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Benedetto, o conquistador da CONCACAF

Foto: clubamerica.com.mx

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Qual amante do futebol não está acostumado a ver um atacante argentino decidir grandes campeonatos, com belos gols, jogadas de efeito e assistências magistrais? No decorrer dos anos, Alfredo Di Stéfano, Mario Kempes, Diego Armando Maradona, Gabriel Batistuta, Hernán Crespo, Carlos Tévez e Lionel Messi se tornaram grandes expoentes dos Hermanos e responsáveis por feitos imensuráveis.

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Não obstante, com a globalização, assim como os brasileiros, nossos vizinhos levaram seus exemplares para todo o mundo e, com maior ou menor destaque, continuaram decidindo e fazendo a alegria de incontáveis torcidas.

Na última quarta-feira (29), no Estádio Olímpico de Montreal, um time mexicano bateu um rival canadense e conquistou a glória maior das Américas Central e do Norte. O tradicionalíssimo América, da gigantesca Cidade do México, superou o Montreal Impact, time que disputa a MLS, e levou para casa o troféu da Liga dos Campeões da CONCACAF, ou, popularmente, a Concachampions. E o que isso tem a ver com a história argentina ser recheada de grandes definidores? A glória de Las Águilas só foi possível graças à eficiência de um argentino: Darío Benedetto. Quem?

Foto: clubamerica.com.mx

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Aos 24 anos, Benedetto está longe dos holofotes das grandes estrelas de seu país. Lembrado pela torcida do Atlético Mineiro, que, na Copa Libertadores da América de 2013, viu o argentino marcar um potente gol na vitória alvinegra contra o Arsenal de Sarandí (5×2), seu ex-clube, o goleador tem uma carreira um tanto obscura. Revelado pelo próprio Arsenal, passou pelos modestos Defensa y Justicia e Gimnasia de Jujuy, ainda em solo argentino, e, após a referida Libertadores, partiu para o México, onde defendeu com sucesso o Club Tijuana.

Com 17 gols e 10 assistências em 39 jogos, deixou Los Xolos e rumou para a equipe mais vencedora do país: o América. Em seu novo clube, alcançou um novo status: o de conquistador da CONCACAF. Conquanto não tenha participado das quartas de final e da primeira partida das semifinais, no segundo encontro desta fase, apareceu para resolver. Após a derrota por 3×0 para o Herediano, da Costa Rica, a tarefa era dura, mas, com quatro gols e uma assistência (!) do argentino, o América venceu o rival por 6×0 e avançou à final.

No derradeiro jogo, após empate em casa por 1×1, uma vitória simples bastaria para levar o clube mexicano ao posto mais alto de um torneio, que não ganhava desde 2006. E a glória veio. Com o 4×2 escrito em um placar construído com três belíssimos gols de Benedetto, o América conquistou novamente a Concachampions e estará no Mundial Interclubes do final do ano.

Além disso, o goleador Hermano foi eleito o melhor jogador da competição, foi o artilheiro, ao lado de seu companheiro Oribe Peralta, e teve um de seus gols (o seu primeiro na vitória contra o Herediano) escolhido o mais bonito da competição.

Foto: clubamerica.com.mx

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Evidentemente, Benedetto não é Di Stéfano, Maradona ou Messi – longe, muito longe disso –, mas, indubitavelmente, na senda vitoriosa do América, o artilheiro dos Millonetas honrou a tradição e história dos craques de seu país.

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Advogado graduado pela PUC Minas, pós-graduando em Direito Desportivo e Negócios do Esporte, 23 anos. Comecei minha jornada de escritos futebolísticos no "O Futebólogo", meu blog pessoal. Admito minha preferência pelo futebol bretão, mas aprecio o esférico rolado em terras germânicas e lusas. Desde a infância, tenho no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar grandes referências. A propósito, o melhor jogador que vi jogar foi o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004-2005.