Os melhores da Copinha 2016

  • por Bráulio Silva
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A Copa SP de Futebol Júnior, há muito tempo, abre a temporada do futebol brasileiro. Em tempos de férias escolares, sem jogos oficiais dos grandes times do Brasil, toda a atenção da imprensa e da torcida recaem sobre os garotos que têm a possibilidade de aparecer no cenário esportivo com destaque. Afinal, a transmissão fica a cargo de cinco canais de TV: ESPN Brasil, SporTV, Rede Vida, TV Brasil e Globo, que quase sempre transmite a final. A maioria dos veículos de comunicação chegou a transmitir até quatro jogos em um único dia.

Grandes jogadores foram apresentados à torcida justamente na Copinha. Quando se destacavam, juntavam-se ao elenco principal dos clubes. Como exemplo, podemos citar o Expressinho do São Paulo que ganhou a Copa Conmebol, em 1994. Quase todo o time tinha chegado nas três finais em que o clube disputou: em 1992, vice diante do Vasco; em 1993, campeão sobre o Corinthians; e em 1994, contra o Guarani, vice. O time do Flamengo, em 1990, já foi tema de uma coluna nossa.

Outros exemplos: Denner com a Lusa, em 1991; o lateral Sylvinho, um dos destaques do Corinthians campeão em 1995; o zagueiro William, xerife do América-MG em 1996; Lúcio, pelo Internacional, e Luis Fabiano, pela Ponte Preta, em 1999; Kaká, com 18 anos, reserva do São Paulo que ficou com o vice-campeonato em 2001; o grande time santista da Copinha de 2008, que reuniu Neymar, com 16 anos, ainda reserva, e Ganso; e o SPFC de Henrique, Casemiro e Lucas – na época Marcelinho – no título de 2010.

Dois dos grandes técnicos da atualidade sofrem com as críticas de não utilizarem a base corretamente. Foi assim com Muricy no São Paulo, entre 2006 e 2009, e no Santos, em 2011, e com Tite, entre 2011 e 2013, e agora, desde 2015.

Nomes como os de Sérgio Motta, Henrique e Oscar – o último disputou a Copa do Mundo de 2014 – passaram pelas mãos de Muricy Ramalho e nunca tiveram uma oportunidade no Tricolor. Sob o comando do treinador, o Santos não fez nenhum esforço para segurar Felipe Anderson e, por dispensa, quase perdeu Geuvânio, vendido por uma fortuna ao futebol chinês.

Já com Tite, as joias do “terrão” estão sofrendo. Tanto que, no time de 2012, o Corinthians não tinha nenhum titular formado na base. No elenco campeão do Brasileiro do ano passado, apenas Malcom era da base corinthiana. Nomes como os de Marquinhos, Marciel, Leo Jabá, Matheus Cassini, Gabriel Vasconcelos e Matheus Pereira não foram utilizados pelo técnico.

Com a competição encerrada, escalamos aqui uma seleção com 12 jogadores que se não fizerem sucesso em suas carreiras, ao menos serão lembrados pela ótima Copinha na temporada de 2016. São eles:

Goleiros: Lucão e Lucas Perri;
Laterais: Thiago Ennes;
Volantes: Ronaldo e Maycon;
Meias: Alex, Matheuzinho e Matheus Pereira;
Atacantes: David Neres, Felipe Vizeu, Geovane Itinga e Léo Jabá

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Lucas Perri (São Paulo): Ser goleiro no São Paulo, até no ano passado, significava ficar à sombra do eterno titular Rogério Ceni, hoje aposentado. O bom nível demonstrado pelo camisa 1 dessa Copinha deixa a torcida esperançosa de que o gol será o menor dos problemas da equipe tricolor.

Lucão (Cruzeiro): O arqueiro da Raposa se notabilizou por pegar pênaltis. Foram três nessa edição. Alto e com boa explosão física, Lucão pode em breve figurar entre os profissionais do Cruzeiro.

Thiago Ennes (Flamengo): Melhor lateral da competição, possui ótima arma ofensiva pela direita e ainda consegue ser seguro na defesa. Como o rubro-negro já tem Jorge pela esquerda, não se espante se as laterais ficarem a cargo da garotada da base.

Ronaldo (Flamengo): O futebol que o camisa 5 apresentou nessa competição foi de encher os olhos. Principal responsável pela segurança do setor defensivo, com bons desarmes, Ronaldo ainda tem habilidade, ótimo passe e lançamento preciso.

Maycon (Corinthians): O capitão corintiano, além de personalidade e bom futebol, mostrou ter estrela. Em 2015, foi dele o gol do título. Em 2016, foi o artilheiro do time com 6 gols, a maioria fruto de chutes de fora da área. Canhoto, tem bom poder de marcação e está sempre apoiando o ataque. Apesar de se inspirar em Paulinho e Elias, seu futebol lembra o de Edu, outro que brilhou com a camisa alvinegra.

Alex (Cruzeiro): O meia esteve na final do ano passado jogando pelo Botafogo de Ribeirão Preto. O bom futebol lhe valeu um convite para defender as cores do Cruzeiro. E não decepcionou. Mostrou que os olheiros cruzeirenses tinham toda razão. Rapidez e habilidade são algumas das características que fizeram de Alex uma das estrelas da competição.

Matheuzinho (América-MG): Baixinho e magricelo, poucos a princípio apostariam no americano. E queimariam a língua. Matheuzinho compensou a pouca estatura com um raciocínio rápido e bom poder de finalização. Várias foram as jogadas criadas por ele, principal nome do time até a semifinal. Na ocasião, o Coelho foi eliminado pelo campeão Flamengo.

Matheus Pereira (Corinthians): O típico camisa 10 clássico. Esbanjou habilidade nos jogos do Corinthians, com passes, lançamentos e gols. Com experiência entre os profissionais, Matheus é mais um que está pedindo passagem no elenco profissional corintiano, ainda mais após o desmanche no início de 2016.

Felipe Vizeu (Flamengo): Artilheiro do Flamengo na competição, Vizeu começou a Copinha à sombra de Douglas Baggio, que estourou o limite de idade e não participou da edição desse ano. Forte e com ótimo poder de finalização, o camisa 9 agradou aos torcedores rubro-negros e foi um dos principais responsáveis pelo ótimo resultado da equipe. Formou boa dupla com Paquetá.

Geovane Itinga (Bahia): Um dos artilheiros da Copinha, Geovane mostrou um grande repertório de gols de cabeça, perna direita e perna esquerda. Na eliminação, diante do América-MG, desperdiçou sua cobrança de pênalti, mas fez um gol durante os 90 minutos. Demonstrou ser excelente opção para substituir Hernane Brocador no time principal do Tricolor de Aço.

David Neres (São Paulo): O motorzinho da equipe. Para o São Paulo jogar bem, bastava Neres estar bem. Tanto que os piores resultados ocorreram quando ele se recuperava de uma lesão no ombro, como contra o Taboão da Serra. E também quando o Flamengo colocou dois jogadores para marcá-lo, no duelo que levou os flamenguistas para a semifinal. Neres é canhoto e gosta de jogar aberto pela direita, o que fez com que alguns o comparassem com o holandês Robben. A torcida tricolor espera que, em breve, o camisa 11 da Copinha integre o elenco comandado por Edgardo Bauza.

Leo Jabá (Corinthians): O mais desavisado ao avistar Leo Jabá em campo pode até confundi-lo com Guerrero. Tanto no estilo físico quanto na forma de comemorar, e o garoto não esconde a semelhança com o peruano. Destaque do Mundial de Clubes Sub-17 em 2015, vem sendo pedido pelos torcedores para que figure entre os profissionais. Dependerá do professor Tite.

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Paulistano, casado e com 33 anos. Apaixonado por futebol e pelo São Paulo FC. De memória privilegiada, adora relatar e debater fatos futebolísticos de outrora. Ex-estudante de jornalismo, hoje gerencia uma drogaria no município de Barueri, além de escrever para a Doentes por Futebol.

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