Renato Sanches, o diamante bruto do Benfica

  • por Levy Guimarães
  • 2 Anos atrás

Após iniciar de forma inconstante a temporada 2015/2016, o Benfica procurava por um organizador de jogo. A equipe precisava elevar a qualidade da saída de bola, com um atleta que chegasse de trás para tabelar com Gaitán, Jonas e os outros homens de frente. Pizzi, que havia feito a função de forma bastante eficiente no ano anterior, estava rendendo abaixo do esperado (só foi se reencontrar depois, atuando mais adiantado). Anderson Talisca, testado no setor pelo técnico Rui Vitória, também decepcionou, errando muitos passes e se mostrando em uma sintonia diferente do resto do time. Foi aí que, já em novembro, o treinador encarnado percebeu que a solução estava bem embaixo do seu nariz.

OLHO NELE RENATO SANCHES

Lisboeta de origem cabo-verdiana e benfiquista desde criança, Renato Sanches nasceu em 18 de agosto de 1997 e, aos oito anos de idade, deu seus primeiros passos no futebol pelo Águias da Musgueira, um time de bairro da capital portuguesa. Naquela época, já com seus conhecidos dreads, mostrava aptidão para cumprir diferentes funções dentro de campo. Era um verdadeiro “faz-tudo” na meia-cancha do seu modesto time, atuando teoricamente como volante, mas também aparecendo no ataque, partindo para cima das defesas e, é claro, voltando para marcar.

Não demorou para o garoto mostrar suas virtudes em um grande clube. Ingressou aos nove anos no Benfica, onde já jogava com e contra meninos de idades mais avançadas. Queimar etapas nunca foi um problema para ele: no primeiro ano de time júnior, em 2014, foi alçado aos 16 ao Benfica B, que disputa a segunda divisão portuguesa, onde fez suas primeiras partidas como jogador profissional. Disputou 24 jogos, se firmou como titular e começou a ser notado pelos benfiquistas mais atentos, que começavam a ver em Sanches um futuro craque. Foi nesse período também que se firmou como um “8”, aquele volante que percorre todo o meio-campo, distribui jogo e não tem medo de chutar de longa distância.

Lembra do volante que Rui Vitória tanto procurava nos primeiros meses de 2015/2016? Pois, em 25 de novembro do ano passado, Renato Sanches, 18 anos, ganhou a chance de começar como titular ao lado de Samaris na posição – e logo em um jogo de UEFA Champions League, no confronto fora de casa contra o enjoado Astana, que, com seu gramado sintético, já tinha arrancado pontos de Atlético de Madrid e Galatasaray. A atuação encarnada no empate por 2×2, conseguido a duras penas, não foi das melhores, mas isso não impediu Sanches de ser um dos destaques em campo. Estreante mais novo do Benfica em competições europeias no século, jogou como um veterano, apresentando todas as suas características e mostrando ao treinador benfiquista que, a partir dali, a posição era dele.

A entrada de Renato Sanches no onze inicial foi um dos fatores decisivos para que o time, enfim, encontrasse um estilo de jogo eficiente, com um toque de bola objetivo, intensidade e muitos gols. Com ele como titular, são 17 jogos, com 15 vitórias, um empate e duas derrotas – 90% de aproveitamento. Nas 10 rodadas anteriores do Campeonato Português, por exemplo, o aproveitamento era de 63% (contando apenas o certame nacional, o time conquistou 92,3% dos pontos com Sanches).

A força física, velocidade, bom toque de bola, visão de jogo e os chutes de longa distância de Renato Sanches já despertam o interesse de clubes milionários da Europa. Notícias recentes ligaram o nome do jogador a gigantes como Real Madrid e PSG, mas, ao que tudo indica, o Manchester United deve ser o destino do português em um futuro bem próximo. A multa rescisória é a mais alta que um benfiquista já teve: 80 milhões de euros. Afinal, é a maior revelação do clube desde Rui Costa.
Sanches recebendo o Prêmio Golo do Mês
Seja no Benfica, no United ou na seleção portuguesa (onde ele certamente estará por muito tempo), o que podemos esperar nos próximos anos é o desenvolvimento de mais um futuro expoente de uma geração que já tem nomes como Rúben Neves e William Carvalho. Um jogador que promete estar entre os grandes do futebol mundial.

Olho Nele!

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Estudante de Jornalismo e redator no Placar UOL Esporte, belo-horizontino, apaixonado por esportes e Doente por Futebol. Chega ao ponto de assistir a jogos dos campeonatos mais diversos e até de partidas bem antigas, de décadas atrás.