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Juande Ramos, Sevilla, Dnipro e Europa League

CAPA

Sevilla e Dnipro farão na próxima quarta-feira a final da Europa League, na polonesa cidade de Varsóvia. O que isso nos revela? Basicamente, a tradição recente do time andaluz na competição e o aumento da força do futebol ucraniano, que em 2009 viu o Shakhtar Donetsk subir ao posto mais alto da mesma. Além disso, há um elo revelador capaz de unir Sevilla, Dnipro e Europa League: Juande Ramos.

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Foto: facebook.com/sevillafc

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Treinador de grande nome no cenário internacional, Juande Ramos deve a maior parte de sua fama ao Sevilla, clube que treinou entre 2005 e 2007, curiosamente – ou não – o interregno que deu ao Rojiblanco seus primeiros títulos internacionais: duas Europa League, à época ainda conhecidas como UEFA Cup. Anteriormente, o comandante não havia conquistado nenhum título, tendo como maiores êxitos dois acessos da segunda divisão espanhola, com Logroñés e Rayo Vallecano.

Foto: facebook.com/sevillafc

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Contratado após a sólida campanha do Sevilla na Liga Espanhola de 2004-2005, ocasião em que terminou na sexta colocação, dois pontos atrás da zona de UEFA Champions League, Juande comandou uma importante reformulação no time, que perdera dois de seus maiores destaques para o Real Madrid: Júlio Baptista e Sergio Ramos. Sob sua direção, o clube trouxe peças importantes, como Julien Escudé, Andrés Palop, Javier Saviola, Luís Fabiano e Frédéric Kanouté, e seguiu uma trajetória ascendente.

Com um time de enorme qualidade técnica, que concentrava seus ataques pelos flancos, com as presenças ímpares de Daniel Alves, Jesús Navas e Adriano, Ramos foi figura crucial no término de uma fila de quase 50 anos sem conquistas importantes, valorizando-se. Assim, levando duas UEFA Cup, uma Copa del Rey, uma Supercopa da Espanha e uma Supercopa da UEFA na bagagem, partiu para o Tottenham, pouco após o início da temporada 2007-2008 e, desde então, sua trajetória passou por anos de muitas e substanciais mudanças.

Foto: Tottenhamhotspur.com

Foto: Tottenhamhotspur.com

Após uma boa temporada nos Spurs, com o título da Football League Cup, viveu péssimo início de campeonato inglês em 2008-2009 e, em outubro de 2008, foi demitido. Seu próximo porto foi o Real Madrid, onde chegou em dezembro do mesmo ano e de onde saiu ao final da temporada, indo, por fim, para o CSKA Moscou, onde, igualmente, não chegou a permanecer uma temporada sequer, sendo contratado em setembro de 2009 e demitido no mês seguinte, após 47 dias.

Mal visto no mercado, viveu um ano sabático, até, finalmente, em outubro de 2010, chegar à Ucrânia, assumindo o Dnipro. Na gelada cidade de Dnipropetrovsk, reencontrou seu caminho, elevando o patamar de sua equipe, que passou a lutar com o Metalist Kharkiv pelo posto de terceira força do futebol ucraíno. Lá, onde comandou o brasileiro Giuliano, levou o clube a três quartos lugares consecutivos e um vice-campeonato da Liga Ucraniana, em quatro temporadas. Notável desempenho.

Foto: fcdnipro.ua

Foto: fcdnipro.ua

Todavia, ao final da temporada 2013-2014, em função das conturbações que assolam a antiga nação soviética, o treinador espanhol optou por deixar o Dnipro, voltando ao banco dos desempregados. A despeito disso, é impossível não perceber a influência e importância de seu trabalho na equipe atual. Com ele, além do clube ter mudado de patamar, jogadores evoluíram. Caso claro é o do prodígio Evgen Konoplyanka, grande estrela do time e desejo de muitos gigantes europeus.

Da equipe titular que eliminou o Napoli nas semifinais e levou o Dnipro à finalíssima, apenas o goleiro Denys Boko, o lateral Léo Matos e o meia Valeri Luchkevych não foram treinados pelo Espanhol.

Foto: fcdnipro.ua

Foto: fcdnipro.ua – Nos últimos anos, Dnipro e Metalist brigaram pelo posto de “terceira força” ucraniana

Curiosamente, as trajetórias de Juande pelo Sevilla e pelo Dnipro apresentam desempenho semelhante. No Sevilla, treinou a equipe em 116 jogos, dos quais computam-se 68 vitórias, 25 empates e 23 derrotas, com 58,6% de aproveitamento; no Dnipro foram 139 jogos, 80 vitórias, 30 empates e 29 derrotas e um percentual de 57,5% de aproveitamento. Membro da história de Sevilla e Dnipro, Juande é um grande personagem da final da Europa League 2014-2015, e, sem sombra de dúvidas, um dos responsáveis por ela, sendo o elo entre Sevilla, Dnipro e Europa League.

“Que ganhe quem merecer, por méritos próprios, durante o jogo”, disse Juande ao diário Sport, na última semana.

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Advogado graduado pela PUC Minas, pós-graduando em Direito Desportivo e Negócios do Esporte, 23 anos. Comecei minha jornada de escritos futebolísticos no "O Futebólogo", meu blog pessoal. Admito minha preferência pelo futebol bretão, mas aprecio o esférico rolado em terras germânicas e lusas. Desde a infância, tenho no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar grandes referências. A propósito, o melhor jogador que vi jogar foi o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004-2005.