A eficiência de Gündogan exposta em 45 minutos

  • por Rogério Júnior
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Foto: Contra o Hoffenheim, Gündogan, que só atuou nos 45 minutos finais, demonstrou o quão fundamental é para Thomas Tuchel.

Foto: Divulgação – Contra o Hoffenheim, Gündogan, que só atuou nos 45 minutos finais da partida, demonstrou o quão fundamental é para Thomas Tuchel.

Não é de hoje que İlkay Gündogan é o principal organizador do Borussia Dortmund. Desde os tempos de Jürgen Klopp, o volante alemão se destaca na meia-cancha aurinegra pela facilidade, naturalidade e soberania com que é capaz de ditar o ritmo dos jogos. Com Thomas Tuchel no comando do time, essa característica parece ter ficado ainda mais exposta e o jogador é peça crucial no desenvolvimento das ideias do treinador.

A oito pontos do líder Bayern, Tuchel tem feito diversas experiências em jogos da Bundesliga, rodando a equipe de maneira constante. Jovens como Pulisic e Leitner ganhando preciosos minutos, Sahin voltando a atuar depois de uma séria contusão, além do próprio rodízio natural do professor, têm feito com que Julian Weigl, Marco Reus, Kagawa, dentre outros titulares, iniciem partidas sentados no banco de reservas (e com certa frequência).

Contra o Hoffenheim, então penúltimo colocado na tábua de classificação, no último domingo (28), foi a vez de Gündogan ganhar um merecido descanso. O comandante levou o time a campo num 4-2-3-1 nítido, com Weigl e Sahin jogando na segunda linha, uma faixa de campo atrás de Mkhitaryan, Kagawa e Reus.

O que Tuchel não esperava é que o time, com a ausência de Gündogan, fizesse um dos piores 45’ de toda a caminhada no campeonato. Visivelmente presos na marcação do adversário, Weigl e Sahin tiveram imensas dificuldades de colocar o Dortmund no jogo. O primeiro tempo pobre de Piszczek e Schmelzer e a notória inconstância de Subotic também contribuíram para o péssimo desempenho na etapa inicial.

O resultado não poderia ser diferente. O time de Julian Nagelsmann, o técnico mais jovem da história da Bundesliga, com apenas 28 anos recém-completos, atuando num 5-4-1 que, com a bola, se transformava em um 5-2-3, adiantou as linhas, promoveu marcação alta e explorou de forma maçante os extremos Uth e Amiri. De tanto especular o campo do Borussia, Rudy apareceu livre, depois de um rebote de Bürki, e abriu a contagem para os visitantes. Os comandados de Tuchel, por outro lado, finalizaram apenas uma vez, numa falta cobrada por Marco Reus.

Gündogan em campo

Imagem: Resultados.com - Em 45 minutos, deu 69 passes e errou apenas dois. Só Julian Weigl teve a mesma média de acerto na partida.

Imagem: Stats Zone (Four Four Two) – Em 45 minutos, Gündogan deu 69 passes e errou apenas dois. Só Julian Weigl teve a mesma média de acerto na partida. Em amarelo, a assistência para o gol de Mkhitaryan.

Era natural que Gündogan retornasse como titular na segunda etapa. Ao contrário do que se imaginava, no entanto, o escolhido para sair foi Kagawa, o que representou numa nova formatação tática do Dortmund: o 4-1-4-1. Gündogan se juntou a Sahin e ambos tinham a incumbência de explorar Reus e Mkhitartyan em profundidade. No primeiro lance em campo, Gündogan enfileirou uma série de marcadores e acertou o poste do goleiro Baumann. Era o prenúncio do que viria pela frente.

Imagem: Resultados.com - Paralelo entre os dois Dortmund: o sem Gündogan do primeiro tempo e o com a participação do volante na segunda etapa.

Imagem: Resultados.com – Paralelo entre os dois Dortmund: o sem Gündogan do primeiro tempo e o com a participação do volante na segunda etapa.

O volante trouxe aos aurinegros tudo o que faltou no primeiro tempo: infiltrações, bolas longas, quebras de linhas defensivas, construção de amplitude ofensiva e inversão de bolas a todo o momento. A expulsão correta de Rudy, aos 13 minutos do segundo tempo, facilitou ainda mais o trabalho do Borussia e, somada à eficácia estrondosa de Gündogan, fez com que a parede do Hoffenheim ruísse.

Imagem: Bundesliga - Piszczek (26) foi o jogador com quem Gündogan (8) mais dialogou no tempo em que esteve em campo. Desta parceria, saiu a virada aurinegra.

Imagem: Bundesliga – Piszczek (26) foi o jogador com quem Gündogan (8) mais dialogou no tempo em que esteve em campo. Desta parceria, saiu a virada aurinegra.

Aos 35 minutos da etapa complementar, Gündogan recebeu de Mkhitaryan e, de primeira, devolveu para o armênio de forma inteligentíssima, quebrando a marcação do oponente que, a essa altura, jogava num copioso 6-3. O extremo só teve o trabalho de colocar a bola no fundo da rede naquele que era o início do bombardeio aurinegro.

Pouco tempo depois, Gündogan, mais uma vez, desmontou o sistema de defesa dos homens de Nagelsmann. O volante inverteu uma bola no fundo para que Piszczek a acompanhasse até o limite, antes de conseguir despejá-la na pequena área, onde Adrian Ramos a esperava para estufar o barbante de Baumann. Ainda sobrou tempo para que o gabonês Aubameyang colocasse números finais no duelo, depois de assistência de Mkhitaryan.

Imagem: Recorte DPF - Uma demonstração clara da eficácia de Gündogan. Visão de jogo, leitura perfeita da jogada e bola longa para explorar a profundidade oferecida por Piszczek. O polonês só teve o trabalho de colocar a pelota na área para que Adrian Ramos virasse o placar.

Imagem: Recorte DPF – Uma demonstração clara da eficácia de Gündogan. Visão de jogo, leitura perfeita da jogada e bola longa para explorar a profundidade oferecida por Piszczek. O polonês só teve o trabalho de colocar a pelota na área para que Adrian Ramos virasse o placar.

O que fica registrado de maneira emblemática transcende uma habitual vitória. O que fica memorizado na cabeça de todo o amante de futebol é a capacidade de um jogador colocar a bola debaixo do braço e resolver de maneira eloquente uma partida de futebol, como se estivesse no quintal de casa se divertindo com a pelota.

Este jogador é Gündogan e o quintal da casa atende pelo nome de Signal Iduna Park.

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Curitibano, jornalista, 22 anos. Apaixonado pela bola, apegado pelas canchas e admirador do povão que as frequentam. Apreciador do futebol, seja ele jogado na final da Copa do Mundo ou numa singela rodada da terceirona gaúcha.

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