Os destaques do Flamengo na Copinha

Craque o Flamengo faz em casa. A máxima rubro-negra, criada na década de 80, ganha um novo capítulo de esperança. O título da Copa São Paulo de Futebol Junior 2016 renova a fé dos torcedores que acreditam no surgimento de um craque que possa ser utilizado pela equipe profissional.

A transição precisa ser feita com calma para não repetir a geração de 2011, também campeã da Copinha. Daquele time, apenas o goleiro César permanece no atual elenco e, mesmo assim, como terceiro goleiro. Outros, como os meias Adryan e Muralha, ainda pertencem ao clube, mas estão emprestados. Embora boa parte daquele equipe tenha tido chances, ninguém efetivamente encheu os olhos da torcida.

Agora, a campanha invicta e as boas partidas realizadas no torneio fazem reacender a chama que o Flamengo parece ter apagado nos últimos anos. Se em décadas recentes poucas revelações orgulharam os rubro-negros, a equipe campeã em 2016 pode mudar um pouco tal panorama. Abaixo, separamos os principais nomes do Flamengo, aqueles que têm mais chances de se destacar atuando pelos profissionais. Confira:

Thiago – Na primeira partida o goleiro mostrou seu cartão de visita. Contra o Red Bull, com o jogo em 0x0, fez boas intervenções antes da equipe rubro-negra abrir o placar. O mesmo cenário se desenhou na partida seguinte, contra o Palmeira-RN. Fez ao menos uma defesa importante em todas as partidas do Flamengo na Copinha. Se César, campeão em 2011, ainda não se firmou no elenco principal, por ter feito partidas irregulares em 2015, Thiago pode ser o próximo prata da casa a seguir os passos de Julio César e se tornar ídolo da torcida, o que o atual titular, Paulo Victor, não conseguiu. Na final, contra o Corinthians, Thiago acabou como herói, ao defender dois pênaltis.

Thiago Ennes – A tarefa para os laterais-direitos das categorias de base do Flamengo não é fácil. Depois de dez anos de domínio e idolatria de Léo Moura, qualquer um que assumir a posição terá que mostrar trabalho, e rápido. Se mantiver o nível de atuações que teve durante a Copinha, Thiago Ennes certamente cairá nas graças do torcedor. Demonstra a mesma gana e eficiência ofensiva do ex-camisa 2. Marcou dois gols na competição, ambos de dentro da área. Embora não seja extremamente técnico, é um jogador de muita vontade e aplicação tática.

Léo Duarte – Entre todas as posições do atual elenco profissional, a mais pressionada é a de zagueiro. E a defesa rubro-negra passou pouca confiança. Sofreu com as bolas áreas durante o ano passado inteiro e necessita de reforços. Se não está fácil buscar opções no mercado, talvez valha olhar para as categorias de base. O capitão da equipe, Léo Duarte, fez boa Copinha e ajudou o Flamengo a ter uma das defesas menos vazadas da competição. Na semifinal, contra o São Paulo, a equipe foi bombardeada de cruzamentos e a zaga afastou a maioria, dando pouco trabalho ao goleiro Thiago, apesar da pressão sofrida. Um dos líderes do time dentro de campo, Léo mostrou bom posicionamento e velocidade, qualidades que faltam aos zagueiros do profissional.

Ronaldo – Talvez o principal jogador da equipe ao lado de Lucas Paquetá. E talvez quem tenha maiores chances de ser utilizado no profissional ainda neste ano, em uma projeção bastante otimista, claro. O camisa 5 rubro-negro é o famoso meio-campista moderno. Na parte defensiva, demonstra muita vontade e qualidade nas roubadas de bola, aliadas ao bom posicionamento. Quando retoma a posse, é ele quem organiza a equipe, conduzindo a bola da defesa ao ataque com muita qualidade. Quando tem espaço, aparece mais à frente para colaborar nas ações ofensivas. Na primeira fase, deu passe de extrema categoria para Thiago Ennes marcar um dos gols na vitória sobre o Palmeira-RN, além de ter aberto o placar no mesmo jogo.

Cafu – O famoso motorzinho do time. Tanto pela direita quanto pela esquerda, alia força à velocidade para colaborar com o meio-campo e ataque. As quatro assistências que deu na competição (uma delas na final), todas em bons passes feitos a partir de jogadas criadas nas pontas, mostram o potencial de Cafu para ser um jogador decisivo, quando escalado na posição correta. O que pesa contra é que, mesmo muito jovem, já parece brigar com a balança. A silhueta apresentada durante a Copinha não remete a um atleta que se cuida como deveria.

Lucas Paquetá – O cérebro do time. Longe de ser um Zico, claro, mas com potencial para ser ótimo jogador. O trabalho físico realizado com Paquetá foi semelhante ao que foi feito com o Galinho, na década de 70. Lucas sempre foi menor e mais leve do que os jogadores de sua idade, mas isso não foi motivo para ser desacreditado. Agora, em igualdade de condições físicas com os adversários, vem demonstrando toda sua capacidade de comandar a equipe dentro de campo. Possui boa presença no ataque, movimentação, visão de jogo e ótimos passes e finalizações. Além disso, tem a inteligência necessária para um jogador-chave da equipe, ou seja, geralmente toma as decisões certas dentro de campo, além de enxergar na partida o que os outros não veem. Por vezes, também mostrou-se imaturo, tentando jogadas de efeito sem necessidade e em momentos inadequados das partidas. Mas nada que a experiência não resolva mais à frente.

Felipe Vizeu – Na gíria do futebol, podemos dizer que o centroavante rubro-negro fede a gol. Com perfil de atacante de área, alto e forte, Vizeu mostrou muito mais recursos do que somente o faro. Tem rara mobilidade para atacantes com seu porte físico, se movimenta para abrir espaços e receber passes, e facilita o trabalho dos jogadores de meio no momento de infiltrações ou assistências. Sabe fazer o pivô e servir os companheiros. E não é somente um empurrador de bolas para a rede. Os gols de Vizeu indicam um jogador com ótimo posicionamento, qualidade na finalização e frieza nos momentos decisivos. E, claro, como bom centroavante, parece sempre ser procurado pela bola. Resultado: 7 gols e 3 assistências em 7 jogos.

Zé Ricardo – Apesar dos bons valores, o Flamengo não figurava na lista de favoritos da Copinha. Se alguém é responsável por isso, certamente é o técnico Zé Ricardo. Com pouco menos de uma ano de trabalho, conseguiu dar padrão tático ao time. Com ou sem a bola, a equipe rubro-negra é extremamente organizada e todos os jogadores sabem onde devem estar e o que fazer.

Outro mérito foi saber rodar o elenco, usando praticamente todos os jogadores, sem deixar o nível da equipe cair. Em uma competição de tiro curto, manter o foco e o desgaste controlados nem sempre é fácil, mas o técnico administrou bem, talvez facilitado pelo perfil educador. Uma parte da torcida rubro-negra já o vê como futuro treinador dos profissionais, mas longe de ser através do empirismo aplicado em casos como os de Jayme e Andrade. No Flamengo, o treinador já passou pelo futsal, mirim e sub-15, e inclusive rejeitou, no ano passado, uma chamada para ser técnico da Seleção Brasileira da categoria. Parece ter acertado na escolha.

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Jornalista trabalhando com marketing, carioca, 28 anos. Antes de mais nada, não acredito em teorias da conspiração. Até que me provem o contrário, futebol é decidido dentro das quatro linhas. Mais futebol nacional do que internacional. Não vi Zico mas vi Romário, Zidane, Ronaldinho, Ronaldo. Vejo Messi e Cristiano Ronaldo. Totti é pai.