Neymar e o Brasil de volta ao protagonismo

  • por Doentes por Futebol
  • 2 Anos atrás
(por Jean Madrid)

Era inevitável e, por mais que tenha tardado a acontecer, o futebol brasileiro finalmente volta ao lugar de onde nunca deveria ter saído: Zurique.

Ricardo Izecson dos Santos Leite havia sido o último brasileiro a figurar entre os indicados a Bola de Ouro. Foi em 2007, atuando pelo Milan, que Kaká não só esteve entre os finalistas, como também desbancou os que viriam a ser os protagonistas da premiação por um longo tempo.

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De 2007 pra cá muita coisa aconteceu. Dois fracassos em Copas, um nítido declínio do futebol nacional, com direito a escândalos de corrupção e dirigentes da CBF presos. Na época de Kaká, nos não tão longínquos anos entre 2004 e 2010, a safra brasileira parecia ser mais promissora do que nunca. Ronaldinho Gaúcho vinha de anos brilhantes no comando do renascido Barcelona, Robinho chegava como grande contratação do Real Madrid, Adriano Imperador era a estrela da Internazionale e Ronaldo, mesmo que abaixo do grande nível de outrora, ainda era o craque que todo torcedor tinha gosto de ver jogar.

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Mas o que prometia ser outra era de glórias para o futebol brasileiro acabou desembocando num desenrolar melancólico e triste para o futebol nacional.

A pergunta que incessantemente o torcedor fazia a si mesmo era: Quando voltaremos a ter um protagonista no futebol mundial? Pois bem, parece que data precisa desta caminhada se desenhava a partir de 7 de março de 2009, um sábado.

No estádio do Pacaembu, contra o Oeste, um menino magro e franzino de nome estranho fazia sua estreia pelo Santos Futebol Clube. Neymar era como o chamavam. Sua primeira partida não foi espetacular, longe disso, o jovem de então 17 anos foi discreto.

Oito dias depois, na Vila Belmiro, ainda com o uniforme folgado no corpo, o gol de cabeça depois de um cruzamento de Roni era o tento que mudaria o rumo não só de Neymar, como o de uma nação inteira.

A evolução não demorou. Já em 2011, Neymar, ao lado de Paulo Henrique Ganso, era o grande protagonista de um Santos que encantava. Além das conquistas, dos gols e dos prêmios individuais que Neymar rapidamente faturou, o que mais chamava a atenção é que ainda sobrara um resquício de esperança no coração de cada brasileiro apaixonado por futebol. A esperança de que, sim, os tempos de glória voltariam. Havia chegado a hora de mais um jogador entrar para o seleto grupo de craques que viriam a fazer história. E chegou.

 Veja a lista dos 138 gols de Neymar pelo Santos

Em 2013, Neymar, já o principal jogador da seleção brasileira, confirmou sua ida para a Europa. O destino? O Fútbol Club Barcelona, onde inúmeros companheiros de país brilharam. Não havia rumo melhor.

Em sua primeira temporada o brasileiro não conseguiu jogar seu melhor futebol. Sob o comando de Tata Martino, Neymar foi sacrificado a desempenhar funções diferentes e, com a adaptação ainda em desenvolvimento, tanto o jogador quanto o clube viveram épocas difíceis. Dúvidas pairavam sobre o torcedor brasileiro, seria Neymar mais uma das grandes promessas que nunca vingariam em alto nível? A temporada seguinte tratou de cessar todas as indagações.

https://www.youtube.com/watch?v=n6rQ9-7kHGg

Em 2014-2015 vimos o Barcelona voltar a triunfar na Europa. Com a conquista da tríplice coroa e a liderança ofensiva de um trio genial, o time catalão voltou ao topo do mundo. E Neymar pegou carona. Na primeira metade da temporada, com o Barça ainda vivendo de lampejos, Neymar já demonstrava uma desenvoltura maior nas partidas que disputava. Contudo, foi em 2015 que a ascensão se tornou ainda mais evidente. Ao lado de um Messi vivendo seu auge como jogador de futebol e de Luis Suárez virando a referência dentro da área, Neymar foi no embalo e, pelo lado esquerdo do ataque, viveu sua melhor época, até então, no clube catalão.

 A evolução de Neymar no Barcelona

O brasileiro terminou a temporada com a artilharia de duas das três competições disputadas, e vencidas, pelo Barcelona. Com gols em todas as fases decisivas da Uefa Champions League, igualando os números de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, Neymar superou, em gols, jogadores históricos do Barcelona como Thierry Henry e Samuel Eto’o. Além disso, suas atuações pela seleção brasileira o colocaram entre os maiores artilheiros da história do time pentacampeão mundial. Neymar, finalmente, se afirmou como craque.

2015-2016 chegou e com ele veio Neymar, a 200 por hora, imparável. Lionel Messi acabou se lesionando logo no começo da temporada e coube ao camisa 11 liderar a equipe catalã na ausência de sua principal estrela. Foram 56 dias inesquecíveis. Neymar não só chamou a responsabilidade e conduziu o Barcelona, como também decidiu inúmeros jogos, entre eles o clássico contra o Real Madrid, no Santiago Bernabéu.

https://www.youtube.com/watch?v=UmIEsWtntfU

Quanto ao QI futebolístico então nem se fala, de 10 a 100% em um ínfimo período de tempo. Neymar, atualmente, é um craque, dos grandes, e caminha a passos largos para assumir o posto de gênio.

O que vimos em 2015, e veremos muito mais em 2016, 2017, e por aí vai, promete ser o resgate do protagonismo individual de um brasileiro no futebol mundial. Que isso sirva de exemplo para outros jovens que se inspiram no craque e em seu futebol bem jogado.

O que me parece é que mesmo aqueles que não gostam do estilo de jogo firulento e da personalidade marrenta e descontraída de Neymar, sempre que sentam para ver uma partida do brasileiro, acabam por entoar o grito patenteado por Galvão Bueno: “VAI PRA CIMA DELES, NEYMAR!”.

E ele vai, como sempre fez.

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