erguer um clube que havia acabado de sair de uma temporada completamente fracassada?

A história foi escrita. Sete anos depois de assinar com o time principal barcelonista, apostar seu projeto em Lionel Messi, mandar Ronaldinho Gaúcho embora, reviver um estilo de jogo de um jeito mais moderno que, em bom dia, beirava a perfeição, Guardiola hoje busca sucesso no Bayern de Munique. E, para ficar próximo da taça da Champions pela terceira vez, o próximo desafio será o mais difícil de sua carreira: voltar ao Camp Nou para encarar o monstro que criou.

Exaltado em todo mundo, proclamado como um dos mais excepcionais esquadrões da história do esporte, o Barcelona de Guardiola ainda deixa saudades aos fãs de futebol. O momento, portanto, é o mais propício para recordamos as mais especiais noites daquele time, em ordem de acontecimento. Boa leitura.

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BARCELONA 6X1 ATLÉTICO DE MADRID: O PRIMEIRO AVISO (05 de outubro de 2008)

https://www.youtube.com/watch?v=JzOI4fx5NbU

Naquilo que pode ser considerado o primeiro espetáculo da era Guardiola, o Barcelona triturou o Atlético de Madrid no Camp Nou. Os rojiblancos viviam boa fase, e havia a expectativa por parte da mídia que finalmente a equipe pudesse brigar pelo título espanhol depois de um longo tempo. Porém, o choque de realidade foi fincado bem cedo. Isso porque, com dez minutos de jogo, os blaugranas venciam por 3×0 em uma enorme demonstração de coletividade. Com Xavi regendo o meio-campo com facilidade, Messi e Iniesta, pelos lados, foram os pesadelos do sistema defensivo atleticano. Livre para brilhar, Eto’o não decepcionou, marcando dois gols. Javier Aguirre, treinador do Atléti, declarou após o jogo que nunca havia visto uma equipe tão coerente em campo como aquele Barcelona. Era só o início do que vinha pela frente.

Escalação: Víctor Valdés; Puyol, Piqué, Rafa Márquez, Abidal; Busquets, Xavi, Gudjohnsen; Messi, Eto’o, Iniesta.
Gols: Rafa Márquez, Eto’o (2), Messi, Gudjohnsen, Henry.

BARCELONA 4X0 BAYERN DE MUNICH: EU SOU O MELHOR JOGADOR DO MUNDO (08 de abril de 2009)

https://www.youtube.com/watch?v=VRTxN3rebvA

O primeiro encontro entre Barcelona e Bayern de Munique na Champions no século XXI confirmou o que muitos diziam com moderação: Lionel Messi era o melhor jogador do mundo. Na coletiva pré-jogo, Jürgen Klinsmann, o treinador do Bayern, afirmou que aquela eliminatória decidiria quem seria o melhor jogador da temporada, Messi ou Ribery. Não deu para o francês. Contra uma frágil marcação, o camisa 10 fez o que quis. Só no primeiro tempo, marcou duas vezes e deu duas primorosas assistências a Eto’o e Henry. Mais atrás, Iniesta se exibia contra van Bommel e Zé Roberto, e Yaya Touré mostrava todo seu domínio, anulando as ações de Schweinsteiger como se o alemão fosse uma criança. O Barça marcou “só” quatro, mas poderia ter construído um resultado histórico.

Escalação: Víctor Valdés; Daniel Alves, Piqué, Rafa Márquez, Puyol; Yaya Touré, Xavi, Iniesta; Messi, Eto’o, Henry.
Gols: Messi (2), Eto’o, Henry.

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REAL MADRID 2X6 BARCELONA: O CÉU É O LIMITE (02 de maio de 2009)

Os dois jogos anteriores ao superclássico que decidiria o Campeonato Espanhol de 2008/2009 foram desgastantes para o Barcelona. Os empates contra Valencia no Mestalla por 2×2 e Chelsea no Camp Nou por 0x0 colocaram em xeque, por um momento, o aspecto físico e a carga mental azulgrená. Quando Higuaín abriu o placar e explodiu o Santiago Bernabéu, os culés temeram o pior. Porém, o que veio depois foi uma aula de futebol que o estádio madrilenho nunca irá esquecer. No dia do nascimento de Messi como falso nove, o argentino, como não poderia deixar de ser, se destacou com dois gols. Porém, aquela tarde de clássico em Madrid teve Xavi e Henry como protagonistas. O primeiro, em uma de suas maiores atuações da carreira, dominou o meio-campo e foi responsável por sensacionais quatro assistências. O segundo, em sua melhor atuação como barcelonista, foi o terror de Sergio Ramos. Com seu movimento vertical, o francês relembrou o auge no Arsenal. Além disso, marcou dois gols importantíssimos: o primeiro, empatando o jogo em 1×1, e o segundo, ampliando o marcador para 4×2, quebrando qualquer esperança de virada por parte dos madridistas.

Escalação: Víctor Valdés; Daniel Alves, Puyol, Piqué, Abidal; Yaya Touré, Xavi, Iniesta; Eto’o, Messi, Henry.
Gols: Henry (2), Messi (2), Puyol e Piqué.

BARCELONA 2X0 MANCHESTER UNITED: NASCE O TIKI-TAKA (27 de maio de 2009)

https://www.youtube.com/watch?v=Ost90DnkjOA


O Barcelona voltava à final de UCL após três anos para confrontar o atual campeão. O Manchester United de Cristiano Ronaldo defendia a taça e chegou a Roma com a possibilidade d
e ser a primeira equipe a ganhar a orelhuda por duas temporadas consecutivas. Pelo histórico e a forma que eliminou o Arsenal na semifinal e a Inter de Mourinho nas oitavas, os Red Devils tinham o peso de favoritos a seu lado. Os primeiros dez minutos de pressão assustaram o Barcelona, que parecia nervoso. Porém, quando Iniesta conduziu a bola e tocou para Eto’o desmontar Vidic e balançar as redes de van der Sar e abrir o placar, entrou em campo o Barcelona do tiki-taka, o Barcelona dos toques curtos de Xavi e Iniesta. A dupla espanhola colocou o United na roda de bobo e a final virou uma partida de um time só. Naquele 27 de maio, o conceito Barcelona de jogar futebol virou referência definitiva. Enquanto isso, Ferdinand, Vidic, Evra, Carrick e Giggs seguem correndo atrás da bola.

Escalação: Escalação: Víctor Valdés; Puyol, Yaya Touré, Piqué, Sylvinho; Busquets, Xavi, Iniesta; Eto’o, Messi, Henry.
Gols: Eto’o e Messi.

BARCELONA 5X0 REAL MADRID: CAMP NOU, O TEMPLO DE MESSI (29 de novembro de 2010)

https://www.youtube.com/watch?v=zqp8p8IGUdI

Barcelona contra Real Madrid. Josep Guardiola contra José Mourinho. Lionel Messi contra Cristiano Ronaldo. Não bastassem todos os ingredientes que apimentam um clássico, o cenário pré-jogo, marcado por provocações por parte madridista, esquentou os ânimos culés. O resultado, inesquecível, foi um alívio para cada jogador e torcedor que acompanhou aquele jogo. Foi uma vingança particular contra Mourinho, que, meses atrás, com sua Inter, havia despachado o Barça da Champions. Foi a noite da perfeição futebolística, do coletivo catalão maximizado até a última gota. Mesmo sem anotar gol, a exibição de Messi está marcada na história. Sua assistência para Villa é aquela ação que uma mente normal não consegue conceber, que só um gênio visualiza. O Camp Nou está para Messi tal qual Gotham para Bruce Wayne ou Metrópolis para Clark Kent. O Olimpo do Futebol recebeu, definitivamente, o Barcelona de Guardiola.

Escalação: Víctor Valdés; Daniel Alves, Piqué, Puyol, Abidal; Busquets, Xavi, Iniesta; Pedro, Messi, Villa.
Gols: Xavi, Pedro, Villa (2) e Jeffren.

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BARCELONA 3X1 MANCHESTER UNITED: A ÚLTIMA PÁGINA DO LIVRO (28 de maio de 2011)

Uma final de Champions é um jogo tão especial que, por vezes, acaba não potencializando todas as qualidades do time vencedor. Em um jogo único, o tiro tem que ser certeiro. Uma tacada errada e toda glória cai por água abaixo. Até por isso, o pragmatismo toma conta do ambiente. Se tem algo que o Barcelona do Guardiola rompeu com o protocolo foi justamente neste ponto. Depois da fantástica atuação na capital italiana dois anos antes, o Barça, mais uma vez contra o Manchester United, voltou a maravilhar os olhos dos fãs de futebol. No mítico Wembley, território de sua primeira UCL, o 28 de maio de 2011 superou o 27 de maio de 2009. Talvez porque, dessa vez, Xavi, Iniesta e sobretudo Messi eram as referências do futebol mundial e não havia equipe boa o suficiente para bater aquele esquadrão de Guardiola. É verdade que a negligência de Ferguson na escalação foi meio caminho para os blaugranas. O escocês optou por Giggs e Carrick protegendo a defesa e Ferdinand e Vidic em uma linha bem adiantada. O passeio do argentino não foi coincidência. A última grande página do super time de Pep na Europa.

Escalação: Víctor Valdés; Daniel Alves, Piqué, Mascherano, Abidal; Busquets, Xavi, Iniesta; Pedro, Messi, Villa.
Gols: Pedro, Messi e Villa

BARCELONA 4X0 SANTOS: O MEIO-DE-CAMPO É MINHA FORÇA (18 de dezembro de 2011)

O Santos foi o encarregado (ou o privilegiado, segundo Neymar) de ser a última vítima do Barcelona de Guardiola. Na final do Mundial de Clubes de 2011, Pep homenageou o tiki-taka, levando a campo cinco meio-campistas espalhados pelo setor ofensivo. Muricy traduziu a tática com “3-7-0”. A diferença de nível entre os dois times era evidente e a goleada não foi obra do acaso.

Escalação: Víctor Valdés; Puyol, Piqué, Abidal; Daniel Alves, Busquets, Xavi, Thiago; Fàbregas, Messi, Iniesta.
Gols: Messi (2), Xavi e Fàbregas.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa Esporte@Globo da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.