Qual o limite de Pogba?

  • por Jean Madrid
  • 1 year atrás

Se na temporada mágica de 2014/15 da Juventus, quando Tévez e Pirlo lideravam a equipe, Paul Pogba já era tratado como um dos principais jogadores do time, atualmente a tendência se confirmou. O francês se tornou o craque, a referência, não só ditando o ritmo do meio-campo, como também participando efetivamente da construção de jogadas, saída de jogo e da recomposição sem bola.

⚽ Pogba e o protagonismo na Juventus

Foto: Reprodução Juventus – O homem da Juve de Allegri

Não é de hoje que Pogba é um meia world-class, e um dos melhores jogadores do mundo, mas é notável a sua evolução, em específico, no último ano. Depois de duas temporadas frustradas em nível europeu (porém com amplo domínio no campeonato nacional), de 2014 para cá a Vecchia Signora parece ter reacendido o futebol italiano no cenário internacional. Se na última temporada, Andrea Pirlo e companhia pararam em um Barcelona extraordinário, hoje a Juve parece ter os recursos para bater de frente com qualquer equipe no mundo e muito disso graças a Pogba.

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Com a saída dos pilares do time (Pirlo, Vidal e Tévez), sua reconstrução invariavelmente passaria muito pelo francês. Era o remanescente em quem todos botavam fé, e, como um jogador experiente que não tem medo de explorar seu potencial, o jovem de 22 anos chamou a responsabilidade. É claro que Massimiliano Allegri reforçou bem a equipe, trazendo peças de reposição à altura das que lhe foram tiradas, porém é provável que nem o técnico esperasse um salto tão extremo de Pogba de 2015 para 2016.

O camisa 10 exerce a mesma função da última temporada: é um volante/meia que ocupa o vértice esquerdo do losango central. Entretanto, sua atuação não se limita a essa posição. Pogba tem liberdade e, mais importante do que isso, inteligência tática para flutuar pela meia-cancha explorando todos os seus recursos. Ora é um volante que dá o primeiro passe, ora o meia que rege a cadência da equipe; ora o criador de jogadas central, ora o homem mais aberto pelos flancos. A capacidade de Pogba de se adaptar e manter o nível intenso e influente sobre o jogo em qualquer posição faz dele o cérebro e a engrenagem da Juventus de Allegri.

Foto: Wyscout - Mapa de calor Pogba

Foto: Wyscout – Mapa de calor Pogba

Outros dois pontos nos quais o francês evoluiu significativamente de uma temporada para outra – e isso não quer dizer que era um aspecto fraco de seu jogo – é a chegada ao ataque e a recomposição defensiva.

Ofensivamente, Pogba é completo: dribla, chuta e conduz como poucos. Seus atributos ofensivos só são “piores” que os de criação e regência. O meia é, na teoria, o homem do passe, seja ele o último ou o primeiro, contudo, diversas vezes vemos o camisa 10 desconstruir linhas e concluir jogadas sozinho. Em palavras mais claras, Pogba é como um elemento surpresa, que, quando menos se espera, usa de sua habilidade para mudar radicalmente a partida.

Defensivamente, Paul faz uso de sua estatura e porte físico para se sobressair. Sua força combinada com sua inteligência não o fazem um defensor de elite, mas obviamente dão a ele vantagem sobre os adversários, fazendo com que sua marcação e recomposição se deem de forma efetiva.

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O ponto forte, e que chama mais a atenção, é a capacidade que o jogador tem de ditar o ritmo. Pogba não é veloz, mas também não é lento. Pode receber a bola, girar o corpo, e, com poucos passes, criar uma situação de perigo. Também pode conduzir, proteger e lançar um companheiro. Para um atleta de 22 anos, seu QI futebolístico é muito acima da média.

Foto: Reprodução Juventus – O topo não parece estar tão longe para Pogba

A maioria das mídias esportivas colocam Pogba no topo das grandes promessas do futebol mundial. Muitos discordam. Para alguns, Pogba já é uma realidade, que, sim, tem potencial para evoluir ainda mais, o que não muda o fato de ser, hoje, um dos melhores e mais técnicos jogadores do mundo.

O que o futuro reserva para o francês é difícil de imaginar, porém o que a atualidade mostra é que o topo não parece estar tão longe.

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A classe de Zidane, a sintonia de Xavi e Iniesta, a irreverência do baixo e o cabelo do Beckham.