Daniel Alves merece mais respeito – principalmente dos culés!

  • por Victor Mendes Xavier
  • 3 Anos atrás


Não deixa de ser surpreendente a notícia de que Daniel Alves não irá renovar com o Barcelona. Apesar do elenco não disponibilizar a Luis Enrique opções de nível para substituir o baiano, a relação entre clube, jogador e torcida está desgastada há tempos. Até pelo tratamento de alguns torcedores, o fim da passagem de Dani pela Catalunha terminará de maneira injusta.

O lateral-craque do Sevilla, capaz de revolucionar um sistema e ser o astro de uma equipe por anos mesmo partindo da parte defensiva do campo, chegou em um momento conturbado no Camp Nou. Josep Guardiola assumiu o lugar de Frank Rijkaard e a certeza de que a geração de Ronaldinho e Deco havia terminado era definitiva. Após o fracasso retumbante no Campeonato Espanhol e na Liga dos Campeões, Joan Laporta, presidente do Barcelona à época, foi obrigado a ir às compras para montar o elenco da temporada 2008/2009.

O impacto de Daniel Alves no esquema de jogo que Guardiola começava a construir foi precoce. Até pela qualidade ofensiva pragmática de seu antecessor (Zambrotta), a sensação que dava é que os olhos dos torcedores brilhavam a cada instante que o brasileiro subia para o ataque. Qualquer pretensão de título barcelonista passava pelo triângulo “Daniel-Xavier-Lionel” na direita.

Os três funcionavam com uma naturalidade perfeita. Dali era construído boa parte dos ataques de perigo blaugrana. Basicamente, a jogada-chave do primeiro Barcelona de Guardiola era o lançamento de Xavi para a infiltração e o posterior cruzamento de Daniel Alves para Eto’o, o centroavante, chegar completando às redes.



O volume de jogo que Daniel dava ao Barcelona conduzindo bola para o ataque era assustador. A percepção tática também era elogiável. Quando Messi saia da direita para o centro, Dani tinha um corredor para encarar no mano a mano o lateral rival. Quando Messi ficava mais preso à ponta, o atual camisa 22 aparecia inteligentemente por dentro do meio-campo, emulando Junior e Leandro. Aliás, Luis Enrique tentou repetir o mecanismo nesta temporada, principalmente no sistema de jogo de janeiro, do melhor Barcelona de 2014/2015: Messi bem aberto à direita e Daniel Alves “falso segundo volante”.

O Barcelona 2008/2009 terminou a campanha com três de três títulos possíveis: Liga Espanhola, Copa do Rei e a Liga dos Campeões. Messi foi o melhor jogador daquele ano; Xavi, o melhor meio-campista; e Daniel Alves, o melhor lateral. Não por coincidência. O trio repetiu atuações positivas por mais duas temporadas, mas a intenção do texto é relembrar, em especial, a primeira aventura do baiano no Barça.

Guardiola usufruiu do melhor Daniel Alves no futebol europeu. A capacidade de desequilibrar, de passar com maestria, de deixar disposição e honrar o uniforme azul e grená do lateral está marcada na história. Basta-nos rever alguns vídeos daquele Barcelona de 2008/2009. Aliás, confesso que incomoda quando alguém chega ao ponto de colocar em xeque sua qualidade técnica. Não é à toa que Dani é o maior assistente da carreira de Messi. Para o argentino, já foram 28 passes a gol, mais que Xavi e Iniesta, aqueles que Messi dependia bastante para ganhar títulos. Portanto, por todos esses fatores, o brasileiro merece mais respeito. E não ser uma personalidade esquecida do ciclo vencedor do clube catalão de 2008 a 2011.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa Esporte@Globo da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.