Apesar de caro, negócio de Sterling mostra-se um acerto

Foto: MCFC.co.uk

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Já na parte final da última temporada, o inglês Raheem Sterling sinalizava que não permaneceria no Liverpool para a campanha de 2015-2016. Diante disso, os Reds acertaram sua venda ao Manchester City, que pagou muito caro para contar com o futebol do promissor atleta (€ 62,5 milhões). Cercado por grandes expectativas, Sterling vem jogando bem, e apesar de ainda perder muitos gols, vem criando boas jogadas e se entrosando rapidamente com seus companheiros.

O jogador agrega características que o City precisava

Na temporada passada, o Manchester City mostrou-se uma equipe extremamente consistente, mas em alguns momentos sentiu a falta um jogador capaz de prover o diferente, o inesperado, uma figura capaz de desconstruir defesas com dribles. Essa não é a característica dos maiores destaques do time.

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Yaya Touré tem grande dinâmica, força física e capacidade de distribuição de bola – além de ser um atleta com impressionante qualidade para se aproximar do ataque e servir como elemento surpresa. Diversamente, Sérgio Agüero tem seu grande diferencial na jogada fatal do futebol, na finalização, e embora seja letal na frente das balizas adversárias, não é inventivo; e David Silva, outro jogador excepcional dos Citizens, tem no passe sua melhor habilidade.

Cada um dos três jogadores supracitados tem suas próprias qualidades, mas não possui como grande forte a capacidade de desequilibrar partidas com a imprevisibilidade dos dribles aliada à grande velocidade, que é uma das mais eficazes formas de destruir sistemas de marcação fechados e abrir espaços – algo fundamental na Premier League, sobretudo nas partidas contra equipes da parte final da tabela.

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Com isso em mente, compreende-se a busca do City por Sterling, jogador ainda muito jovem e que possui as características que faltavam ao clube. Há algumas temporadas, Jesús Navas chegou com este perfil, mas embora tenha se firmado como um jogador de muita velocidade e ótimo assistente não conseguiu dar o impacto imaginado.

Como Sterling vem jogando?

Diferentemente dos tempos de Liverpool, em que atuou na maior parte das vezes pelo lado direito e em outros turnos como segundo atacante, no City, Sterling vem jogando como winger pelo lado esquerdo, uma vez que a faixa central é de Silva e, em muitas ocasiões, a direita é de Navas.

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Assim, o jogador tem atuado bem e ajudado no crescimento de David Silva que passou a ter mais um companheiro de qualidade com quem pode dialogar e a quem servir. As peculiaridades de um casam com a do outro e essa é uma razão pela qual o jogador vai adaptando-se muito rapidamente ao time.

Além disso, com a chegada do garoto, Manuel Pellegrini praticamente aboliu a possibilidade de usar a tradicional tática do 4-4-2, até mesmo em razão da saída de James Milner, que se adaptava muito bem ao referido esquema. Agora o City atua sempre com um 4-2-3-1 e antes, por mais que fosse possível atuar com uma linha de três meias ofensivos, muitas vezes com Samir Nasri pela esquerda, a configuração não mostrava-se balanceada, visto que um dos lados não era preenchido por jogadores velozes, o que tornava o time menos eficiente.

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Ainda que peque muitas vezes pelo excesso de individualismo, Sterling é o ponta que faltava para os Citizens poderem mudar de esquema tático, jogar com mais imprevisibilidade e até mesmo espelhar seus grandes adversários, que em regra atuam com jogadores incisivos e velozes pelas pontas.

O Arsenal tem Theo Walcott, Alexis Sánchez, Alex Oxlade-Chamberlain e Joel Campbell; o Manchester United conta com Juan Mata e Memphis Depay; o Chelsea com Willian, Eden Hazard e Pedro Rodríguez; e até mesmo o Leicester City tem se destacado com um jogo veloz pelas pontas com Riyad Mahrez e Marc Albrighton puxando mortais contragolpes. Até então, o City só tinha Navas, e até por isso a chegada de Sterling foi importante.

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Até o momento, o jogador disputou 23 jogos, marcou 8 gols e proveu 6 assistências com a camisa do time de Manchester, destacando-se sobretudo na UEFA Champions League, com três tentos em seis partidas e sendo eleito para o time ideal da Fase de Grupos da edição atual.

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Foto: UEFA.com

Com o tempo, o custo benefício de Sterling deve melhorar

Apesar dos indiscutíveis benefícios da contratação, o custo envolvido foi muito alto e sempre vai se falar sobre o seu benefício. De fato, considerando que o jogador ainda não é uma realidade, e até mesmo contratações recentes feitas por outras equipes, é difícil considerar que o negócio trouxe, até o momento, um alto custo benefício.

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Como exemplos de jogadores de ótima qualidade, jovens, e que custaram menos aos cofres de grandes clubes europeus, pode-se falar nos nomes do citado Alexis Sánchez, que custou €42,5 milhões, Eden Hazard €40 MI, Julian Draxler, €36 MI, Mario Götze, €37 MI, Lucas Moura, €40 MI, e Antoine Griezmann, €30 MI.

Apesar disso, em razão das políticas do futebol inglês, que determina uma “cota mínima” de jogadores nacionais, o preço dos atletas ingleses sempre é inflacionado, o que explica em grande parte os inúmeros negócios caríssimos feitos por clubes britânicos, como por exemplo o de Luke Shaw, vendido pelo Southampton ao Manchester United por €37,5 MI. Ademais, a juventude do jogador e o fato de já estar adaptado à Premier League são outros fatores justificadores do preço.

Foto: ManUtd.comFoto: ManUtd.com

Sua pouca idade também nos permite pensar que o jogador muito evoluirá, tornando-se peça utilíssima com o passar dos anos. Gradualmente isso suavizará os impactos financeiros de sua contratação (não que o clube precise). No campo, Sterling vem solucionando um problema das últimas temporadas do Manchester City, deixando o elenco mais completo.

No bolso, o jogador começou a dar os rendimentos esperados e tem uma tendência a alcançar um bom custo benefício com o passar dos anos.

https://www.youtube.com/watch?v=1BNgqOVYWh8

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Advogado graduado pela PUC Minas, pós-graduando em Direito Desportivo e Negócios do Esporte, 24 anos. Admito minha preferência pelo futebol bretão, mas aprecio o esférico rolado qualquer terra. Desde a infância, tenho no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; o melhor jogador que vi jogar foi o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Estou também no "O Futebólogo", meu blog, e no "Bundesliga Brasil".