Em Berlim, o Borussia Dortmund renova suas esperanças

  • por Gregor Vasconcelos
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Foto: bvb.de (site oficial)

Foto: bvb.de (site oficial)

O apito final no Anfield Road soou como o anúncio do apocalipse para o BVB. Enquanto Jurgen Klopp comemorava fervorosamente, seus antigos comandados iam ao chão, sem acreditar no que acabara de acontecer. Em trinta inexplicáveis minutos, o Borussia Dortmund viu escapar a chance de coroar a temporada.

– Não existem palavras para explicar o que aconteceu – disse Thomas Tuchel depois do jogo.

– Temos que fazer o máximo para tentar por essa decepção para trás, até no máximo quarta-feira, em Berlim – continuou o treinador.

Essa era a primeira vez na temporada que o Dortmund ficava três jogos sem vitória. Três jogos que tiraram a equipe da Europa League e praticamente confirmaram que o título alemão ficaria em Munique.

Essa deveria ter sido uma temporada de transição. Apesar da arrancada no fim da última temporada e a chegada de Tuchel, haviam questões importantes: como se comportaria o elenco, que aparentava cansaço no final da era Klopp, com o novo treinador? Como seria Tuchel capaz de substituir um ícone da história recente do clube? Estas perguntas foram facilmente respondidas dentro de campo.

Com vinte pontos a mais que o terceiro colocado, o Bayer Leverkusen, o Borussia conseguiu se manter sempre na cola do poderoso Bayern durante a atual temporada da Bundesliga, tendo o melhor ataque da competição. Além disso, se firmaram como grandes favoritos à Europa League, eliminando Porto e Tottenham na competição continental, e alcançaram a semifinal da Copa da Alemanha.

Enfrentando agora uma “mini-crise” após a derrota no Anfield, iria o Dortmund aproveitar sua última chance de êxito na temporada ou veria todo o seu trabalho ir por água abaixo em duas semanas?

Sem a segurança de outros clubes grandes da Europa na manutenção de jogadores – peças importantíssimas como Pierre-Emerick Aubameyang, Henrikh Mkhytarian e Ilkay Gundogan têm suas saídas fortemente especuladas ao final da temporada – uma conquista passa a ser importante para coroar o trabalho desse elenco. Assim, criou-se um clima perfeito para a semifinal da Copa da Alemanha, em Berlim, na noite desta última quarta (20).

De um lado, um Dortmund ferido. De outro, um Hertha Berlin que vive temporada mágica, brigando por vaga na próxima Champions League e atrás de um grande sonho: jogar a final da Copa da Alemanha em casa pela primeira vez.

O JOGO

Se a derrota em Liverpool realmente deixou marcas, elas não foram nada aparentes em Berlim. A torcida não só lotou a área visitante do Estádio Olímpico, que contou com uma arquibancada extra temporária para satisfazer a demanda dos borussianos por ingresso, como também ocupou, de maneira claramente visível, algumas seções da arquibancada destinadas aos donos da casa.

Em campo, o Dortmund deu show, exibindo todas as qualidades pelas quais o time de Tuchel ficou conhecido durante a temporada. Era como se o trauma da semana anterior jamais tivesse acontecido. Uma resposta enfática aos críticos: esse Dortmund cicatriza rápido! O Hertha, que em fevereiro manteve o BVB zerado no placar, mal conseguia sair de seu campo de defesa.

Era a tese de Tuchel, usada a sua perfeição. Ao começar seu trabalho em Dortmund, o treinador resolveu alterar o estilo de jogo da equipe sem mudar totalmente a filosofia, ajustando-o ao novo status do Borussia: um time a ser temido.

O estilo ‘gegenpressing’, implementado por Klopp, já havia perdido um pouco da sua magia nos últimos dois anos devido a este novo status. Poucos times arriscavam partir para cima do Borussia sabendo do perigo que isto poderia representar. Algo que explica um pouco o inicio catastrófico da equipe na última temporada. Mas o estilo de jogo do antigo comandante não foi totalmente ignorado para encontrar uma evolução. É anda parte importante no esquema de Tuchel, que implementou sua própria filosofia de sufocar os adversários usando a bola ao estilo de Klopp, criando assim um time muito mais imprevisível.

Hoje, o Dortmund é preparado tanto para reagir à uma proposta ofensiva adversária quanto para tomar a iniciativa de furar a mais chata das retrancas. É um time com mais opções, que gosta de ter a bola no pé.

No Estádio Olímpico, como o Hertha se posicionou em frente a própria área para evitar as bolas alçadas que resultaram nos três gols em Liverpool, o Dortmund encontrou seus gols pelos lados do campo. O primeiro tempo terminou em 1-0, com belo gol de Gonzalo Castro, após cruzamento de Shinji Kagawa da direita. Se não fosse uma chance inacreditável perdida por Marco Reus, depois de novo cruzamento, desta vez da esquerda, poderia ter sido pior para os donos da casa.

Quando o jogo aparentava ficar mais nervoso, Reus se redimiu e decretou a vitória do Dortmund em um gol típico da antiga era Klopp. Ramos recuperou a bola enquanto o Hertha saía e tocou para Kagawa, que encontrou Reus livre na área para finalizar outro cruzamento rasteiro. Ainda houve tempo para mais um, de Mkhytarian, complementando outro cruzamento rasteiro, desta vez de Reus.

Liderados pelo capitão Mats Hummels, os jogadores se dirigiram à torcida após o apito final, comemorando juntos a vitória. Uma vitória que mostrou não só a força futebolística como também a força mental da equipe.

Agora, para coroar sua grandíssima temporada, o Borussia vê a sua frente ‘apenas’ o poderoso Bayern e o estigma de ter perdido as três ultimas finais da competição. Porém, conhecendo os comandados de Tuchel, não aconselharia uma aposta contra eles.

Torcedor fanatico do Arsenal e do Flamengo, Gregor é fã de longa data da Premier League, acompanhando a liga avidamente há 10 temporadas. Formado em linguística inglesa pela universidade King's College em Londres, agora faz mestrado em linguistica e literatura na universidade de Zurich. Colunista da extinta revista "Doentes por Futebol", hoje é o editor de futebol inglês no site.

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