As ideias de Sampaoli, uma lição para o Brasil

Enquanto respondia e-mails e mensagens de felicitação, Jorge Sampaoli recebeu o Diário Marca para uma entrevista exclusiva após vencer a Copa América 2015. A primeira após o inédito e festejado título.

Sampaoli é um técnico influenciado pelas grandes ideias de Marcelo Bielsa, porém as utilizou de uma forma mais particular e moderna. As melhorou:

“Resgatei dele a ideia de jogar, contra qualquer rival e onde seja. De igual para igual. Porém, ele busca um ataque mais direto, já eu busco a posse”, disse Sampaoli sobre Bielsa.

“Eu gosto de um ataque posicional, com o jogo sempre começando pelo goleiro. Seja com a pressão, do adversário, alta, média ou baixa. No fundo é bem parecido com ele, mas hoje tem mais minha marca. Na La U, era mais semelhante a ele”, completou falando sobre o aperfeiçoamento da saída de bola.

saída bravo
A “escola Bielsa”, além da pressão na saída, a intensidade e entrega total, traz uma situação bem peculiar: a superioridade numérica, muito usada por Guardiola e também bem vista por Osorio no São Paulo. Assim, se o adversário tem dois atacantes, você tem três zagueiros. Se ele tem apenas um e homens abertos (4-2-3-1 ou 4-1-4-1), linha de quatro atrás com dois zagueiros. Superioridade no setor que o jogo se inicia e se define: a defesa.

3x2 Sampa
Contra a Argentina, Sampaoli tinha apenas um atacante do outro lado (Agüero), mas recuou Díaz para jogar ao lado de Medel e Silva. A mudança tem um motivo: Lionel Messi. Com três zagueiros, ele poderia soltar Medel, o mais marcador deles, para vigiar o craque argentino com mais cuidado, sempre tendo a dobra com Beausejour.

O meio teve confrontos definidos: Pastore x Aranguiz, Vidal x Biglia e Valdívia x Mascherano. A maior intensidade na proposta fazia com que o Chile mandasse no jogo, tendo a impressão de superioridade, ao invés de encaixe de marcação.

dobra messi
Campeão da Copa América, o Chile de Sampaoli teve mais posse em todos os jogos (média de 62%), finalizou mais que seu adversário em todos os jogos (87 vezes no total) e trocou mais passes que seus adversários em todos os jogos (2.817 no total) – 1.177 a mais que o Brasil, com uma diferença de apenas dois jogos.

Melhor ataque da competição com 13 gols, o Chile não teve, em nenhum momento, o centroavante que dizem ser a peça que falta na seleção. Sanchez e Vargas partem dos lados, como pontas na dinâmica e no posicionamento, e chegam para atacar às costas de zagueiros e laterais com intensidade máxima.

projeção atacantes
Mais um ponto para Sampaoli vem na concepção do meio-campo. Marcelo Díaz, Valdívia, Aranguiz e Vidal saíram jogando em todos os seis jogos do Chile. Fossem formando um losango, ou duas duplas com três zagueiros, fizeram questão de tratar a bola com o maior respeito, com passes verticais precisos, viradas de jogo, tabelas e lances muito bonitos. No time, marcação é responsabilidade de todos, sem aquele brucutu, o xerife, à frente da zaga, que desmarca e toca de lado. Todos roubam e todos jogam.

Nos seis jogos da Copa América, o Chile de Sampaoli foi melhor que seu adversário, com proposta, intensidade e pressão total em sua cartilha. A vitória do tático Sampaoli pode ser mais um puxão de orelha no futebol brasileiro.

Que possamos tirar o melhor como lição deste verdadeiro mestre do futebol!

losango

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Estudante de jornalismo. Redator e editor no Taticamente Falando. Colunista no Doentes por Futebol. Contato: [email protected]

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