O ano perdido no Dragão

  • por Levy Guimarães
  • 2 Anos atrás

A temporada 2015/2016 parecia bastante promissora para o Porto. O clube do Norte de Portugal largava como o principal favorito ao título nacional, após dois anos assistindo ao Benfica erguer a taça. Afinal, entre os três candidatos ao título, foi o que mais investiu em reforços de peso e apostou na continuidade de um trabalho que até então apresentava mais pontos positivos que negativos – em vista do Benfica, que parecia enfraquecido após a saída de Jorge Jesus, e do Sporting, um time ainda em formação com a chegada do técnico do rival lisboeta.

Porém, o que aconteceu foi o efeito inverso. O trabalho de Julen Lopetegui nesta temporada foi absolutamente decepcionante. Ao invés de corrigir os erros, como os espaços deixados atrás e a falta de alternativas às jogadas de linha de fundo, e potencializar as virtudes, como a boa troca de passes e a marcação-pressão logo após a perda da posse de bola, o torcedor portista viu uma equipe menos agressiva, aceitando mais facilmente as marcações adversárias e com os antigos defeitos na retaguarda. Alguns bons resultados vinham escorados no talento de Brahimi e em lampejos de genialidade de Casillas, ou simplesmente na superioridade individual perante os adversários de menor porte. Aliada às más exibições na Liga Portuguesa, veio a eliminação na fase de grupos da Liga dos Campeões – dessa vez com o goleiro campeão do mundo saindo como vilão após uma falha grotesca na derrota em casa para o Dinamo de Kiev.

Apesar de, ainda no início de janeiro, brigarem por título, os Dragões não aguentavam mais aquele jogo burocrático e sem muita gana, e a inevitável demissão de Lopetegui aconteceu. O problema é que a vinda de José Peseiro não resolveu em nada os problemas do time, pelo contrário. O pouco de agressividade que o sistema defensivo mostrava desapareceu e, na tentativa de um estilo de jogo mais objetivo e combativo, o time ainda não ganhou um padrão de jogo. Mesmo as individualidades não têm aparecido: Brahimi vive a sua pior fase desde que chegou a Portugal, as contratações de Imbula (a mais cara da história do Porto) e Osvaldo saíram pela culatra – tanto que ambos já deixaram o clube – e Aboubakar não tem sido o 9 que os adeptos esperavam. De mais positivo, a excelente temporada do volante Danilo Pereira, muitas vezes um leão solitário no meio-campo.

Além da qualidade das exibições, o rendimento na liga nacional também caiu: de 77% com Lopetegui para 62% com Peseiro. O que aumentou, e de forma significativa, foi a média de gols sofridos, oito em 16 rodadas com o técnico espanhol contra 15 em 13 jornadas com o português. A saída de Lopetegui, naquele momento, pode ser considerada justa, pois o Porto mostrava pouquíssima perspectiva de melhora. Mas a contratação de Peseiro, que nunca havia feito um trabalho de destaque por um grande clube (teve altos e baixos no Sporting em 2004/2005), também esteve longe de ser a melhor escolha.

Passada a temporada quase inteira, resta ao Porto a final da Taça de Portugal, contra o Braga, na tentativa de salvar esse 2015/2016. Mas conquistando ou não a copa doméstica, o legado técnico e tático para o próximo ano é praticamente nulo. O Porto é hoje um time sem variações de jogadas, com uma defesa desorganizada e de pouca garra quando precisa buscar um resultado – como ficou evidente na derrota vexatória em casa para o nanico Tondela, lanterna do Português, por 1×0. O elenco, que há oito meses parecia forte, mostra deficiências em quase todos os setores.Jogadores como os atacantes Suk, Marega e até mesmo Varela e Aboubakar, o meia Evandro e o zagueiro Martins Indi, entre outros, tiveram desempenho bem abaixo do esperado. Casillas, apesar de ter se agigantado nos dois clássicos contra o Benfica, mostrou sinais de decadência em outras partidas e também tem a sua permanência questionada. E ainda há a possibilidade de saída de Brahimi e talvez Ruben Neves ou até Danilo Pereira.

Porto 0-1 Tondela

O marasmo vivido nos últimos meses já faz o Porto pensar na próxima temporada. Mudanças significativas no plantel devem ser feitas, principalmente na zaga e no ataque, procurando manter os bons Danilo, Ruben Neves, André André e Sérgio Oliveira no meio. Mas a prioridade da diretoria portista deve ser o comando técnico. Mesmo tendo assinado por um ano e meio, não há muitos indícios de que Peseiro seja o homem certo para reconduzir o gigante do Norte aos títulos.

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Estudante de Jornalismo e redator no Placar UOL Esporte, belo-horizontino, apaixonado por esportes e Doente por Futebol. Chega ao ponto de assistir a jogos dos campeonatos mais diversos e até de partidas bem antigas, de décadas atrás.