Ainda instável, Liverpool renova as esperanças com Klopp

  • por Lucas Sousa
  • 2 Anos atrás

Jurgen Klopp está há quase três meses no Liverpool. Cercado de expectativas, o alemão vem correspondendo e faz um bom trabalho na medida do possível. Quando chegou, em outubro de 2015, encontrou os Reds na 10ª colocação e sem grandes perspectivas para o restante da temporada. Brendan Rodgers já estava desgastado e parecia incapaz de extrair o melhor de seus jogadores. Hoje, já na segunda metade do campeonato, seis pontos separam a equipe do Tottenham, quarto colocado e primeiro na zona de classificação para a Liga dos Campeões. Mais do que um bom ano, Klopp renovou as esperanças do futuro vermelho.

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Isso porquê em pouco tempo na Inglaterra o treinador conseguiu dar uma cara a equipe. Diferente dos tempos de Rodgers, o Liverpool de Klopp tem uma base e uma identidade, o básico para a construção de um time vencedor. A formação tática é bem definida, um 4-3-2-1 de muita movimentação na frente e chegada dos meias; gosta de acelerar o jogo no último terço do campo com aproximações e tabelas que buscam ultrapassagens e infiltrações. Quando a bola é perdida, pressão, pressão e mais pressão visando recuperá-la o quanto antes. É o famoso gengenpressing: fechar as linhas de passe próximas e apressar o portador da bola induzindo-o ao erro – o Manchester City sofreu com isso em pleno Etihad Stadium, na goleada por 4 a 1. Futebol ofensivo e intenso, marcas do alemão que já podem ser vistas na equipe.

Foto: Liverpool FC - Klopp ajustou o Liverpool, mas ainda faltam ajustes

Foto: Liverpool FC – Klopp deu uma cara ao Liverpool, mas ainda faltam ajustes

Ofensivamente o time ainda é dependente de Philippe Coutinho. O camisa 10 tem sido o grande nome dos Reds nesta temporada e o responsável pela maior parte da produção ofensiva, chamando a responsabilidade em diversos momentos, seja chutando a gol ou tentando uma jogada individual. Adam Lallana, Roberto Firmino e Jordan Ibe, companheiros de posição do brasileiro, ainda não emplacaram. Christian Benteke, o outro homem ofensivo, participa pouco da construção de jogadas e fica responsável pelo último toque, o da finalização. Melhor opção para atuar próximo a Coutinho, Daniel Sturridge não consegue se livrar das lesões. Há dois anos formou com Luis Suárez uma das melhores duplas de ataque do continente e desde então atuou somente em 17 partidas de Premier League. Ter o atacante inteiro seria um acréscimo muito bem-vindo para dividir essa responsabilidade com Coutinho.

Na parte defensiva os Reds apresentam um grave defeito: bolas alçadas na área. Dos 14 gols sofridos no Inglês, nada menos que dez tiveram um cruzamento envolvido. Na derrota por 2 a 0 para o West Ham, na última rodada, os gols foram em cabeceios em cima do lateral Nathaniel Clyne. Embora tenha em Martin Skrtel um zagueiro que vai bem pelo alto, os erros de posicionamento têm proporcionado oportunidades para os adversários.

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A baixa estatura dos laterais Clyne (1,75m) e Alberto Moreno (1,71m) também influencia nos momentos de bolas levantadas na área, já que os adversários vão procurar fazer esse cruzamento no segundo pau, onde, geralmente, está um lateral. A defesa com um todo não tem se saído bem e deve ser o foco das contratações nas próximas janelas. E essa fragilidade defensiva carrega uma parcela considerável da instabilidade vivida pelos Reds.

Sob o novo comando, são 14 gols marcados e sofridos. Ou seja, a equipe vai bem na hora de balançar a rede adversária, mas não consegue segurar e dar sustentação lá atrás. Além disso, se passaram 12 jogos, sendo cinco vitórias e quatro derrotas. Dentre os êxitos, três grandes resultados: 3 a 1 contra o Chelsea e 4 a 1 frente ao City, ambos fora de casa, e 1 a 0 em cima do Leicester, invicto há dez jogos até então. As derrotas, porém, foram muito dolorosas. Crystal Palace, Watford e West Ham estão próximos do Liverpool e sonham com uma vaga de Liga Europa; e um time que quer brigar na parte de cima da tabela não pode ser derrotado para o Newcastle, que luta na parte inferior, ou empatar em casa contra o West Bromwich. São pontos valiosos que os Reds deixaram escapar em uma competição extremamente disputada, este tipo de erro deve ser abolido se quiserem brigar pelo título nos próximos anos.

INÍCIO KLOPP PREMIER LEAGUE

De todo, não da para negar que Jurgen Klopp começou bem no Liverpool. A real possibilidade de batalhar por uma vaga na Liga dos Campeões nesta temporada talvez nem seja o melhor da chegada do alemão ao Anfield, mas sim as perspectivas melhores para um futuro próximo. O elenco é carente e não está no nível para disputar o título. Porém, não da para dissociar a imagem do treinador da reconstrução recente do Borussia Dortmund, revelando talentos e estruturando o clube. É isso que os torcedores esperam há algum tempo. Klopp chegou e logo organizou um time, montou uma base para trabalhar em torno nos próximos anos. Com a possibilidade de buscar reforços nas janelas seguintes e moldar o elenco a sua maneira, o Liverpool promete dar alegrias ao seu torcedor brevemente.

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Mineiro e estudante de jornalismo. Admira (quase) tudo que cerca o futebol inglês, não esconde seu apreço por times que jogam no contra-ataque (sim, sou fã do Mourinho) e acha que futebol se discute sim. Também considera que a melhor invenção do homem já ultrapassou os limites do esporte.