Guia prático do Mundial de Clubes 2015

  • por Yuri Casari
  • 2 Anos atrás

Há 10 anos, o Mundial de Clubes passava a ser definitivamente disputado sob a chancela da FIFA. Dessa vez com representantes de todos os continentes. Mais democrático, porém sem o mesmo glamour do duelo intercontinental de outrora, o torneio foi dominado pelos turbinados clubes europeus e viu as surpresas africanas Mazembe e Raja Casablanca relembrarem o tempo em que as seleções africanas costumavam aprontar em torneios internacionais.

Contando o torneio de estreia em 2000, essa será a 12ª edição da Copa do Mundo de Clubes da FIFA, que, após dois anos sendo disputada em Marrocos, retorna ao Japão, considerado por muitos um templo de veneração dos melhores clubes do planeta. Para acompanhar a disputa que se inicia no dia 10 de dezembro, preparamos um guia rápido com as informações essenciais de cada um dos sete clubes participantes.

Sanfrecce Hiroshima

O clube atual foi formado em 1992, a partir do Mazda Soccer Club. Até 2012, a melhor campanha na J-League havia sido o vice-campeonato em 1994. Apenas três anos após seu primeiro título na elite, o Sanfrecce se consagrou tricampeão no último sábado (05/12) após empatar com o Gamba Osaka. Curiosamente, assim como na conquista da primeira taça, o título garantiu vaga no Mundial de Clubes, como representante do país-sede. E tudo isso graças a um brasileiro. O atacante Douglas, revelado pelo Moto Club, do Maranhão e com curta passagem pelo Figueirense, foi o grande destaque do time no campeonato, sendo o artilheiro com 15 gols, sendo apenas 1 de pênalti. Além disso, em 7 jogos foi o autor do primeiro gol da equipe.

O Sanfrecce vem de uma ótima sequência de resultados. Não perde desde o dia 3 de outubro e é comandado pelo treinador Hajime Moriyasu, de apenas 47 anos. Ídolo do clube como jogador, foi também o responsável pela mudança de patamar, estando à frente do time no três títulos nacionais. Além de passar pelo play-off diante do Auckland City, feito realizado em 2012, a expectativa é dar um passo a mais e alcançar as semifinais do torneio contra o River Plate.

Foto: Sanfreece Hiroshima/Divulgação

Foto: Sanfreece Hiroshima/Divulgação

Auckland City

O Auckland City é um clube de apenas 11 anos de idade. No futebol da Oceania, foi o suficiente para se tornar em uma potência, conquistando 6 campeonatos nacionais na Nova Zelândia e 7 títulos continentais. É a equipe mais experiente do Mundial indo para a sétima participação no torneio. Como esperado, é o atual líder do campeonato local, com 10 pontos nas primeiras quatro partidas. Em 2015, foram 24 partidas e apenas duas derrotas, ambas em janeiro.

Foto: Auckland City/Divulgação

Foto: Auckland City/Divulgação

No ano passado, o Auckland conquistou um histórico pódio no Mundial, após ser eliminado nas semifinais pelo argentino San Lorenzo e ter derrotado o Cruz Azul na disputa pelo terceiro lugar em uma emocionante disputa de pênaltis. Entretanto, passar do primeiro play-off ainda é o objetivo principal. Inclusive, a expectativa para esse ano era conseguir eliminar essa fase do campeonato, questão levantada pela Confederação de Futebol da Oceania (OFC), mas a FIFA ainda não deu o braço a torcer. +Além disso, repetir o feito de 2014 terá um agravante. O treinador espanhol Ramon Tribulietx, que comanda a equipe desde 2010, não irá poder contar com Ivan Vicelich, experiente meia de 39 anos, que está lesionado. Vicelich, jogador com mais aparições pela seleção da Nova Zelândia, foi o terceiro melhor jogador do Mundial de Clubes do ano passado.

América-MEX

A tradicional equipe do América fará em 2015 sua segunda participação na história do torneio mundial. Em 2006, caiu nas semifinais diante do Barcelona de Ronaldinho, mesma equipe que pode ser adversária na mesma fase, dessa vez, sob a batuta do trio MSN. Mas antes de pensar na equipe espanhola, o América precisa se preocupar com o Guangzhou Evergrande, da China. Até porque a fase do América não é das melhores. Além da irregularidade na Liga MX, onde passou para a fase final na sexta posição, o clube foi eliminado nas semifinais para o Pumas, com direito a uma derrota em casa por 3×0. O América ainda fez 3 a 1 no jogo de volta, mas não foi o suficiente.

O treinador da equipe é o mexicano Ignacio Ambriz, ídolo do Necaxa na época de jogador, mas que ainda não conseguiu decolar como técnico. Ambriz assumiu o América após a saída do uruguaio Gustavo Matosas, campeão da Liga dos Campeões da CONCACAF. Dentro das quatro linhas, quem chama a atenção é o veterano Oribe Peralta. Decisivo no torneio continental, já marcou 7 gols em 18 partidas na temporada. Aliás, experiência é algo que não vai faltar para o América. O time considerado titular tem média de 29 anos de idade.

Foto: América/Divulgação

Foto: América/Divulgação

Mazembe

O Todo-Poderoso Mazembe é um clube que ainda hoje causa arrepios nos torcedores do Internacional. E se tudo correr como planejado, o mesmo pode acontecer com a torcida do River Plate. O time da República Democrática do Congo, primeiro finalista do Mundial fora da Europa e da América do Sul, faturou no mês de novembro o quinto título da Liga dos Campeões da África em sua história e mantém a liderança do campeonato nacional após nove rodadas, rumo ao pentacampeonato consecutivo, 15º no total.

E quem estará em campo nesta que será a terceira participação no Mundial é o veteraníssimo goleiro Robert Kidiaba, que ficou famoso por suas defesas, mas principalmente pela “quicadinha” com que comemora os gols e vitórias do Mazembe e da seleção nacional. E quem pensa que o goleiro está em má fase, engana-se, já que ele foi um dos grandes nomes de RD Congo na Copa Africana de Nações, no início do ano. O treinador é o francês Patrice Carteron, no cargo desde 2013, após ter se destacado como técnico da seleção de Mali, 3ª colocada na CAN daquele ano. O Mazembe não sabe o que é uma derrota desde setembro, no jogo de ida da Liga dos Campeões contra o sudanês Al Merreikh.

Foto: Mazembe/Divulgação

Foto: Mazembe/Divulgação

Guangzhou Evergrande

Pela segunda vez na história, a equipe chinesa ganhou o direito de disputar o Mundial de Clubes. E, assim como há dois anos, o Guangzhou conta com um técnico campeão do mundo e com jogadores brasileiros dentro de campo. Dessa vez é Luis Felipe Scolari que tem a missão de alcançar a semifinal do torneio. Após o fatídico 7 a 1, Felipão se encontrou no Guangzhou, e contribuiu com o ótimo desempenho da equipe que conta com o melhor jogador do continente asiático em 2015, o brasileiro Ricardo Goulart. Além dele, Elkeson, ídolo da torcida, Paulinho e Robinho, podem fazer a diferença na hora de enfrentar o América do México, e até mesmo numa possível semifinal contra o Barcelona.

Mas também há nativos que fazem parte da espinha dorsal do time. Zheng Zhi, de 35 anos, foi o melhor jogador da Ásia em 2013, é um dos comandantes da meia cancha e ajuda a municiar o atacante Gao Lin, de 29 anos, autor de 13 gols na temporada, atrás apenas de Ricardo Goulart, com 19 tentos marcados. O retrospecto recente também é um trunfo. A última derrota do Guangzhou aconteceu em maio, e nesse período, além dos confrontos contra adversários chineses e asiáticos, ainda ocorreu um empate sem gols diante do poderoso Bayern de Munique, em um amistoso. Repetir isso contra o América, ou talvez contra o Barcelona, não seria nada mal.

Foto: AFC/Divulgação

Foto: AFC/Divulgação

River Plate

Único estreante no torneio no formato atual, o River foi campeão do Intercontinental em 1986 ao vencer por 1×0 o Steaua Bucareste, da Romênia. E para tentar repetir o feito de quase 30 anos atrás, o clube argentino passou por um roteiro similar ao que passou o Corinthians aqui no Brasil. Após uma reformulação depois de um rebaixamento, a equipe voltou mais forte, conquistou tudo o que podia, e agora pode alcançar o topo do mundo. E assim como o Timão, o River teve como um de seus principais nomes o treinador. Marcelo Gallardo, que havia treinado apenas o Nacional do Uruguai, assumiu a equipe no início de 2014 e de lá pra cá conquistou Copa Sul-Americana, Recopa Sul-Americana, Libertadores e ainda dois troféus de menor importância, a Suruga Bank e a Supercopa Euroamericana.

Foto: River Plate/Divulgação

Foto: River Plate/Divulgação

Entretanto, o rendimento recente da equipe traz desconfiança. Além de não conseguir os resultados, o time não convence. Conquistou a Libertadores após passar pela fase de grupos na bacia das almas, e recentemente sofreu nas mãos de times mais fracos, como a Chapecoense, na Sul-Americana, e o Huracán, tanto na competição nacional quanto na Super Copa da Argentina. A esperança fica por conta do brilho individual de Carlos Sánchez, melhor jogador atuando na América do Sul no ano de 2015, e que, apesar dos 31 anos, será um dos nomes mais cobiçados no próximo mercado de transferências.

Barcelona

Encerramos nosso guia com um time que dispensa qualquer apresentação, e que poderia ser resumido em uma sigla: MSN. Messi, Suárez e Neymar são os líderes da equipe franca favorita ao tricampeonato (já venceu em 2009 e 2012). Em 2015, foram 126 gols com a marca de um dos três jogadores da linha de frente blaugrana, além de atuações de luxo como nos 6×1 diante da Roma e nos 4×0 frente ao maior rival, o Real Madrid, em pleno Santiago Bernabéu.

Foto: Barcelona/Divulgação

Foto: Barcelona/Divulgação

Assim como as mais fortes equipes dos outros continentes, o Barça também está há um longo tempo sem conhecer o que é uma derrota. O último revés foi no início de outubro, contra o Sevilla, ainda no começo do campeonato espanhol, o qual o Barcelona lidera atualmente. Fica até difícil indicar uma projeção diferente do que a do título com folgas. Nem o mais pessimista torcedor culé imagina algo catastrófico, principalmente se levarmos em conta o momento ruim do River Plate, principal concorrente ao título mundial. E talvez essa seja a principal expectativa de todos para torneio: será que o Barcelona confirma seu favoritismo e abrilhanta ainda mais seu espaço na história ou estaremos diante de uma das maiores zebras do futebol?

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Todos os participantes dos mundiais entre 1960 e 2001. Os campeões estão à esquerda. (Arte: Osmar Júnior/DPF)

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Todos os participantes dos mundiais entre 2002 e 2004 e do Mundial no formato FIFA (2000; 2005-2014) . Os campeões estão à esquerda. (Arte: Osmar Júnior/DPF)

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Respiro futebol 24 horas por dia. Jogo, assisto, torço, leio, escrevo, penso. Enfim, sou um doente por futebol.