Por que Guardiola foi atrás de Douglas Costa?

  • por Victor Mendes Xavier
  • 2 Anos atrás

As primeiras especulações de Douglas Costa no Bayern de Munich deram o que falar. Quando o clube da Baviera anunciou a contratação do brasileiro por 30 milhões de euros, então, a desconfiança e o desdenho falaram alto. Inegavelmente, há nomes de qualidade superior para o Bayern contratar (Di María, por exemplo, foi um jogador especulado pela imprensa), mas tirar o ex-camisa do Shaktar Donetsk da Ucrânia tem coerência. Explicamos o porquê.

Relembremos a semifinal da Uefa Champions League. No jogo de ida, o Pep Team foi ao Camp Nou enfrentar o Barcelona. Desfalcados, os Bávaros sofreram com os avanços incisivos dos catalães; porém, em especial na etapa final, demostraram sempre estar com o adversário controlado. Não que tenha sido uma partida exemplar, mas, em certos, períodos houve demonstração de ordem. Até os 33 minutos do segundo tempo, o 0x0 era perfeito para a equipe de Guardiola. Aí Messi entrou em ação e o resto foi história. A efeito de comparação, o Barça, ao final da partida, completou 30 dribles (11 só do alien argentino) contra somente três do Bayern. É difícil vencer assim.

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Quando Robben e Ribery deram adeus à temporada praticamente ao mesmo tempo, Guardiola perdeu os homens no elenco capazes de furar uma defesa a partir do drible em velocidade (até porque, a essa altura, Shaqiri estava emprestado à Inter). A intenção do catalão, desde o planejamento para o novo ano, foi buscar um “novo Robben” para o elenco – deixar de depender brutalmente do holandês é o maior drama que vive o projeto de Pep no futebol alemão. Além disso, a queda de Ribery teve um impacto negativo grande no sistema. Soma-se a isso o fato de Lahm não poder mais surpreender chegando de trás, já que vem atuando muito mais como volante e/ou meia do que de lateral. O Bayern que competiu no Camp Nou e foi castigado por Messi somente especulou nos 90 minutos. Douglas Costas chega a Allianz Arena para preencher essa lacuna.

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Os primeiros amistosos da equipe na pré-temporada mostram como o brasileiro será fundamental ao longo da campanha. Ainda é cedo para afirmar (ainda mais analisando o tema Guardiola e suas táticas), mas o catalão já parece estar criando um sistema onde o brasileiro possa ter liberdade para encarar individualmente o lateral rival no um contra um. Por enquanto, ele tem partido bem aberto pelos lados, como um típico ponta guardiolista, entrando muito na diagonal (quando à direita) e indo à linha de fundo (quando à esquerda). No Barcelona de 2014/2015, Luis Enrique só foi começar a trilhar o caminho das taças quando construiu um modelo de jogo em que os dribles de Neymar, pela esquerda, e Messi, pela direita, fossem privilegiados. Não à toa, destroçou o forte sistema defensivo do Atlético de Madrid em todos os confrontos da temporada.




Na Copa América, o Brasil, que viveu um marasmo com a suspensão de Neymar, por vezes viu em Douglas Costa uma peça de iniciativa para tentar algo diferente sem o camisa 10. DC pode ter errado, mas também acertou. “Espero que ele possa se adaptar rapidamente ao time. Vamos ajudá-lo com certeza. Sou grato ao clube pela contratação. Ele tem muita qualidade e precisamos de um atleta para jogadas individuais. Ele é um jovem jogador e brigador”, disse Guardiola sobre sua nova fonte de jogadas.

Não há garantia de sucesso do gaúcho na Alemanha. Mas vê-lo com o treinador que mais busca a perfeição no mundo, cumprindo uma função de fundamental importância, ao menos será divertido.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa Esporte@Globo da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.