Um filme que começa a se repetir

  • por Levy Guimarães
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Sabe aquela máxima de que o bom é sempre deixar o melhor para o final?

Se tem um time que nos últimos anos tem levado isso muito a sério, é o Benfica. Os primeiros meses de temporada têm sido marcados por incertezas e por atuações medianas, mas é só virar o ano que a equipe sobe de produção e engrena rumo ao título português.

Foi assim, por exemplo, em 2013/2014, que começou cheio de feridas das traumáticas perdas do título português para o Porto e da Liga Europa para o Chelsea – e, com isso, um time sem confiança, que parecia estagnado nas mãos de Jorge Jesus. Porém, superando todas as expectativas, Jesus encaixou e re-motivou o time e conquistou os três títulos nacionais daquele ano, além do vice da Liga Europa.

Na temporada seguinte, um roteiro parecido. Desfalcado pelo desmanche sofrido no mercado de verão, Jesus teve de remontar o time aos poucos, o que resultou em um primeiro semestre repleto de vitórias magras, enquanto o Porto convencia mais. A partir da vitória por 2×0 no Estádio do Dragão, contudo, ninguém mais segurou os Encarnados na caminhada para o bi.

Foto: SL Benfica / Oficial

O Benfica 2015/16 esteve, durante muitos meses, à procura de uma identidade. Quando chegou, Rui Vitória parecia estar em um terreno que não era o dele. Vindo do Vitória de Guimarães, não demonstrava personalidade o suficiente para lidar com a pressão de treinar um gigante, com as frequentes (e exageradas) provocações do agora sportinguista Jorge Jesus e, principalmente, com a missão de dar uma cara sua ao time, até ali, uma sombra do escrete bicampeão.

Nem mesmo a classificação para as oitavas da Champions League – o que não ocorria desde 2011/12 – convencia as adeptos de que ele era o homem ideal para manter o clube no topo do futebol português. Afinal, o Benfica virou o ano em 3º lugar, a sete pontos do líder Sporting. E foi aí que o jogo começou a virar.

A ideia de equipe que Rui Vitória tinha na cabeça enfim se materializou. A marcação-pressão começou a dar certo e ser mais compacta, dando menos espaço para os adversários e fazendo Júlio César trabalhar menos. E com a bola, o estilo vertical enfim mostrou objetividade e até lances vistosos, principalmente quando Gaitán está em campo. O resultado é a liderança recém-assumida, ainda que no saldo de gols, sobre o Sporting (e seis pontos de vantagem sobre o Porto). E nos últimos dez jogos pelo Português, dez vitórias, 35 gols marcados e 7 sofridos.

Jonas e Pizzi

Algumas performances individuais merecem destaque. Jonas, craque do campeonato passado, faz a temporada da carreira, até agora com 23 gols em 21 jogos, além de 9 assistências, disputando a Chuteira de Ouro da UEFA com nomes como Higuaín, Suárez, Lewandowski, Ronaldo e Neymar. Gaitán é sempre um espetáculo à parte, jogador muito acima do nível do futebol português. Renato Sanches, o novo xodó da torcida, vem se mostrando um volante completo, dando ritmo e sendo decisivo – além das boas temporadas de Júlio César, Samaris, Semedo e Mitroglou. Até Talisca, que parecia perdido, vem reencontrando o bom futebol.

É claro que nem tudo, por enquanto, é favorável ao atual bicampeão. Vale lembrar que, do outro lado, há um treinador muito mais experiente e testado, que sabe como ninguém como lidar com essa situação em Portugal. Além disso, o time da Luz perdeu todos os clássicos até aqui na temporada. O primeiro grande teste desse “novo Benfica” será na próxima rodada, em casa contra o Porto. Três rodadas depois, irá a José Alvalade enfrentar os Leões. Chegou a hora de o Benfica provar que, mais uma vez, deixou o melhor para o final.

Estudante de Jornalismo e redator no Placar UOL Esporte, belo-horizontino, apaixonado por esportes e Doente por Futebol. Chega ao ponto de assistir a jogos dos campeonatos mais diversos e até de partidas bem antigas, de décadas atrás.

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