A afirmação de Mkhitaryan no Borussia Dortmund

  • por Raniery Medeiros
  • 1 year atrás

O armênio Henrikh Mkhitaryan chegou ao Borussia Dortmund em 2013 com a incumbência de substituir o ex-queridinho da torcida, o alemão Mario Götze. Contratação mais cara do clube à época, Henrikh desembarcou em Dortmund com status de jogador diferenciado.

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Após ótimas temporadas no Shakhtar Donetsk, esperava-se que logo se enquadrasse no esquema de jogo dos aurinegros. A empolgação perante o futebol do atleta que enxergava o jogo como poucos fazia total sentido, principalmente pelo ano de 2012/2013 – o melhor do armênio com a camisa do Shakhtar. Participativo, goleador e assistente. Chegava a hora de demonstrar tudo isso na Alemanha.

Entrosamento? Jogo mais dinâmico? Não se sabe ao certo os porquês do atleta ter demorado a entrar no ritmo de uma equipe que manteve a base do vice-campeonato na Champions League. É bem verdade que na Ucrânia ele era o dono do time, movimentava-se pela esquerda, direita e centro, mas no Borussia algo o “engessava”. Não foi um ano totalmente insatisfatório, já que o BVB voltou a figurar nas fases agudas do torneio europeu.

Contudo, sua péssima partida contra o Real Madrid, principalmente no Signal Iduna Park, fez com que a torcida o olhasse com desconfiança. Ficou com o estigma de omisso e sem poder de decisão em 2013/2014. A temporada seguinte foi de total infelicidade para o Dortmund, que começava a sofrer com o desgaste entre time, diretoria e Jürgen Klopp. Sendo assim, para 2015/2016, Henrikh tinha em mente que seus aspectos técnicos e táticos deveriam passar por readaptações. A chegada de Thomas Tuchel trouxe uma nova filosofia de jogo aos aurinegros, e quem mais se beneficiou com isso foi Henrikh Mkhitaryan.

“Thomas Tuchel me transformou num jogador de altíssimo nível”.

A nova identidade da equipe mexeu até mesmo com a empolgação de sua torcida. O grande responsável por esta boa fase é o camisa 10. Os holofotes estão todos apontados para Reus e Aubameyang, que possuem méritos para isso. Porém, assista aos jogos do Borussia e entenda a importância e representatividade do armênio, que marcou 23 gols e distribuiu 26 assistências. Um absurdo!

Seu poder de articulação é letal, bem como suas finalizações de média distância – fator esse readaptado por Thomas Tuchel. Tal situação pode ser comprovada pelo montante de gols anotados pelo BVB na atual temporada. O armênio entendeu que, sem sua participação, a equipe não renderia o esperado lá na frente. Seus parceiros não conseguiriam encontrar os espaços deixados pelas defesas adversárias.

Quem o acompanha desde o Shakhtar sabe que o camisa 10 tem muito mais oferecer em campo. O novo Dortmund passou a preconizar a paciência, maior volume de passes, verticalização, profundidade, deslocamento etc. Guardar posição seria inadmissível, principalmente com Reus e Aubameyang jogando em alto nível. A estreia diante do Borussia Mönchengladbach mostrou exatamente isso. Domínio no meio, mas com liberdade para cair pelos lados, dando profundidade a Mathias Ginter.

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As funções dentro de campo foram amplificadas de acordo com as equipes que seriam enfrentadas. Porém, a grande diferença de Mkhitaryan em relação aos anos anteriores de Dortmund foi a chegada como elemento surpresa. Nunca fora um exímio goleador, mas era recorrente vê-lo na “end zone” adversária. O bom exemplo pode ser encontrado na vitória sobre o Werder Bremen. Repare no 4-1-4-1 dos aurinegros, em que Henrikh apresenta-se pelo meio, por vezes até entrando como centroavante.

Mediante as exigências do futebol de espaços reduzidos, o armador do time não pode se dar ao luxo de esperar a bola nos pés. Na vitória sobre o Wolfsberger (Austria) o camisa 10 foi visto na direita, esquerda, centro, marcando o lateral adversário.

PELA ESQUERDA

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PELO CENTRO 

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DENTRO DA ÁREA

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Thomas Tuchel fez com que a confiança de seu atleta fosse recuperada. O esquema é um fator de suma importância para que a engrenagem funcione, contudo, no fim, é a percepção do jogador que define. Várias táticas e variações foram utilizadas (4-1-4-1, 4-2-3-1, 4-3-1-2), e em todas elas Mkhitaryan surgiu como a mente brilhante do time. Reus tem, pelo clube, futebol e status. Já Aubameyang é o insaciável goleador. Mas é o camisa 10 quem mais aparece aos analisarmos os gols da equipe na atual temporada, deixando a muralha amarela ainda mais empolgada.

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O Borussia Dortmund atual joga mais agrupado, com bastante aproximação do quarteto fantástico: Reus, Mkhitaryan, Kagawa e Aubameyang. Perceba na foto abaixo: Gündoğan tem a saída de bola, o quarteto se aproxima e, na esquerda, Schmelzer aparece sozinho para a jogada em profundidade. Isso requer treinamento, entrosamento e muita, mas muita leitura de jogo.

Foto: Analysis spielverlagerung

                                                                   Foto: Analysis spielverlagerung

Não precisa ser torcedor dos aurinegros para ficar maravilhado com a inteligência tática do armênio. Basta apreciar e perceber as reais funções de quem veste a 10 às costas. Sua temporada 2015/2016 é surreal, e de total afirmação.

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