Missão nº1 do Galo: manter Rafael Carioca

CAPA

Por incrível que possa parecer, já se passou praticamente um ano desde que o Atlético Mineiro acertou a contratação do volante Rafael Carioca. Curiosamente, o jogador, formado no Grêmio e com passagem pelo Vasco, não era a primeira opção do então presidente Alexandre Kalil. O Galo buscou a vinda de Fernando, outra cria do tricolor gaúcho, que está no Shakhtar Donetsk. As negociações não avançaram e o clube trouxe Carioca, cujo empresário, Jorge Machado, é o mesmo de Fernando.

Há anos fora do radar tupiniquim, o volante chegou a Minas Gerais como uma incógnita e uma tentativa de mudança no meio-campo alvinegro. Até então protegido por jogadores de mais pegada e menos qualidade técnica, o time trouxe Rafael para tentar qualificar a saída de bola, sem, todavia, perder a combatividade e a marcação. Apesar do bom início, pouco atuou em 2014, uma vez que sofreu uma lesão muscular grave em uma partida contra o Botafogo, em setembro daquele ano.

Foto: Bruno Cantini/CAM

Foto: Bruno Cantini/CAM

“Tenho a qualidade de sair jogando. Vi que no Atlético tem jogadores assim. Vim para fazer um bom papel como foi no Spartak. Se eu jogar ou não, depende do treinador. Mas vou dar o meu máximo. Acredito que seja um pouco difícil (a readaptação ao futebol brasileiro), pois foram mais de cinco anos na Rússia, jogando com temperatura baixa. Agora, chego em uma cidade quente. Mas estou feliz e motivado. Isso a gente tira de letra”, revelou, em sua chegada, ao Superesportes.

A despeito disso, seus números chamavam a atenção, com 19 desarmes, 352 passes certos e apenas um cartão amarelo recebido em nove jogos disputados no Campeonato Brasileiro de 2014. Com sua ausência, Leandro Donizete passou a atuar muitas vezes como o único volante da equipe, diminuído seu espaço ao final da temporada, após retornar de lesão. Todavia, logo no início da temporada atual, reassumiu seu posto à frente da defesa do Galo.

Foto: Bruno Cantini/CAM

Foto: Bruno Cantini/CAM

Se no começo de 2015 compartiu a contenção com Leandro Donizete, após uma sequência de testes de Levir Culpi, Carioca assumiu a posição definitivamente, sendo atualmente o único volante titular do Atlético. Por mais que por vezes tenha um pouco de dificuldade para fazer sozinho toda a cobertura dos avanços dos laterais, o jogador de 26 anos recém-completados se tornou um dos maiores destaques do time, junto com Jemerson, Luan e Lucas Pratto.

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Os números não mentem: em 2015, Rafael Carioca entrou em campo 28 vezes, acertou 1319 passes, desarmou 88 vezes e tomou apenas quatro cartões amarelos, revelando características que levaram o torcedor a admirá-lo.

Foto: Footstats I Mapa de calor de Rafael Carioca no Brasileirão 2015

Foto: Footstats I Mapa de calor de Rafael Carioca no Brasileirão 2015

Com excelente domínio de bola, acurácia no passe e uma capacidade incomum de marcar com lealdade, conseguindo muitos desarmes e cometendo poucas faltas, o volante é peça-chave no elenco atleticano. Além disso, chutes como um petardo contra o Colo-Colo, na Copa Libertadores da América, e contra o Cruzeiro, no Campeonato Mineiro, elevaram ainda mais a estima do torcedor por seu camisa 5. Ademais, no momento, é o jogador do Atlético que mais desarmou no Brasileirão e o quinto de todo o torneio.

Por essas razões, com o time atual encaixado, buscando simplesmente a sintonia fina, os últimos ajustes, perder o jogador, cujo empréstimo finda-se no final do próximo mês, seria terrível. O Atlético deve concentrar todos os seus esforços na manutenção de seu esteio. Parece tarefa ingrata, haja vista a fama de negociadores duros dos russos do Spartak Moscou, clube com o qual Carioca tem vínculo até 2018.

O curioso é que o time do leste europeu não parece interessado em continuar com o atleta, mas não abre mão de negociá-lo em definitivo, o que seria o grande entrave para a conclusão de um negócio com o Galo, que tem estudado todas as formas possíveis de evitar a perda de um de seus maiores destaques. Aparentemente, segundo veiculou a imprensa mineira, o Spartak teria pedido €7 Milhões por 100% dos direitos de Rafael Carioca, valor absolutamente fora da realidade do clube.

Foto: Bruno Cantini/CAM

Foto: Bruno Cantini/CAM

“O Spartak não quer Rafael Carioca de volta ao time. Primeiramente, porque já tem Rômulo (ex-Vasco) e Shirokov para a posição. Além disso, o volante deixou má impressão na Rússia. Apesar de estar vivendo uma boa fase no Brasil, por aqui, avaliam que ele que não sabe jogar rápido e só é capaz de dar passes depois de cinco toques na bola. Mesmo outros atletas do Spartak diziam em entrevistas que Carioca brigava nos treinos, falava palavrões… O Hulk, por exemplo, teve problemas de adaptação no Zenit, mas alguns jogadores saíram do time e, atualmente, todos o ajudam em campo. No Spartak, Carioca não conseguiu superar essa situação. Acredito que será melhor para todo mundo se ele continuar no Brasil. Resta saber se o Atlético terá dinheiro para isso”, disse o repórter Grigory Telingater, vinculado ao grupo Eurosport, na Rússia, cuja fala foi reproduzida pelo jornal Hoje em Dia.

Recentemente, especulou-se a inclusão do jovem Carlos no negócio, algo que tem sido vivamente desmentido pela diretoria e amplamente veiculado pela imprensa. Coincidentemente, o garoto formado nas categorias de base do clube também é agenciado por Jorge Machado, empresário de Rafael. Nos próximos dias, certamente, haverá novidades em relação à negociação que os atleticanos esperam, sinceramente, findar-se com a permanência do jogador.

Foto: Bruno Cantini/CAM

Foto: Bruno Cantini/CAM

Se a chegada de Rafael foi vista com desconfiança pelo torcedor alvinegro, que nunca deixou de confiar em Pierre e Leandro Donizete, sua eventual saída é vista com suspeitas muito maiores do que aquelas reveladas em sua vinda. Como um bom mineirinho, Rafael cavou seu espaço e ganhou status de titular indiscutível. Perdê-lo seria extremamente prejudicial para a continuidade do bom trabalho de Levir Culpi. Por essas e por outras razões, sua negociação deve ser vista como a “missão nº1” do clube, aquela que buscará manter a integridade da estrutura do time.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho), 24 anos. Admito minha preferência pelo futebol bretão, mas aprecio o esférico rolado qualquer terra. Desde a infância, tenho no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; o melhor jogador que vi jogar foi o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Estou também no O Futebólogo, no Chelsea Brasil e na Corner.