Precisamos refletir sobre David Luiz

David Luiz não conseguiu controlar a bola, fez a falta e foi expulso. Foto: Rafael Ribeiro / CBF

Duas faltas cometidas, um amarelo e um vermelho. Seria o saldo final de David Luiz contra a Argentina, no Monumental de Nuñez, se tudo fosse apenas números. Por mais que Dunga receba boas doses de críticas – deste autor, inclusive – pelo coletivo, pela ausência de variação de jogo, é possível refletir sobre rendimentos individuais, e o do zagueiro brasileiro, titular da seleção e do PSG, merece atenção especial.

No jogo de ontem, aos 42 minutos do segundo tempo, David Luiz confiou demais na saída de bola, no campo defensivo, protegeu-a até perdê-la e, quando Dybala aproximou-se, usou a mão para obstruir o argentino. Recebeu o amarelo. Já não bastasse ficar pendurado no fim do jogo, no momento em que a Argentina pressionava mais, tentou uma arrancada ao ataque. A tão criticada descida desenfreada à armação durante a Copa de 2014, contra a Alemanha, no 7×1. Um minuto depois do lance com Dybala, acelerou o contra-ataque, mas adiantou tanto a bola que não só a perdeu, como foi expulso, por ter entrado de sola em Biglia.

⚽ Leia também: O “inexplicável” hype de David Luiz

O amante de futebol que acompanhou David Luiz no Benfica, no Chelsea e que agora o vê no PSG sabe da capacidade do zagueiro/volante de articular boas jogadas de contra-ataque. Teve sucesso em Portugal, passou a ser questionado na Inglaterra e, na França, reprisa o mesmo rendimento da Seleção. Talvez o pior de sua carreira. Como saber o porquê da irregularidade? Tento explicar.

O problema de David Luiz é não inovar. Ou quando tenta inovar demais. O fato de ter se tornado um jogador irresponsável taticamente, ao mesmo tempo em que fez dele uma bomba relógio, o faz previsível e presa fácil para a marcação sob pressão do adversário. Depois do sucesso no Benfica e com a projeção mundial que conquistou, conviveu com a irregularidade no 4-1-4-1 e no 4-2-3-1 de Mourinho e chegou a amargar o banco em alguns jogos. No PSG e na Seleção, na Liga dos Campeões e na Copa do Mundo de 2014, nada pode justificar melhor a obviedade e a invenção de David Luz na escolha das jogadas do que as partidas contra o Barcelona, em abril de 2015, com show de Suárez, e o histórico 7×1, contra a Alemanha, esmiuçado aqui.

É necessário entender, claro, o porquê de a Seleção Brasileira, como time, ser carente não de geração, mas de gestão. Dentro e fora do campo, do técnico aos cartolas. Elias ainda não convenceu, Luiz Gustavo segue engessando a transição e, pelos lados, Filipe Luis e Daniel Alves são um misto de indecisão e improvisação. Isso, no entanto, não pode ser usado como muleta para justificar as repetidas falhas de David Luiz nos últimos anos. Mais importante do que o compromisso tático que o coletivo precisa prezar é o dever individual que cada jogador deve possuir dentro de campo. Por mais que o time, como time, não funcione da melhor forma.

Algumas ações tiveram reações neste último ano. Depois da Copa de 2014, Thiago Silva, de capitão e líder, virou reserva. Destaque no Zenit desde que chegou, Hulk perdeu parte do prestígio na Seleção. Dante sequer foi lembrado por Dunga depois do quarto lugar contra a Holanda. E só um milagre colocará Fred, do Fluminense, novamente na Canarinho. Mesmo sendo um dos principais vilões da eliminação brasileira na última Copa, David Luiz, ao contrário, ganhou mais votos de confiança e a titularidade. Não que deva ser linchado, apedrejado. Longe disso. Mas a lógica de Dunga, ao manter o zagueiro do PSG na titularidade da Seleção, mesmo ele sendo criticado jogo após jogo e tendo falhado com frequência, soa incoerente em tempos de reformulação.

Para você, está clara a decisão de Dunga ao manter David Luiz no onze inicial? É justo, injusto? Opine nos comentários.

Comentários

Estudante de Jornalismo, apaixonado por futebol. Seja a final da Copa do Mundo, as semifinais de uma Copa Rural, um jogo da Liga dos Campeões ou eliminatória da 4° divisão de algum campeonato amador do interior.