Jorge Jesus vem conseguindo o melhor de Slimani

Foto: José Moreira

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A temporada atual do futebol europeu é a 14ª desde o último título português do Sporting CP. A cobrança que paira sob o clube por bons resultados, sobretudo com a recente retomada do controle das ações pelo Benfica, é tão grande que levou-o a contratar justamente o último treinador Encarnado para a atual campanha. Esta tacada vem mostrando-se positiva em muitos aspectos e um deles, sem dúvidas, reside no ataque leonino, no qual o argelino Islam Slimani vem se destacando.

Recentemente, em entrevista ao jornal do Sporting, Jorge Jesus, atual comandante do time, comentou que Slimani “só começou a jogar aos 23 anos. É um jogador cheio de defeitos técnicos e táticos. Agora, ele tem aquilo que Deus lhe deu, que é uma capacidade física enorme. É um jogador muito forte no jogo aéreo, tanto a atacar como a defender, e ainda falta muita coisa para poder chegar ao produto final da valorização que pode ter como jogador”.

Foto: sporting.pt

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Tal fala vai ao encontro do que muito se disse acerca do goleador sportinguista nas últimas temporadas. Contratado em 2013, o jogador marcou 10 vezes em sua primeira temporada, 15 na segunda e na atual já computa 20 tentos, o que inclui gols contra Benfica e Porto. Isso sinaliza sua evolução enquanto futebolista. No entanto, como ele próprio diz em boa parte das entrevistas que concede, sempre é acusado de só ter qualidades no jogo aéreo e de ser um atleta muito agressivo.

Quanto à primeira afirmação, há poucas dúvidas de que sua melhor faceta é vislumbrada nas ocasiões pelo ar. Alto e muito forte, Slimani tem uma capacidade de disputar espaço com zagueiros nestas ocasiões que chama a atenção. No atual campeonato português, sete de seus 16 gols saíram de sua cabeça. Este dado também é importante pela análise contrária – mais da metade de seus tentos não surgiu da bola aérea.

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No tocante à segunda, é procedente a alegação de que o argelino é agressivo, mas essa afirmação não deve ser encarada como deslealdade e sim como consequência de seu estilo. Slimani tem no jogo físico uma grande virtude e é claro que na busca por espaço isso o leva a eventuais excessos, como confirmam os 12 cartões amarelos recebidos em 31 jogos em 2015-2016. Lutar contra isso é batalhar contra a própria natureza do atacante e pode até mesmo ser contraproducente.

Seu desempenho com a camisa da Seleção Argelina também melhorou desde que passou a ser treinado por Jorge Jesus. Em quatro partidas disputadas no período, Slimani balançou as redes cinco vezes.

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Tudo isso o levou a ser alvo de especulações envolvendo West Ham, Leicester, Everton e até mesmo o poderoso Manchester United, em uma possível transferência na última janela europeia. Não se sabe até onde houve verdade nisso. O certo é que, por hora, o jogador segue em Alvalade com contrato até o final da temporada 2019-2020.

A coroação de seu bom momento veio nos últimos dias. Em votação promovida pelo site da renomada France Football, Slimani foi eleito o melhor jogador africano no mês de janeiro. É pouco para um jogador rotulado pela “falta de talento com os pés”? No período, foram oito tentos em seis partidas.

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É certo que o trabalho de Jorge Jesus tem influência na evolução do jogador, tanto nos quesitos técnicos quanto na confiança, algo que o mesmo deu a entender em entrevista à RTP, no último dia 10:

“É um treinador de classe mundial. E eu não estou exagerando. O trabalho diário com ele é um verdadeiro prazer. Faz-nos progredir. Às vezes, ele enfatiza detalhes que podem parecer irrelevantes e, de repente, entendemos o que ele está a imaginar. Taticamente ele é um gênio.”

Com Jesus, Slimani tem sempre atuado com um parceiro. Como no último Benfica que treinou, em que contou com a dupla brasileira formada por Jonas e Lima, o 4-4-2 é a tática predominante no Sporting. O argelino tem a habitual parceria de Bryan Ruíz e também trabalhou com os colombianos Téo Gutierrez e Fredy Montero, recém-transferido ao futebol chinês. Os Leões até contrataram Hernán Barcos recentemente, goleador conhecido do público brasileiro, mas será tarefa difícil para o argentino tomar a posição de Slimani.

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O camisa 9 sportinguista pode não ser um grande atacante, cheio de predicados técnicos, mas supre as necessidades de seu clube e vem sendo muito bem aproveitado desde que Jorge Jesus trocou o Estádio da Luz pelo Alvalade. Bolas chegam-lhe tanto pelos flancos quanto pelo meio e as balizas têm sido destino regular – só não é o artilheiro do Campeonato Português porque Jonas vive momento assombroso.

Seja como for, sua forma e evolução são dignos de nota, assim como a maneira com que Jorge Jesus potencializou seu desempenho. Como disse o treinador, o jogador ainda está sendo lapidado e pode melhorar ainda mais.

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Advogado graduado pela PUC Minas, pós-graduando em Direito Desportivo e Negócios do Esporte, 24 anos. Admito minha preferência pelo futebol bretão, mas aprecio o esférico rolado qualquer terra. Desde a infância, tenho no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; o melhor jogador que vi jogar foi o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Estou também no "O Futebólogo", meu blog.

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