Jorge Jesus põe em ebulição o futebol português

  • por Levy Guimarães
  • 2 Anos atrás
Foto: Sport Lisboa e Benfica / Oficial

Foto: SL Benfica / Oficial

Não se fala em mais nada nas mesas redondas, jornais desportivos e rodas de conversa entre torcedores em Portugal: Jorge Jesus virou a casaca e será o novo técnico do Sporting. Após algumas especulações, às quais poucos deram valor, a negociação ocorreu rapidamente na noite do dia 3 e já levanta diversos questionamentos e expectativas de todos os lados.

A contratação-surpresa do técnico bicampeão português seria a grande cartada do projeto do presidente Bruno de Carvalho, que almeja recolocar o Sporting no topo do futebol nacional. O plano passa, em boa parte, pelas finanças: após dois anos de reestruturação financeira, o Leão tem hoje contas mais equilibradas, registrando superávit nos últimos balanços, ao passo que Benfica e Porto vêm aumentando suas dívidas, o que deve forçá-los a diminuir o orçamento para a próxima temporada. Além disso, o clube precisa de um treinador ambicioso e acostumado a disputar e ganhar grandes troféus, e em Portugal, não há ninguém que se encaixe melhor neste perfil que Jesus. Outro fator que pode ter pesado é o de o novo técnico sportinguista sempre ter se declarado torcedor do clube. Por fim, não se pode esquecer das desavenças com o competente Marco Silva, que treinou a equipe na temporada que se encerra.

Foto: Sporting CP / Oficial - Após ser demitido, Marco Silva anda não tem rumo certo na próxima temporada

Foto: Sporting CP / Oficial – Após ser demitido, Marco Silva anda não tem rumo certo na próxima temporada

Ainda assim, há uma certa diferença entre o poder de compra do Sporting e o dos rivais, o que acaba gerando alguma dúvida sobre Jorge Jesus. Afinal, ele se habituou a fazer contratações caras para os padrões portugueses, como Salvio, por 13,5M de euros e Samaris, por 10M de euros. No novo clube, aquisições do tipo não serão tão fáceis, e Jesus vai ter que administrar um orçamento mais limitado.

Outro ponto que muitos sportinguistas contestam diz respeito à identidade do clube. O Sporting é tradicionalmente quem mais aposta nas categorias de base entre os três gigantes do futebol português. No time-base desta temporada, por exemplo, via-se pelo menos sete ou oito jogadores formados em Alcochete. Jorge Jesus, por sua vez, era duramente criticado pelo lado vermelho de Lisboa pelo pouco aproveitamento de bons valores formados no clube, como os recentes casos de Bernardo Silva, João Cancelo e até de André Gomes, que demorou a se firmar no elenco principal e, quando conseguiu, foi rapidamente negociado.

Nesse ponto, será necessário encontrar um meio-termo. Para fazer frente a Benfica e Porto, o Sporting vai ter que abrir o bolso, mas sem esquecer de apostar nas joias que revela. Até porque, tendo uma das melhores categorias de base da Europa, boas opções caseiras não irão faltar.

E o Benfica?

O atual bicampeão reagiu rapidamente e já escolheu o substituto de Jesus: será Rui Vitória, que há quatro anos comanda o Vitória de Guimarães. No clube vimarense, foi campeão da Taça de Portugal em 2012/2013 e acumulou boas campanhas no Campeonato Português, como o 5º lugar deste ano. A principal qualidade apontada por muitos em Rui Vitória é a capacidade de trabalhar com jogadores jovens e baratos, o que condiz com a política proposta pelo clube a curto prazo: aproveitar mais as revelações da equipe B, como Jonathan Rodríguez, Hélder Costa e Hany Mukhtar, e fazer boas contratações com menos dinheiro à disposição.

Ex-treinador dos juniores dos Encarnados, Rui Vitória pega um Benfica bem diferente do encontrado por Jesus, há seis anos. Hoje, trata-se de um time bem mais competitivo e vencedor, o que aumenta a pressão sobre o promissor técnico de 45 anos.

Foto: Vitória Sport Club / Oficial - Pelo Vitória de Guimarães, o treinador conquistou uma Taça de Portugal, em 2012/2013

Foto: Vitória Sport Club / Oficial – Rui Vitória é visto como o nome ideal pelo presidente Luís Felipe Vieira para o Benfica continuar no caminho dos títulos

A temporada 2014/2015 mal terminou e 2015/2016 já provoca rebuliço em terras portuguesas. Ainda é cedo para fazer projeções e o que não falta são dúvidas: como Jorge Jesus vai se adaptar à nova realidade? Como será o relacionamento dele com o também polêmico Bruno de Carvalho? Irá Rui Vitória suportar a pressão de treinar um gigante? E o Porto, até que ponto sai ganhando com tudo isso?

Que venha a próxima temporada.

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Estudante de Jornalismo e redator no Placar UOL Esporte, belo-horizontino, apaixonado por esportes e Doente por Futebol. Chega ao ponto de assistir a jogos dos campeonatos mais diversos e até de partidas bem antigas, de décadas atrás.