DOENTES POR FUTEBOL

Cristiano, o Diabo com a bola nos pés

Cristiano Ronaldo chegou ao Manchester United em 2003 para a disputa da temporada 2003-2004. Contratado com status de futura estrela, no dia 13 de agosto, o gajo foi apresentado ao lado de Kléberson, à época um dos maiores talentos brasileiros e campeão do mundo em 2002.

Foto: REUTERS/Paul Sanders

Foto: REUTERS/Paul Sanders

ODD Shark

Insolitamente, naquele momento, era razoável que o mundo tivesse maior curiosidade de ver como seria o desempenho da cria do Atlético Paranaense. Evidentemente, o futuro mostrou a diferença entre os atletas. Todavia, o início do craque português foi lento (comparado ao que viria a acontecer).

Na temporada 2003-2004, o garoto de 18 para 19 anos disputou 39 jogos, marcou seis gols e criou sete assistências. Cristiano demorou a balançar as redes pela primeira vez com a camisa dos Red Devils. Seu primeiro tento saiu na partida contra o Portsmouth, válida pela 11ª rodada da Premier League. Na ocasião, o jogador saiu do banco de reservas, substituiu Diego Forlán e marcou o segundo gol da vitória por 3×0.

Vale a lembrança de que, desde o início, Cristiano vestiu a lendária camisa 7 do United, sucedendo David Beckham, correspondendo e eternizando seu nome em um rol que já contava com George Best, Bryan Robson e Eric Cantona, além de Beckham. Em seus primeiros anos, o português atuou em grande parte dos encontros pelo lado direito, uma vez que o lendário Ryan Giggs ainda dominava o flanco canhoto.

Em 2003-2004, a conquista da FA Cup foi a nota de maior destaque para o jogador e para a equipe, tendo o mais poderoso dos times do Arsenal conquistado a Premier League de forma invicta.

Individualmente, Cristiano deve lembrar com carinho de um dos encontros contra o Arsenal em que fez um de seus mais belos dribles da carreira em cima de Ashley Cole.

Veio a temporada 2004-2005 e com ela mais minutos em campo para o gajo. Mais ambientado, o português disputou 50 jogos, marcou nove gols e criou seis assistências. Ainda que fosse um garoto, naquele momento já era possível enxergar os seus diferenciais – quem vê a forma como o jogador atua nos dias atuais, com desempenho assombroso e jogo voltado para a maior eficiência possível, não imagina as misérias que o atleta já fez com seus adversários. Driblador infernal, sobretudo em seus primeiros anos em solo inglês, CR7 encantou Manchester com dribles desconcertantes.

https://www.youtube.com/watch?v=1XKuf6B4vuE

Apesar do desempenho individual fulgurante, Ronaldo não conseguiu ajudar o United a vencer nenhum título em 2004-2005, tendo visto o Chelsea ascender e conquistar a Premier League sob o comando de José Mourinho, perdendo a final da FA Cup para o Arsenal e vendo o Liverpool conquistar de forma brilhante a UEFA Champions League. Essa temporada também marcou o início de uma parceria de que muitos não se esquecem: Wayne Rooney, Ruud van Nistelrooy e Cristiano Ronaldo.

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Em 2005-2006, a situação continuou difícil para os Red Devils, mas o português seguiu evoluindo. Se coletivamente o United foi eliminado da Champions ainda na fase de grupos e conquistou apenas uma League Cup, goleando o Wigan na final, com direito a gol de CR7, o craque fez aquela que, até então, havia sido sua melhor temporada individualmente. Em 47 partidas, balançou as redes em 12 turnos e assistiu seus companheiros em oito. Porém, o melhor ainda estava por vir.

A temporada 2006-2007 foi aquela que definiu o quão diferenciado CR7 é, deixando o rótulo de driblador incorrigível (e por vezes improdutivo) para trás. Os números secos (53 partidas, 23 gols e 23 assistências) não bastam para demonstrar a força de seu desempenho. Pela primeira vez, o português foi realmente decisivo, conduzindo os Red Devils ao título da Premier League – iniciando uma hegemonia na Inglaterra – e a uma bela campanha na UCL.

Nas quartas de final da competição continental, Ronaldo foi brilhante na goleada do United contra a Roma, por 7×1, marcando dois tentos e provendo uma assistência, e, na primeira partida das semifinais, contra o fantástico Milan de Nesta, Maldini, Pirlo, Seedorf e Kaká, quando abriu o placar da vitória por 3×2 contra os italianos – na sequência, os Rossoneros se recuperaram em Milão. Apesar da eliminação, o Manchester United usou a experiência como ensaio para a temporada 2007-2008, a melhor de CR7 em solo inglês.

Se fosse possível aos seres humanos “fazer chover”, Cristiano Ronaldo teria feito na brilhante campanha da esquadra de Sir Alex Ferguson em 2007-2008. Os títulos da Premier League e da UEFA Champions League só ilustram o assombro que foi a campanha do United e do português, algo que nem o desperdício de uma penalidade na final da competição continental foi capaz de apagar. Presença em 49 encontros, marcou impressionantes 42 gols e criou nove assistências.

Na Champions, vitimou Sporting, Dynamo de Kiev, Lyon, Roma (novamente) e o Chelsea, abrindo o placar da final da competição. Na Premier League, marcou gols contra grandes adversários, como Arsenal e Liverpool. O curioso é que o início do ano não foi tão bom. Na segunda rodada da EPL, o atleta envolveu-se em uma confusão e foi expulso contra o Portsmouth e, além disso, demorou oito rodadas para marcar.

Em seus atos finais pelo United, Cristiano já não parecia o garoto mágico que aportou em Manchester em 2003, se assemelhando muito mais à máquina de implacável eficiência que hoje se vê no Real Madrid.

Em 2008-2009, sua última temporada pelos Red Devils, o português jogou 53 jogos, marcou 26 gols e criou 12 assistências. Novamente, o clube levou o título da Premier League e a League Cup e chegou perto da conquista da UEFA Champions League, perdendo a final para o primeiro Barcelona de Pep Guardiola. Antes, todavia, na semifinal, CR7 foi instrumental na disputa contra o Arsenal, marcando dois gols e criando uma assistência.

https://www.youtube.com/watch?v=1Ny4oGeXoZA

Cristiano chegou a Manchester como coadjuvante de Kléberson e saiu com o reconhecimento de Melhor Jogador Mundo. O garoto imberbe, irresponsável e lúdico deu lugar, gradualmente, à máquina mortífera que hoje desfila no Santiago Bernabéu.

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Advogado graduado pela PUC Minas, pós-graduando em Direito Desportivo e Negócios do Esporte, 24 anos. Admito minha preferência pelo futebol bretão, mas aprecio o esférico rolado qualquer terra. Desde a infância, tenho no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; o melhor jogador que vi jogar foi o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Estou também no "O Futebólogo", meu blog.