A bomba atômica

  • por Victor Mendes Xavier
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Foto: Site oficial da UEFA | Beckham, Scholes e Giggs foram os projetos de Alex Ferguson na tríplice coroa de 1999. Mas nenhum o fez sonhar tanto como Cristiano Ronaldo

Foto: Site oficial da UEFA | Beckham, Scholes e Giggs foram os projetos de Alex Ferguson na tríplice coroa de 1999. Mas nenhum o fez sonhar tanto como Cristiano Ronaldo

Os primeiros Manchester United de sucesso de Sir Alex Ferguson foram tipicamente britânicos: o jogo direto e os cruzamentos à área eram os principais mecanismos da proposta do escocês. Dessa forma, ganhou duas Premier League consecutivas, em 1993 e 1994. Duas figuras lideraram os Red Devils: Eric Cantona e Paulo Ince. Cinco anos depois, o sucesso em âmbito doméstico se alastrou ao continente. O famoso “treble” de 1999, quando ganhou EPL, UCL e FA Cup, teve Beckham, Scholes e Giggs como os grandes experimentos.

Com a estabilização do Real Madrid de Vicente Del Bosque e a ascensão de Bayern de Munich e de clubes italianos, Ferguson e seu United passaram anos longe da tão desejada final de Champions League. Na Inglaterra, foram apenas dois títulos entre 2000 e 2007. A Ferguson, faltava uma peça que renovasse o estilo de jogo e liderasse um novo projeto. No verão de 2003, quando o Manchester United foi a Lisboa disputar um amistoso contra o Sporting, na estreia do estádio Alvalade XXI, um jovem português chamou a atenção de SAF. Ele tinha 18 anos, mas encarou a partida com tanta naturalidade que deixou o escocês atordoado. Ao término do jogo, não havia mais dúvidas: Alex Ferguson escolheu Cristiano Ronaldo para ser seu novo comandado.

O português era tudo que aquele senhor de cabelos brancos desejava: inteligência, talento e potência. O jogador moderno. A arma definitiva para o retorno dos mancunianos ao mais alto patamar da elite europeia. Ferguson ainda lamentava a saída de Beckham, mas sabia do potencial do novo camisa 7. O terreno para o gajo brilhar começava a ser preparado. Após o fracasso retumbante na temporada 2005/2006, quando foi eliminado na fase de grupos da UCL, o “projeto Cristiano Ronaldo” foi colocado em prática.



O jogo direto, a superioridade pelos lados e a bola aérea continuavam sendo importantes, mas o estilo não era mais o mesmo. O plano havia mudado. Agora, a filosofia era outra: defesa compactada e contra-ataque. Ferguson voltava a abraçar a máxima competitividade no calor do melhor jogador que treinou. Em seu 4-4-2, o United defendia sua área com o máximo de jogadores possíveis. Para o treinador, essas medidas tinham que ser prioritárias. Não à toa, atuações defensivas de jogadores como Rooney, por exemplo, são sempre recordadas. Como não esquecer do voluntarioso camisa 10 tão recuado como naquele confronto contra o Barcelona no Camp Nou na semifinal de 2007/2008? Em partidas grandes, o United tinha até nove jogadores em contenção na fase defensiva.

O passo seguinte ao recuperar a bola era verticalizá-la na velocidade da luz. Entre 2006 e 2009, nenhum time correu tanto quanto os Diabos Vermelhos. Para não subutilizar seu craque, Ferguson por muitas vezes escalou Ronaldo como um atacante central. É verdade que a posição de partida sempre foi a ponta direita ou a esquerda, mas o deslocamento permitiu ao atual jogador do Real Madrid crescer de maneira surpreendente seus registros. Em 2006/2007, anotou 23 gols. Na temporada seguinte, foram 42, a artilharia da Premier League e da Champions. Não foi o melhor do mundo em 2008 por coincidência.

O estrelato estava recuperado. Graças a CR7, o United voltou a ser tão midiático quanto no fim do século XX. Ganhar títulos foram ações frequentes. Três EPL e uma UCL. As batalhas contra José Mourinho e Arsene Wenger ganharam um vencedor. Demorou duas décadas, mas enfim Ferguson tinha em mãos um ser tão poderoso como Cristiano Ronaldo, seu melhor projeto. A bomba atômica. Em um lance, um resumo.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.

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