Jackson Martínez, uma grande opção

Arte: Doentes por Futebol

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Frequentemente vinculado a uma transferência do Porto para as maiores equipes das grandes ligas, sobretudo a espanhola e a inglesa, Jackson Martínez vive, aos 28 anos, o esplendor de sua forma, tanto física quanto técnica, e a mediana liga lusa não mais sacia as suas necessidades. Três vezes seguidas artilheiro do Campeonato Português, o goleador colombiano precisa se provar fora dos Dragões e, após três temporadas, parece ter chegado a hora da partida.

Na temporada recém-finda, Jackson balançou as redes em impressionantes 32 ocasiões, assistindo seus companheiros em outros sete turnos. Poucos fizeram tanto em outras equipes. No Campeonato Português, marcou um gol a cada 121 minutos, com média de 0,7 gol por partida. Além disso, respondeu por pouco menos de 1/3 dos gols do Porto na competição. Seu faro para o gol, combinado com outras características de indiscutível utilidade, como sua movimentação e capacidade de assistir seus colegas, impressiona.

Foto: FCPorto.pt

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Aqueles que duvidam de sua capacidade de privilegiar o coletivo e colocar um companheiro na cara do gol certamente não viram o brilhante passe do colombiano para o espanhol Cristian Tello marcar um importantíssimo gol, na goleada por 3×0 contra o rival Sporting CP, em partida válida pela 23ª rodada do Campeonato Português. Outra de suas atuações que chamou a atenção foi a vitória contra o Bayern de Munique, na UEFA Champions League – antes do vexame, evidentemente –, ocasião em que marcou e assistiu uma vez.

Poucos jogadores conseguiriam fazer um torcedor não sentir falta de um craque da estirpe de Falcao García, como Jackson conseguiu. Não, ele não tira gols da cartola como seu antecessor, mas, mesmo assim, é dotado de grande qualidade. Bom finalizador com ambos os pés e a cabeça, é completo e resolveria o problema da maior parte das grandes equipes que carecem de um “homem-gol”.

Foto: FCBayern.de

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A pergunta que fica é: será que um destaque do Campeonato Português seguiria em grande forma em outros centros? Analisemos, pois. No futebol inglês, que exige dos atletas grande capacidade física e muita consciência tática, por suas características, Jackson se encaixaria. Como tem facilidade para se movimentar e um porte físico respeitável, não deverá ter muita dificuldade para se adaptar. Se comparado com figuras como Mario Balotelli, Olivier Giroud ou Edin Dzeko, é fácil perceber sua vantagem no quesito movimentação. No futebol espanhol, que tem mais espaços para jogar, a certeza de seu sucesso é ainda maior.

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Uma questão que se deve considerar acerca do colombiano é que uma de suas boas características, por vezes, diminui seu desempenho nos números. Como tem facilidade para circular, participa muito do jogo, mas nem sempre se posiciona com perfeição na área adversária, deixando de aproveitar algumas ocasiões de gol. Nada que seja tão prejudicial.

Foto: FCPorto.pt

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Em seu favor, por outro lado, há outra qualidade: a liderança. Desde a grave lesão do goleiro Hélton, a grande referência moral da equipe, Jackson passou a desenvolver a capacidade de estimular e capitanear seus companheiros. Nada que altere o interesse de qualquer equipe em seu futebol, mas, sem sombra de dúvidas, um predicado que só agrega valor. Em 2014-2015, sob o comando de Julen Lopetegui, se afirmou como o capitão portista.

“O Jackson é um exemplo absoluto para os companheiros pelo que faz nos jogos, e pelo empenho que tem e que vai continuar a ter. De resto, temos que saber conviver com as manchetes, com estes temas que fazem parte dos meses de janeiro e fevereiro. Um jogador que não esteja 100 por cento focado não joga, nem aqui, nem em equipa nenhuma. Jackson é um exemplo absoluto para os seus companheiros e nada mais. Ele tem uma dedicação muito elevada. Nós temos de viver com as capas de jornais, onde mais de 90 por cento das vezes não passam de mentiras”, disse seu treinador ao ser arguido sobre a possibilidade de uma transferência de seu artilheiro, em fevereiro deste ano.

Foto: FCPorto.pt

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Voltando à comparação entre Jackson e Falcao e considerando a ótima temporada do primeiro e a péssima temporada do segundo, algo que seria absurdo de se pensar há pouco tempo já tem sido visto: tem-se noticiado, por exemplo, que o Valencia está interessado na contratação de um dos dois. Se antes seria descabido compará-los, hoje a possibilidade se apresenta muito menos absurda, como demonstra a extensa lista de clubes que têm sido vistos como possíveis destinos para o colombiano portista: na Inglaterra, Arsenal, Liverpool e Manchester United; e na Espanha, Valencia e Atlético de Madrid.

A realidade do Campeonato Português não permite ao Porto brigar com tais equipes e a venda de Jackson Martínez parece questão de tempo. Sua proficiência na frente das balizas adversárias e o fato de ainda não atuar nos maiores centros do futebol mundial evidenciam a grande opção que o colombiano representa no mercado europeu. Jackson deve partir logo, seguindo o caminho natural dos grandes jogadores que vestiram a camisa dos Dragões nos últimos tempos.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho), 25 anos. Admito minha preferência pelo futebol bretão, mas aprecio o esférico rolado qualquer terra. Desde a infância, tenho no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; o melhor jogador que vi jogar foi o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Estou também no O Futebólogo e na Revista Relvado.