O Crescimento dos EUA na Champions da CONCACAF

  • por Igor Leal da Fonseca
  • 24 Visualizações

Um país que foi formado, em sua maior parte, por povos de diversas partes da África, da Europa Central, além de ingleses, irlandeses, italianos e mexicanos. Um povo sabidamente amante de esportes, com recordes de audiência em decisões de basquete e futebol americano. Uma nação que ainda hoje detém o recorde de público quando o assunto é Copa do Mundo. Mas, inexplicavelmente, um país que, historicamente, tem pouco ou nenhum apreço pelo esporte mais popular do planeta: o futebol.

Rose Bowl lotado para a final da Copa de 1994

Rose Bowl lotado para a final da Copa de 1994

Pois é. O pouco apreço dos Estados Unidos pelo futebol é um mistério. Uma cultura sabidamente voltada para a prática de esportes, com capacidade de investimentos absurda e com um mercado consumidor imenso deveria ser, em tese, terra fértil para o futebol. Mas, por longo tempo, os EUA não foram nada além de uma nação periférica quando o assunto é bola no pé, mesmo após a passagem de jogadores como Pelé, Beckenbauer e Muller por lá.

Beckenbauer e Pelé atuando pelo Cosmos nos anos 70

Beckenbauer e Pelé atuando pelo Cosmos nos anos 70

Mas a história começou a mudar após 1994, quando os EUA sediaram a Copa do Mundo e chegaram às oitavas de final da competição, num jogo que ainda hoje é lembrado pelos brasileiros. Em 1998, um grupo que contava com Alemanha e Iugoslávia não permitiu o avanço. Em 2002, o time chegou às quartas e só não passou pela Alemanha por conta da atuação de Kahn. Em 2006, novamente um grupo complicado impediu os americanos de terem sorte melhor na competição, embora a equipe tenha feito bons jogos contra Itália e Gana.

Na Copa de 2010, as expectativas sobre a equipe eram relativamente altas, especialmente após a campanha na Copa das Confederações no ano anterior, quando eliminaram os espanhóis na semi e fizeram um jogo duríssimo contra o Brasil na decisão, chegando a estar vencendo por 2×0, mas cedendo a virada. E as expectativas foram correspondidas, pois o time passou em primeiro na chave que contava com Inglaterra, Argélia e Eslovênia. Nas oitavas, nova decepção, dessa vez contra Gana.

Em 2014, todos esperavam que a seleção norte-americana fosse presa fácil no grupo que contava com Alemanha, Portugal e Gana, mas a equipe bateu os ganeses, fez jogo duríssimo contra os alemães e portugueses – derrota por 1×0 no primeiro e empate no segundo – e avançou ao mata-mata novamente. Dessa vez o algoz foram os belgas, num jogo que só foi decidido na prorrogação e que brindou o mundo com a fantástica atuação de Tim Howard, goleiro americano.

Um dos muitos milagres de Howard na partida contra a Bélgica

Um dos muitos milagres de Howard na partida contra a Bélgica

Mas, se atualmente já podemos considerar os Estados Unidos uma seleção de escalão intermediária, o mesmo não se pode falar dos clubes do país, já que os resultados obtidos até então são praticamente irrelevantes, com clubes de países como Guatemala, Suriname, Honduras, Trindad e Tobago, El Salvador e, claro, o México, tendo realizado campanhas bem melhores no torneio continental de clubes da CONCACAF.

Porém, a história parece estar mudando, por vários fatores: com média de público em torno de 20 mil nas últimas edições, a MLS deixou o Campeonato Brasileiro para trás e já se aproxima do Campeonato Francês, historicamente um centro bem mais tradicional que os EUA quando o assunto é futebol.

Outro ponto positivo foi a contratação de vários grandes jogadores com mercado em outros centros, especialmente nessa temporada. Chegaram ao país Pirlo, Gerrard, Villa, Kaká, entre outros. Todos, apesar de idade relativamente avançada, com lenha para queimar em clubes menores da Europa e que, em outros tempos, prefeririam ir para equipes do Oriente Médio.

Kaká e Pirlo, estrelas da MLS

Kaká e Pirlo, estrelas da MLS

Por último, a participação de equipes dos Estados Unidos na Liga dos Campeões da CONCACAF nessa temporada é a melhor na história do país desde a mudança para o formato fase de grupos mais mata-mata, que ocorreu em 2008. Para termos noção da evolução, basta notar que os EUA nunca conseguiram colocar esse número de equipes no mata-mata da competição, e que na temporada anterior apenas um time avançou ao mata-mata.

Pode não ser nada demais, pode ser apenas fogo de palha, mas quando o assunto envolve Estados Unidos e esporte, é bom ficarmos de olho.

A fase eliminatória da Liga dos Campeões da CONCACAF começa no próximo dia 23, com os seguintes confrontos:

Querétaro x D.C. United
Seattle Sounders x América
Tigres x Real Salt Lake
L.A. Galaxy x Santos Laguna

33 anos, morador do Rio de Janeiro. Rubro Negro de coração, apaixonado pelo Maracanã, tem no Barcelona o exemplo de clube para o que entende como futebol perfeito, dentro e fora do campo. Estudioso da memória do futebol, tem nessa sua área de maior atuação no site, para preservar a memória do esporte. Dedica especial atenção aos times mais alternativos, equipes que tiveram grandes feitos, mas que não são tão lembradas quanto as maiores do mundo. Curte também futebol do centro e do leste da Europa, com uma coluna semanal dedicada ao assunto. Um Doente muito antes de fazer parte desse manicômio, sua primeira memória acadêmica é uma redação sobre o Zico, na qual tirou 10 e a mesma foi para o mural da escola. Nunca trabalhou com futebol dessa forma, mas adora o que faz junto com o restante do pessoal e se pergunta o porquê de não ter começado com isso antes. Espera recuperar o ''tempo perdido''. Acha Lionel Messi o melhor que viu jogar e tem em Zico, Petkovic e Ronaldo Angelim como heróis.

  • facebook