A ascensão da Seleção do Equador

Antes do início das Eliminatórias para a Copa do Mundo da Rússia de 2018, nem o torcedor mais otimista apostaria que o Equador estaria na liderança isolada após 4 rodadas. A equipe, que é treinada por Gustavo Quinteros, surpreende até aqui, conquistando boas vitórias e apresentando um futebol de marcação, mas muito organizado. Agora, com 4 vitórias em 4 jogos, um sonho distante pode se tornar realidade: o time pode garantir uma vaga direta para a Copa em um dos torneios mais equilibrados de todos os tempos.

‘La Tri’ passou fácil pela Venezuela (foto arquivo)

Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e Uruguai: cinco seleções fortíssimas que, certamente, eram as favoritas para as cinco primeiras posições antes da bola começar a rolar nas Eliminatórias (os quatro primeiros garantem vaga direta para a Copa de 2018 e o quinto, para se classificar, precisa vencer o confronto com o campeão da Oceania). Entretanto, pelo menos uma das favoritas tem chance de ficar de fora graças à excelente fase do Equador, que deu um grande passo ao garantir muitos pontos no começo. A distância para o sexto colocado é cada vez maior – agora, é de 8 pontos com um jogo a mais – e a chance de estar na ponta até o fim do torneio só aumenta a cada rodada.

Para assegurar a quarta participação na competição mais importante do futebol mundial, o Equador sabe qual é o melhor caminho: vencer os jogos em casa, principalmente contra equipes de pouca expressão, como Venezuela, Bolívia e Peru, e arrancar alguns pontos preciosos fora de seus domínios. E parece que este plano está sendo executado com perfeição. Até aqui, o Equador venceu os considerados jogos fáceis, como contra a Bolívia e a Venezuela, e garantiu 3 pontos em partidas difíceis, como contra o Uruguai em casa e a Argentina fora (resultado mais inesperado e também mais valioso).

Erazo comemora seu gol contra a Argentina (foto arquivo)

Erazo comemora seu gol contra a Argentina (foto arquivo)

A irretocável campanha equatoriana não é por acaso. A geração atual é considerada uma das melhores da história e possui nomes que disputam grandes ligas na Europa. Um dos principais destaques é o ponta Jefferson Montero, do Swansea (País de Gales). O velocista de 26 anos é muito habilidoso e inferniza as defesas adversárias com dribles desconcertantes e cruzamentos certeiros. Isso foi evidente na vitória contra a Venezuela, em que Montero fez um gol e deu uma assistência para o tento de Felipe Caicedo, que é o artilheiro do torneio. Caicedo já marcou 4 gols e também está mostrando seu valor com maestria. O centroavante de 27 anos, que joga no Espanyol, da Espanha, é um ótimo cabeceador e tem bom posicionamento no ataque.

O atual artilheiro das Eliminatórias: Felipe Caicedo (foto arquivo)

O bom aproveitamento defensivo da equipe equatoriana também chama atenção. O time, que tem como um dos pilares o zagueiro do Grêmio Frickson Erazo, só levou dois gols em quatro jogos. Marca impressionante, que confirma o bom trabalho tático feito pelo técnico Quinteros e ressalta a boa fase de Erazo, tanto no Brasil quanto na seleção nacional.

Verificando os desfalques dessa seleção, é possível perceber que bons nomes ainda estão de fora. Antonio Valencia, do Manchester United, da Inglaterra, que lesionou o pé esquerdo, é um exemplo disso. Afinal, esse jogador polivalente é considerado um dos melhores do país. Além dele, o seu xará, que é uma grande promessa, Enner Valencia, passou por problemas físicos há pouco tempo e é outro que faz falta no time equatoriano. Esse velocista foi o principal jogador do seu país na última Copa, marcando 4 gols em 3 jogos, o que o levou para o futebol europeu, mais precisamente para o West Ham, da Inglaterra.

Daqui pra frente, será interessante acompanhar a evolução desse time, ainda mais quando estiver completo. Sem dúvidas, o potencial do Equador é agora inquestionável, resta saber se será consistente. Que esse país continue a trazer mais equilíbrio para o cenário do futebol sul-americano. E que a geografia do seu território sirva de lição: se a Seleção Equatoriana quiser passar de surpresa a favorita, terá que ultrapassar barreiras e ir além da Linha do Equador.

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Sou apaixonado pelo futebol romântico, que pulsa na arquibancada e preserva a história de várias gerações, mas não desprezo as estatísticas e a análise tática do jogo. Estudante, mineiro de BH, 18 anos e autor do blog Futelinha.

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