DOENTES POR FUTEBOL

Esporte Interativo na briga pelos direitos de transmissão

(Por Elcio Mendonça)

Muitos se surpreenderam em outubro do ano passado, quando o Esporte Interativo anunciou que venceu a disputa pela compra dos direitos de transmissão da UEFA Champions League para a TV fechada por três temporadas. A proposta de mais de 150 milhões de euros foi muito superior aos concorrentes. E vale lembrar que ESPN e Sportv se uniram e apresentaram proposta única pela competição.

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A surpresa não aconteceu por acaso. Forte no Nordeste, onde transmite a Copa do Nordeste e outros sete estaduais, o EI até então não era muito conhecido no restante do país, já que não aparecia na grade de canais das operadoras NET e SKY, que dominam mais de 80% do mercado de TV por assinatura. O fato da região nordestina contar com outras opções no serviço de TV fechada, assim como as inúmeras transmissões com os clubes locais, aproximaram a emissora dos torcedores locais, mas era pouco para quem queria bater de frente com os já consolidados Sportv e ESPN, além da novata Fox Sports.

A compra da Champions foi o primeiro passo do ambicioso projeto do Esporte Interativo, que não demorou para furar o “bloqueio” da NET e entrar no seu grupo de canais. A operadora, que pertence ao mesmo grupo que contrala a Claro TV, conta com mais de 50% do mercado nacional. Adquirido pela Turner, gigante do mundo da comunicação, dona de canais como CNN, Cartoon Network, TNT, Space, entre outros, o EI tem grande potencial de investimento e vê como uma importante estratégia de crescimento a entrada nas transmissões do Campeonato Brasileiro.

Com um formato de negociação diferente do até então apresentado pela Globo, o Esporte Interativo surge como uma interessante alternativa para quem está descontente com a “Plim Plim”. Atlético Paranaense, Bahia e Santos oficializaram recentemente o acerto com o canal. O Coritiba também chegou a um acordo, mas ainda não assinou o contrato. Além deles, Grêmio, Internacional e Santa Cruz estão em negociações avançadas. Vale ressaltar que o Flamengo também negocia com a emissora.

E esse número deve crescer. Como os contratos terão validade apenas a partir de 2019, quando expira o atual vínculo com a Globosat, outros clubes poderão ascender à Série A e negociar os direitos de transmissão com o EI. A entrada de um novo agente no mercado é extremamente benéfica ao futebol brasileiro. A última vez que o Sportv dividiu as transmissões da Série A foi em 1997, quando a ESPN acertou com os times que não faziam parte do extinto Clube dos 13.

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A concorrência valoriza os clubes. Para se ter ideia, a quantia de quase R$600 milhões (se todos os clubes fecharem) oferecida pelo Esporte Interativo apenas para a TV fechada é nove vezes maior do que a proposta do Sportv. A divisão das cotas também é algo a se destacar. O EI promete utilizar o modelo inglês. 50% será distribuído igualmente entre os clubes, 25% através da classificação do ano anterior e outros 25% levando em conta a audiência. Diante deste cenário, a Globosat sinalizou mudanças no formato das negociações. Passou a oferecer luvas e aceitou discutir o modelo da divisão da cota. Foi assim que convenceu o São Paulo a não fechar com o EI e renovar seu vínculo com a Globosat.

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O que também seduziu os clubes foi o fato da emissora prometer respeitar os namming rights (estádios e equipes, vide o caso do Red Bull, que é chamado por Globo e Sportv como RB Brasil), assim como as placas de publicidade instaladas nos estádios. O torcedor também ganhará diretamente com o novo acerto. Com duas emissoras concorrendo, mais jogos deverão ser transmitidos na TV fechada ao invés do pay per view, principalmente pelo fato do Esporte Interativo não contar com tal sistema.

De acordo com a Lei Pelé, os dois clubes envolvidos no jogo precisam ter assinado com a mesma emissora para que um jogo possa ser transmitido. Sendo assim, é possível que EI e Sportv entrem em acordo para transmitirem jogos envolvendo clubes de cada TV. Difícil imaginar que um jogo não será transmitido por conta disso. 

Ainda não é o modelo ideal. O certo seria uma negociação única envolvendo os 20 clubes da Série A, comercializando de forma separada cada propriedade (tv aberta, fechada, pay per view, web, mobile e transmissão internacional), valorizando ainda mais o produto.

Mas não se pode negar que a quebra do monopólio já é um avanço.

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