O Tornado, o Escorpião e o Artista

  • por Fernando Carreteiro
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Conheça o trio sul-americano que fez história no Catar

Carlos Tenório, Felipe e Emerson: ídolos no Catar || foto arquivo

Carlos Tenório, Felipe e Emerson: ídolos no Catar || foto arquivo

O Al Sadd é o clube esportivo de maior sucesso no Catar. Fundado em 1969, possui mais de 50 títulos oficiais, um recorde no país. Durante a década de 90, passou pela maior “seca” de conquistas da sua história, não conseguindo vencer a liga em nenhuma oportunidade. Na década seguinte, retornou às glórias, tendo seu auge na temporada 2006/2007, quando conquistou os quatro torneios oficiais do país. Nesse período histórico de vitórias, três jogadores da América do Sul foram fundamentais para consolidar o Al Sadd como o “patrão” do Catar: o Tornado, o Escorpião e o Artista.

CARLOS TENÓRIO, O TORNADO

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O equatoriano Carlos Tenório chegou no Al Sadd em 2003. Logo em sua primeira temporada, marcou 18 gols em 13 jogos. Também chamado de “Super Teno”, o centroavante foi o artilheiro da liga local em 2006, com 21 gols, fazendo-se fundamental à conquista do título. No mesmo ano, um recorde: em partida válida pela Sheikh Jassim Cup, Tenório marcou 10 gols na vitória de 21 a 0 sobre o Muaither, consolidando sua alcunha de “Tornado”. Em 2008, comemorou a marca de 100 gols com a camisa do Al Sadd.

Tenório é o maior artilheiro da história da Liga das Estrelas do Catar, torneio mais importante do país. Em 2009, transferiu-se para o Al Nasr, dos Emirados Árabes, finalizando sua passagem no clube catari. É tido como uma lenda para os torcedores do Al Sadd.

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EMERSON, O ESCORPIÃO

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Revelado no São Paulo, Emerson começou a ter destaque no Japão. Foram 5 anos de extremo sucesso nas terras nipônicas até que, em 2005, o xeque Jassim bin Hamad bin Khalifa Al Thani, um dos 24 filhos do Emir do Catar, assistiu a uma partida do brasileiro e pagou uma fortuna para levá-lo ao Al Sadd. Emerson passou a ser o parceiro de Tenório e recebeu o apelido de”Al Aqrab”, que em português significa “O Escorpião”. O brasileiro não fazia tantos gols quanto seu companheiro de ataque, mas se tornou o jogador preferido da torcida em pouco tempo de clube.

A temporada de maior sucesso de Emerson foi a de 2006/2007, quando foi eleito o melhor jogador do ano no Catar. A imagem do atacante correndo para beijar a câmera após marcar o pênalti decisivo que determinou a conquista da quádrupla coroa é, até hoje, uma das mais populares entre os fãs do Al Sadd. Outra cena que cativou a torcida foi a de Emerson vestindo uma máscara de lobo, símbolo do clube, para comemorar um gol.

Emerson ganhava muitos presentes, como relógios, carros e casas, a cada gol que marcava no Al Sadd. Quando deixou o clube, em 2009, para atuar no Flamengo, passou a ser conhecido como Sheik, pelo sucesso no Mundo Árabe e também pela voluptuosa soma de bens adquiridos no Catar.

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FELIPE, O ARTISTA

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No Brasil, conhecido apenas como Felipe. No Catar, como Felipe Jorge. Já consolidado como meio-campista, Felipe chegou ao Al Sadd em 2005, após saída conturbada do Fluminense. Com seu talento fora do comum e passes mágicos, Felipe encantou os amantes do futebol cataris. A mídia se referia ao craque como a personificação da arte brasileira de jogar futebol. Ganhou apelidos como “O Mágico” e “O Filósofo”, mas foi “O Artista” que se tornou mais popular no país.

O brasileiro atuou longos cinco anos no Al Sadd, conquistando inúmeros títulos e consolidando-se como um dos maiores ídolos do clube. Hoje aposentado, ainda mantém ligações com o Al Sadd. Frequentemente viaja para visitar ex-companheiros de equipe, receber homenagens e ter contato com seus fãs, sem falar da constante interação com os torcedores nas redes sociais.

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O trio Tenório, Emerson e Felipe conquistou todos os títulos possíveis no Catar, deixando um legado incalculável para o futebol local. A hegemonia do Al Sadd só foi encerrada quando outros dois brasileiros se juntaram no país árabe: Juninho Pernambucano e Araújo, que revolucionaram a trajetória do Al Gharafa. Mas isso é uma outra história…