Bruno Formiga, do Esporte Interativo, sobre a UCL: “Queremos unir informação e análise com emoção”

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O Doentes por Futebol falou com Bruno Formiga, jornalista cearense, comentarista do Esporte Interativo e colaborador da revista Placar

Escrever bem, falar bem. Elegância com as palavras. Qual a relação dessa sua característica com o surgimento do jornalismo na sua vida?

Acredito que uma coisa trouxe a outra. E depois tudo foi se aperfeiçoando – a escrita, a leitura e o jornalismo. Meu pai sempre escreveu bem. E meu irmão é publicitário e professor de Literatura. Portanto, sempre tive acesso ao bom Português, digamos assim. O caminho foi natural. Pela paixão pelo futebol e pelas palavras, não imaginava outro destino.

Todos sabemos o papel do Esporte Interativo no salto que o futebol nordestino deu nos últimos anos. Antes o “produto” era muito preterido, sem grande notoriedade. Mas, afinal, os índices de audiência eram baixos porque havia pouca oferta e pouca visibilidade ou havia pouca oferta e visibilidade porque os índices eram baixos?

Difícil medir. A oferta basicamente inexistia. Mas a resposta de audiência sempre foi positiva. As primeiras experiências, por exemplo, das afiliadas da Globo em passarem o Cearense, o Baiano e o Pernambucano mostraram que os jogos locais tinham mais retorno que os dos clubes de fora. E a Copa do Nordeste, desde o final dos anos 90, já apontava para isso. O Esporte Interativo só aproveitou para ampliar essa oferta e tratar esse público como um consumidor de enorme potencial e que merecia atenção como os demais.

Como você se define enquanto jornalista?

Um cético. Sempre. Duvidar é preciso. Criticar também. Esse é o papel da imprensa. Olhar com critério.

Certamente, muitos telespectadores devem ter se surpreendido ao ver seus comentários profundos sobre MMA. Quando começou a acompanhar o esporte? Por quê?

Comecei em 1996, alugando fitas em VHS com meus primos. De lá para cá sempre acompanhei. E busquei informações a respeito. Depois entrei no jiu-jitsu e o interesse só cresceu.

Qual a missão do Esporte Interativo em relação a Liga dos Campeões, agora como única emissora a transmiti-la na TV fechada e podendo mostrar todos os jogos?

A missão é transformar um produto já consagrado em algo ainda mais apaixonante. É aproximar a maior competição de clubes do mundo do telespectador. Seja qual for o seu nível de conhecimento sobre futebol europeu. Queremos unir informação e análise com emoção. Aquele arrepio do hino da Champions deve seguir durante 90 minutos.

Sobre os 7×1: como você enxergou? Qual o legado?

O primeiro sentimento que tive após o jogo foi “bem feito”. O jeitinho e o improviso perderam para o investimento e para a organização. Acho que tomamos uma boa lição. Mas não sei se aprendemos com ela. O legado imediato, um ano depois, é ter a certeza que o brasileiro tirou o seu da reta. Tira sarro com a seleção de forma distante, ridicularizando um time como se não fosse o seu. É quase como se a equipe tivesse se tornado irrelevante.

Tendência pela individualidade, calendário caótico, gestões ruins; formação de jogadores etc. Como elencar todos esses fatores, pensando em uma verdadeira mudança no futebol brasileiro?

Todos esses fatores influem. Porém, há um, que para mim é o mais importante e que ficou, por arrogância nossa, em décimo plano: os adversários evoluíram. E muito.

Como é a expectativa de, quem sabe, fazer parte das coberturas in loco do Esporte Interativo na Liga dos Campeões?

Muito além do que eu podia imaginar. Sonhar você sempre sonha. Mas quando o sonho fica perto, por vezes, assusta. É a realização. Mistura de trabalho, competência e muita sorte.

É correto afirmar que o futebol europeu é o contrário do jogado no Brasil? Qual ou quais analogias você faria?

Não acho que seja contrário. É um futebol melhor. Lá existe mais planejamento, mais organização, mais dinheiro, mais interesse, mais público. E eles olham para o futebol como um jogo, não só como esporte. Aqui sempre achamos que o talento sozinho resolve. E não é bem assim.

Quais sonhos profissionais você ainda não realizou?

Sou bem satisfeito com a minha rotina. Curto muito o meu trabalho. É uma diversão. Mas gostaria, claro, de cobrir uma Copa do Mundo fora do meu País, entrevistar o Maradona e escrever a biografia de um jogador (que não posso citar o nome ainda).

Aspirante a jornalista esportivo e fã de futebol internacional, principalmente Premier League. Adepto da seguinte tese: todo jornalista precisa ser um bom contador de histórias. Sonhador, mas pouco otimista. Olhar crítico e com critério. Abomino paradigmas e modinhas.

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