O que esperar das oitavas de final da Copa Libertadores 2016

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Por Giovani Dalla Valle, Gustavo Ribeiro, Lucas SousaOsmar Júnior, Sérgio Ricardo e Wladimir Dias

Dizem que a Libertadores começa pra valer agora, a partir das oitavas de final. Tudo o que aconteceu ficou na fase de grupos e uma nova competição se inicia. Desde de 2005, quando o sistema de classificação para as oitavas iniciou o padrão atual, apenas o Atlético-MG, em 2013, foi o melhor da fase de grupos e o campeão. No ano passado, o River Plate foi o pior segundo colocado e levou a taça pra casa; em 2014, o San Lorenzo foi o segundo pior e saiu da fila na competição continental. Enfim, muitas surpresas acontecem nas eliminatórias da Libertadores. E a edição deste ano promete ser espetacular: tem Brasil x Argentina logo nas oitavas, campeões se enfrentando, time pequeno querendo ser surpresa e alguns confrontos equilibradíssimos. A história da Copa Libertadores 2016 continua sendo escrita e o Doentes por Futebol traz para você uma projeção do que vai acontecer nas oitavas de final.

Atlético Nacional x Huracán

Arte: Doentes por Futebol - As prováveis escalações de Atlético Nacional e Huracán

Arte: Doentes por Futebol – As prováveis escalações de Atlético Nacional e Huracán

Um dos jogos das oitavas de finais dessa Libertadores terá o reencontro dos dois classificados do Grupo 4. Enquanto o Atlético Nacional chega como o melhor primeiro colocado no geral, o Huracán aparece como o pior de todos os segundos colocados dessa fase de grupos. Nos dois jogos já disputados, o time colombiano saiu invicto com uma vitória por 2×0 na Argentina e um empate em 0x0 em Medellin. Mesmo chegando com a melhor pontuação no geral na fase de grupos, o Atlético Nacional tem as últimas edições como exemplo de que esse fator não deve ser levado muito em conta.

Se os críticos achariam que o Atlético Nacional não continuaria competitivo após a saída de Osório, que deixou o comando do clube em 2015 para dirigir o São Paulo, estavam enganados. Reinaldo Rueda, que foi o escolhido para dar sequência ao trabalho, consegue manter o time disputando títulos e colocando sua filosofia em prática. Ao contrário de seu antecessor, Rueda não é o maior adepto do rodízio de jogadores e prefere manter uma base fixa no decorrer dos jogos.

Outro ponto interessante a se destacar é o sistema defensivo passando mais segurança (prova disso é a defesa ter saído ilesa, sem nenhum gol sofrido até aqui) mas ainda mantendo a identidade do time ofensivo que procura o gol a todo momento, seja construindo a jogada desde o campo defensivo ou nos contra-ataques – arma cada vez mais perigosa desse time.

Com Osorio, o sistema tático variava do 4-3-3 para 3-4-3 ou para 3-5-2. Já Rueda adotou o 4-2-3-1, que tem a parte ofensiva formada por Guerra, Copete, Víctor Ibarbo (aquele mesmo, que passou pela Roma) e Marlos Moreno e são responsáveis pelo time que teve um dos melhores ataques na fase anterior com 12 gols marcados. Aliás, olho no jovem Marlos Moreno, de apenas 19 anos e que já é um dos protagonistas do time e já tem seu nome especulado no futebol europeu. Nessa Libertadores já são três gols marcados e duas assistências.

Se tecnicamente é inferior e vem de uma campanha sem muito do que se vangloriar, o Huracán pode se apegar na história pra se motivar: desde 2005, quando o atual formato da Libertadores foi adotado com 32 duas equipes, só o Atlético Mineiro foi primeiro colocado geral na fase de grupos e chegou ao título. Em quatro oportunidades (2010, 2011, 2014 e 2015), o melhor time na fase de grupos foi eliminado ainda nas oitavas de finais.

O time comandado por Eduardo Domínguez fechou essa fase de grupos atuando num 4-1-4-1, com Matias Fritzler à frente da zaga e Ramón Ábila, autor de quatro dos sete gols do time na competição, mais avançado. Um dos times que mais erra passes na competição, deveremos ver um Huracán apostar no contra-ataque e não se sentir desconfortável se não tiver a bola durante a maior parte do confronto.

Rosário Central x Grêmio

Arte: Doentes por Futebol - As prováveis escalações de Rosário Central e Grêmio

Arte: Doentes por Futebol – As prováveis escalações de Rosário Central e Grêmio

Rosário Central e Grêmio é um dos confrontos mais parelhos das oitavas de final da Libertadores 2016. E não apenas pela força de cada time. As campanhas na competição são semelhantes: três empates, duas vitórias e uma derrota, o que rendeu aos argentinos o pior aproveitamento entre os líderes e aos brasileiros o melhor entre os segundos colocados. A frente dos times, dois ex-jogadores com passagens marcantes pelos clubes vem despontando como ótimas revelações no cargo: Eduardo Coudet e Roger Machado. E dos dois lados jovens promessas brilham com o suporte de companheiros mais experientes: Franco Cervi, Giovani Lo Celso e Gastón Gil Romero por parte canalla, Lincoln, Luan e Wallace pelo tricolor.

Com tantas semelhanças, Central e Grêmio se diferenciam pela importância que deram a Libertadores. Se para os brasileiros ela é a taça mais cobiçada da temporada, os argentinos deram preferência ao campeonato nacional, que não vencem desde 1987. Como parte desse planejamento, Coudet utilizou um time misto durante a primeira fase e o desempenho é a mostra de que o Rosário tem um bom elenco.

A formação base é um 4-4-2 em losango que conta com muito apoio dos laterais e jogo pelas beiradas, principalmente quando o Cervi ou Lo Celso saem da faixa central. Os dois meio-campistas a frente do volante (os carrilleros, como dizem na Argentina) têm muita chegada à frente e formam uma linha de três homens ao lado do meia ofensivo e atrás da dupla de atacantes, movimentação que exigirá muita atenção por parte do tricolor gaúcho para não ceder espaços e permitir superioridade numérica na entrada de sua área. Individualmente, o artilheiro Marco Rúben, Cervi e Lo Celso merecem atenção especial.

Para o Grêmio, uma passagem as quartas é a resposta perfeita para um início de ano oscilante. Afinal, quem é o Grêmio de 2016? O que amassou a LDU na Arena ou o que não chegou à final do Gauchão? Roger faz um belo trabalho e extrai de alguns jogadores mais do que eles poderiam render através de um modelo de jogo bem treinador. Falta ser constante e competitivo. E o duro embate frente ao Rosário é um grande desafio que pode ser o ponto para uma guinada no ano. Derrotar uma das melhores equipes da Argentina (se não a melhor) e passar de fase na Libertadores elevaria a moral do elenco para superar o início ruim e ir em busca do título mais cobiçado pela torcida. Para isso, o Grêmio precisa estar no seu melhor nível.

Pelo que demonstrou na Libertadores, os Canallas vão pressionar alto, jogar pra frente e tentar ao menos um gol fora de casa, buscando minimizar qualquer vantagem do Grêmio para o jogo de volta. O time brasileiro pode se aproveitar disso usando a velocidade de Luan e Bolaños contra a dupla de zaga formada por Pínola e Donatti, que deve jogar adiantada e deixando espaços as suas costas. A movimentação constante dos homens de frente do Imortal também será de suma importância, uma vez que o Rosário faz marcações individuais e com muita pressão. Portanto, quem não ficar parado abrirá espaços para que outros companheiros possam se aproveitar deles.

Em um confronto equilibrado os detalhes são cruciais. Manter a concentração, evitar qualquer “pilhagem” argentina e jogar com muita intensidade (o que o Grêmio de 2015 fazia muito bem) devem estar no pacote tricolor para esses dois jogos. No mais, deveremos ter grandes jogos de futebol com duas equipes que gostam de atacar o adversário e ótimos treinadores manejando suas peças em campo.

Atlético x Racing

Arte: Doentes por Futebol - As prováveis escalações de Atlético-MG e Racing

Arte: Doentes por Futebol – As prováveis escalações de Atlético e Racing

Pelo quarto ano seguido, o Atlético está nas oitavas de final da competição mais importante do continente. E para evitar a eliminação ocorrida nas duas últimas temporadas nessa fase, o presidente Daniel Nepomuceno resolveu dar um upgrade no elenco, visando o sonhado bicampeonato do torneio. Dentre as principais chegadas, estão: Robinho, Cazares, Clayton, Erazo e Pablo (volta de empréstimo). Na primeira fase da competição, o time alternou excelentes exibições diante de Colo-Colo (no Independência) e Melgar (no Mineirão), porém foi muito abaixo da crítica na derrota para o Independiente Del Valle (no Equador). E qual será o Atlético que adentrará no ‘El Cilindro’ em Avellaneda, nesta quarta-feira, para encarar o Racing?

O jovem meia equatoriano Juan Cazares é um exemplo dessa oscilação na equipe do Galo. O baixinho fez excelentes partidas nesta primeira parte da temporada, mas na vitória no último sábado diante da URT pela semifinal do Campeonato Mineiro, ele foi preterido, e o titular no meio campo foi o argentino Jesús Dátolo. Robinho é o artilheiro da competição estadual com 9 gols, mas ainda está devendo uma atuação digna na Libertadores. Lucas Pratto também não vive a fase artilheira do ano passado, e seus gols estão escassos em 2016. Na proteção à zaga, a dupla formada por Leandro Donizete e Rafael Carioca tem ganhado o apoio de Júnior Urso aberto pela direita, esquema que vai ganhando mais entrosamento a cada partida e parece ser o ideal para o Atlético nos próximos compromissos.

O Racing aposta todas as sua fichas na Libertadores. Em sétimo lugar no seu grupo do campeonato argentino, o treinador Facundo Sava optou por uma equipe mista no clássico frente ao Independiente para poupar alguns nomes importantes que enfrentarão o Galo, como Lisandro López e Óscar Romero. A dupla tem jogado muito bem fazendo as pontas do 4-4-2 ciclón, com Romero centralizando para armar e Lisandro fazendo a diagonal em direção a área. Na frente o time jogará desfalcado de Gustavo Bou, com lesão na coxa e fora do primeiro jogo das oitavas.  Para o seu lugar, Sava tem algumas opções. Pode avançar Lisandro López para jogar ao lado de Diego Milito no ataque e escalar Marcos Acuña, Rodrigo De Paul ou Washington Camacho pela beirada. Caso queira manter o ex-Internacional aberto, Roger Martínez é o nome para jogar no ataque.

Dentro do Cilindro, o Racing só perdeu uma vez em dez jogos nessa temporada. O estádio costuma estar lotado e a pressão exercida pela torcida é imensa. Fora de casa o time só perdeu três vezes em dez partidas, sendo que nas quatro que fez pela Libertadores somou quatro empates, números que mostram a força adversário do adversário alvinegro. O ponto fraco fica por conta da defesa, que jogará desfalcada de seu principal jogador, Luciano Lollo. O time de Sava tem muita vontade e dedicação para roubar a bola, mas falta organização, o que resulta em situação de inferioridade numérica e espaços abertos.

Não seria surpresa se Atlético e Racing ocorresse numa semifinal de Libertadores, são dois ótimos times que darão trabalho para qualquer adversário na competição. Infelizmente, um será eliminado logo no primeiro mata-mata e o outro seguirá com o peito estufado, forte na briga pelo título.

Toluca x São Paulo

Arte: Doentes por Futebol - As prováveis escalações de Toluca e São Paulo

Arte: Doentes por Futebol – As prováveis escalações de Toluca e São Paulo

Credenciada por ter sido o líder do Grupo 6, o Toluca promete ser um adversário extremamente difícil para o São Paulo. Com vitórias diante de Grêmio, San Lorenzo e LDU, a equipe mexicana marcou 09 gols e sofreu 05 na primeira fase. Comandado pelo ex jogador paraguaio José Cardoso, taticamente apresenta uma variação de plataformas de jogo. Pode atuar inicialmente no 4-4-2, 5-3-2, 3-4-3 e 4-2-3-1. Conforme o andamento e o tipo de jogo, a movimentação dos laterais e dos extremas alteram a formatação inicial.

Trata-se de um equipe que possui grande velocidade pelos lados, tendo a região central como mais temporizada e organizadora. José Cardoso costuma pedir transições rápidas para acionar os dois atacantes que tem características parecidas, o colombiano Uribe e o argentino Trivério.

Ainda na fase ofensiva, é possível constatar a dependência que o time tem em relação as ações construtivas do meia/winger mexicano Carlos Esquivel. São dele as principais jogadas e a responsabilidade de criar desequilíbrio na defesa adversário. Com 34 anos, é rápido, acerta 84% dos passes, dribla 07 vezes por jogo e chuta em média 2.2 bolas a cada 90 minutos.

Outros jogadores importantes na fase ofensiva, principalmente nos momentos finais são Cuevas, Uribe e Trivério. O primeiro realiza as mesmas função de Esquivel, entretanto atua pelo lado esquerdo do ataque. Uribe e Trivério têm características semelhantes, são centroavantes de área, com pouca mobilidade para participar da construção ofensiva, mas fortes e com rupturas curtas na região de finalização. Cada um marcou 03 gols na Libertadores e juntos somam mais de 66% dos gols da equipe na primeira fase.

Na fase defensiva, o Toluca demonstra muita solidez. Sofre poucos gols e costuma ser muito efetivo nos momentos finais da fase defensiva. A equipe comandada por José Cardoso tem em Ortiz e Ríos, dois volantes extremamente qualificados. O primeiro é titular da Seleção do Paraguai e vinha fazendo uma excelente competição, entretanto sofreu grave lesão no joelho e não enfrenta o São Paulo. No seu lugar entra Erbin Trejo, volante mexicano que também pode atuar como lateral esquerdo.

Ríos é um volante que pouco erra passe. Em média acerta 88% deles e normalmente aciona os laterais e os extremas em passes diretos. Na marcação costuma jogar em linha com Trejo, revezando desgarros para realizar abordagens em posição adiantada. Em média os dois juntos, recuperam 08 bolas por jogo.

Paulo da Silva e Galindo, os dois zagueiros, dispensam apresentações. Ambos têm muita experiência internacional atuando por Paraguai e México, suas respectivas seleções. Tratam-se de zagueiros muito duros, fortes no combate, na bola aérea, entretanto com problemas de velocidade. Paulo da Silva com 36 anos e Galindo com 33 já não conseguem mais realizar abordagens fora da linha e nem possuem a capacidade de recuperação de outrora.

Pelo exposto acima, nota-se que o São Paulo não terá tarefa fácil diante dos mexicanos do Toluca. Os líderes do Grupo 06 já demonstraram que não entraram na Libertadores apenas para disputar.

Na bacia das almas, como tem se tornado costume para o São Paulo nas recentes participações do clube brasileiro na Libertadores, o Tricolor avançou até este momento de oitavas de final de forma conturbada. Primeiro, pela enorme dificuldade que teve para chegar até a fase de grupos. Duas partidas burocráticas diante do Cesar Vallejo – um empate fora por 1 a 1 e uma vitória em casa, com gol chorado, por 1 a 0 – colocaram o São Paulo no Grupo 1 do torneio junto com River, The Strongest eTrujillanos. Vida fácil? Que nada!

O São Paulo seguiu sua participação na competição de forma inconstante. Logo na estreia, uma mostra de que nada seria tranquilo. Derrota em casa para um concorrente direto, o The Strongest. A classificação, depois desse tropeço inacreditável – olhando para o retrospecto do adversário longe da Bolívia – custara caro e exigira uma recuperação rápida. Ela, para alegria dos torcedores e sob batuta de Calleri – artilheiro da Libertadores com 8 gols -, veio. Depois de perder para o Strongest, o São Paulo de Bauza não conheceu mais a derrota no grupo e após empatar três vezes e ganhar mais duas partidas, conseguiu superar o tropeço na primeira partida e rumar classificado às oitavas.

O treinador argentino, aliás, merece destaque. Bauza chega as oitavas de final da Libertadores – competição que já ganhou em duas oportunidades – pela primeira vez com um time tecnicamente imponente, comparado aos seus últimos trabalhos. Patón conta com jogadores de potencial técnico superior, mas com compreensão de jogo menor. Tanto que o seu São Paulo taticamente demorou a engrenar, mas hoje já consegue dentro modelo de jogo executar as ideias de forma satisfatória. Com insistência e trabalho, o treinador tem novamente boas chances de chegar entre os oitos melhores do torneio.

Para enfrentar os mexicanos do Toluca no jogo de ida no Morumbi, Bauza não poderá contar com Denis e Calleri, suspensos por expulsão na rodada final da fase de grupos. Além deles, o meio campista João Schmidt, peça fundamental da distribuição e construção de jogo do time na segunda metade da primeira fase, segue lesionado. A equipe que enfrenta o Toluca deve seguir no tradicional 4-2-3-1 do argentino e ter Wesley no meio de campo como substituto de Schmidt, além de Michel Bastos e Kelvin pelos lados, com Kardec servindo de referência aos dois e a Paulo Henrique Ganso.

O São Paulo aposta todas as suas fichas nas boas fases de Ganso e Kelvin, além do fator casa. O Morumbi faz muita diferença para o clube nesta competição. No entanto, as ausências podem ser sentidas e as sequentes falhas de marcação pelo lado esquerdo da defesa, onde jogam Mena e Michel Bastos, podem se tornar um problema fatal ao time brasileiro.

Pumas x Deportivo Táchira

Arte: Doentes por Futebol - As prováveis escalações de Pumas e Deportivo Táchira

Arte: Doentes por Futebol – As prováveis escalações de Pumas e Deportivo Táchira

Pumas e Deportivo Táchira é outro confronto da fase de grupos que se repete nas oitavas. Pelo grupo 7, o Táchira venceu o confronto na Venezuela por 2 a 0, enquanto a partida realizada no México terminou em 4 a 1 para o Pumas, agregado que daria a classificação para os mexicanos no mata-mata. Pela qualidade dos elencos e, principalmente, pelo que jogaram na Libertadores até aqui, os mexicanos são os favoritos para a classificação.

Se quiser ter alguma chance de passar as oitavas, o Deportivo Táchira precisa jogar melhor fora de casa. Na fase de grupos foram três derrotas, apenas um gol marcado e dez sofridos. Além disso, o time de Carlos Maldonado tem o pior ataque (ao lado de Cerro Porteño e Nacional) e a pior defesa entre os classificados às oitavas. Esses dados mostram que o clube venezuelano só se classificou por estar em um grupo nivelado por baixo, ao lado de Olímpia e Emelec. Falta o mínimo de consistência para encarar uma eliminatória de Libertadores e, caso não consiga um bom resultado no primeiro jogo, o Táchira terá muita dificuldade para seguir na competição.

Seguindo o que fez o Tigres no ano passado, o Pumas tem valorizado a Libertadores e jogado com força máxima. O principal destaque é Ismael Sosa, ponta pela direita e vice artilheiro da Libertadores com cinco gols. O Táchira já provou do seu poder de decisão: na fase de grupos, Sosa marcou dois dos quatro gols da goleada no estádio Olímpico Universitário. Com um futebol ofensivo e de valorização da posse de bola, o time mexicano teve o melhor ataque da fase de grupos ao lado do River Plate, anotando 17 gols. No outro extremo, a defesa é a segunda mais vazada dentre os classificados, a frente apenas do próprio Deportivo.

No confronto de dois jogos, o Táchira precisa de um grande resultado em casa, como o 2 a 0 na fase de grupos, para ter a chance de jogar bastante retrancado e diminuir as possibilidades de sofrer gols no México. Talvez seja o caso de Carlos Maldonado abrir mão do 4-4-2 e colocar mais um jogador de meio-campo, para travar o jogo pelo setor e dificultar a troca de passes mexicana. A aposta nos contra-ataques deve ser uma constante no jogo aurinegro, pela fragilidade defensiva da equipe e para explorar a lenta recomposição do Pumas.

Já os mexicanos jogarão para decidir em casa. Uma vitória ou empate na Venezuela aumenta muito as chances de classificação, até mesmo uma derrota por um gol de diferença e marcando fora de casa (ou seja, 2 a 1, 3 a 2, etc) não é um resultado de todo ruim. O volume ofensivo demonstrado pelo Pumas quando enfrentou o Táchira é suficiente para acreditar que o time do México consegue reverter esse tipo de resultado em casa. Com Sosa, Luis Quiñones, Eduardo Herrera e as chegadas do meia Matías Britos, o Pumas tem qualidade ofensiva suficiente para vencer o frágil rival da Venezuela.

Lógico que sempre existe a chance de zebra, e na Libertadores ela anda mais perto do o normal. Os venezuelanos se agarram ao retrospecto para acreditarem nela: em 2004, última vez em que esteve na fase eliminatória, derrotou o poderoso Nacional e chegou as quartas de final. Dentro do campo, que é o que realmente importa, o Pumas é amplo favorito e tem todas as condições para vencer o confronto.

River Plate x Independiente Del Valle

Arte: Doentes por Futebol - As prováveis escalações de River Plate e Independiente Del Valle

Arte: Doentes por Futebol – As prováveis escalações de River Plate e Independiente Del Valle

Nas oitavas de finais da Copa Libertadores da América, o River Plate, atual campeão, terá pela frente uma equipe que pode ser considerada uma surpresa. Sorteado para um grupo que contou com o amplo favoritismo de Atlético Mineiro e Colo-Colo, o Independiente Del Valle, pequenino clube equatoriano ainda virgem de títulos nacionais, superiorizou-se ao time chileno, deu muito trabalho para o Galo e avançou de fase com méritos.

Com um time muito jovem, recheado de garotos criados na própria base, e uma defesa sólida – o clube teve, junto de Boca Juniors, Atlético, Corinthians e Santa Fé, a segunda melhor defesa da competição –, os Negriazules chamaram atenção.

Bryan Cabezas, jogador de 19 anos que atua pela beirada; Junior Sornoza, meio-campista cerebral responsável pela organização do time e membro da Seleção Equatoriana; e Arturo Mina, zagueiro imponente, são alguns de seus destaques individuais, jogadores para se observar.

É possível imaginar alguns duelos interessantes na partida. O competente lateral argentino Gabriel Mercado terá trabalho para marcar Cabezas, assim como no meio-campo Sornoza inspirará cuidadosa atenção dos meio-campistas Millonarios. Outro ponto que não pode ser desconsiderado é a precariedade do gramado do Independiente Del Valle, que pode trazer grandes dificuldades à circulação de bola do River Plate no jogo de ida.

Do lado do River, que liderou o Grupo A e ao lado do Pumas marcou o maior número de gols da Fase de Grupos – 17 –, os holofotes estão voltados para Andrés D’Alessandro, craque que retornou ao clube neste ano, após brilhar por anos com a camisa do Internacional e que centraliza a criação do clube argentino.

A despeito disso, outros jogadores merecem observação cuidadosa, sobretudo o garoto Lucas Alario, atacante habilidoso e possuidor de bom faro de gol. Também no ataque há uma dúvida importante: o interminável Iván Alonso ou Rodrigo Mora? Ambos têm qualidades, a despeito de suas diferenças de estilo.

Com uma formação mais compacta, o River explora mais a posse de bola do que a velocidade, de forma bem distinta da preferida pelo Independiente Del Valle. Peças como Ignácio Fernández e Camilo Mayada serão fundamentais para o jogo dos Millonarios, tanto para abrir o jogo em algumas oportunidades quanto para fazer a recomposição defensiva, protegendo os flancos da defesa.

O River atual perdeu peças fundamentais em relação ao campeão de 2015 – sobretudo Matías Kranevitter e Carlos Sánchez – e com isso um pouco de seu brilho, mas ainda é favorito neste confronto, que colocará frente a frente planos de jogo muito distintos.

Corinthians x Nacional

Arte: Doentes por Futebol - As prováveis escalações de Corinthians e Nacional

Arte: Doentes por Futebol – As prováveis escalações de Corinthians e Nacional

O Nacional entrou em campo na última rodada já classificado, jogaria contra o Rosário Central, em casa, só para garantir o primeiro lugar.  O treinador Gustavo Munúa optou por utilizar os reservas e foi derrotado, perdendo a primeira colocação para os argentinos. Seu adversário nas oitavas, o Corinthians, também já estava garantido após cinco rodadas e também usou uma equipa alternativa no último compromisso. Porém, aplicou 6 a 0 no Cobresal, alcançou a terceira melhor campanha e o confronto contra os uruguaios.

Sem dúvidas o Timão é o brasileiro que se deu melhor nesta fase. Não só pela campanha inconsistente do seu adversário, mas pelo que os uruguaios mostraram dentro das quatro linhas. O time de Gustavo Munúa é muito pobre de ideias quando tem a bola. Armado no 4-2-3-1, o Nacional depende muito da individualidade de seus jogadores para construir alguma jogada de perigo. Os homens de frente não recuam para ajudar na articulação e a ligação direta se torna a opção mais viável para levar a bola à frente. Contra um Corinthians que gosta de marcar alto e forçar essa ligação direta, os uruguaios devem utilizar ainda mais esse mecanismo. No entanto, o time de Tite deve ficar atento a essa bola longa, já que ela é aguardada no campo de ataque por quatro jogadores, entre eles Nico López, atacante e principal destaque Decano.

Quando o Corinthians tiver a bola, encontrará uma equipe mais organizada. Para compensar o fraco desempenho ofensivo, o Nacional se defende bem. Os uruguaios se posicionam no 4-4-2 e aproximam as linhas, bloqueando o centro do campo e oferecendo o jogo pelos flancos, onde Fágner pode ser decisivo. Vivendo grande fase, o lateral direito vai muito bem ao ataque, leva perigo nas ultrapassagens e até mesmo chegando à área. As infiltrações para furar as linhas próximas também precisam aparecer, e o retorno de Elias é uma grande adição nesse sentido.

Bola o Corinthians tem de sobra para bater o Nacional, é preciso ter a cabeça no lugar e afastar qualquer clima de “já ganhou”, que atingiu o elenco no ano passado e culminou na derrota para o Guaraní. Na última rodada, o Timão fez a meia dúzia de gols que precisava, escapou do Racing e recebeu um oponente, teoricamente, mais fraco. O Decano foi derrotado em casa, perdeu a primeira colocação e recebeu um adversário mais difícil.  Cenários que começaram iguais, tomaram rumos bem distintos e terminarão com a eliminação de uma das partes.

Boca Juniors x Cerro Porteño

Arte: Doentes por Futebol - As prováveis escalações de Boca Juniors e Cerro Porteño

Arte: Doentes por Futebol – As prováveis escalações de Boca Juniors e Cerro Porteño

A classificação do Boca Juniors foi resultado de uma recuperação notável. O começo de temporada ruim, ainda com Rodolfo Arruabarrena, gerou uma desconfiança que vai desaparecendo após a troca no comando e a chegada de Guillermo Barros Schelotto. Mudança de treinador que também aconteceu no lado paraguaio. Cesar Farías foi demitido após a derrota para o Cobresal por 2 a 0, resultado que poderia ter comprometido a vaga nas oitavas, e Gustavo Morínigo, vice-campeão da Libertadores com o Nacional-PAR, chegou para o seu lugar.

No cenário Azulgrana, a grande questão é sobre o momento em que ocorreu a troca. Morínigo assumiu o cargo no meio de uma maratona “quarta e domingo” composta por jogos contra Guaraní, Santa Fé (pela Libertadores, que rendeu o segundo lugar no grupo), Olímpia e o primeiro embate contra o Boca, uma série de partidas dificílimas e decisivas em que o treinador terá de encarar sem treinar direito sua equipe. Por conta disso é difícil enxergar alguma melhora no jogo paraguaio. O volume ofensivo é mínimo, não existe aproximação dos jogadores para construir coletivamente e a bola longa é a arma mais utilizada, seja na ligação direta ou nos cruzamentos. O retrato disso foi a partida contra o Santa Fé: com dois jogadores a mais e enfrentando uma defesa escancarada, o Cerro marcou apenas um gol e poderia ter sofrido o empate.

Do lado Xeneize a situação é diferente, o time de Guillermo Schelotto está crescendo e vive boa fase. Na Bombonera o treinador não sabe o que é derrota ou empate, são cinco vitórias em cinco aparições, no entanto, só comemorou uma vez quando saiu dos seus domínios. Mais importante que os resultados são as atuações da equipe e de seu principal jogador, Carlitos Tévez. Schelotto manteve o 4-3-3 de Arruabarrena, mas deslocou Tévez para o centro do ataque dando liberdade para ele recuar e aparecer entre as linhas de marcação do adversário, podendo progredir com a bola ou armar o jogo. Dessa forma o camisa 10 já foi as redes cinco vezes, três a mais que na “era Arruabarrena”. Também chama a atenção as constantes aproximações e triangulações no campo de ataque, mecanismo que destruiu o Deportivo Cali na goleada por 6 a 2.

Apesar da considerável melhora com Schelotto, o Boca ainda apresenta falhas defensivas que o Cerro pode explorar, como os constantes espaços entre a defesa e o meio-campo quando o time sobe para pressionar o oponente. Por parte dos azulgrana, também é preciso ter muita atenção na entrada da área. Se o time continuar cedendo espaços na intermediária defensiva como era com Cesar Farías, Tévez tem tudo para fazer grandes jogos. O atacante é o foco do ataque xeneize e circula por ali para receber nas costas dos volantes e partir em direção ao gol. As dobradinhas ponta e lateral também se destacaram no passeio contra o Cali e podem ser exploradas em cima do experiente Carlos Bonet, lateral direito de 38 anos.

O momento dos dois times, a tradição no torneio, o fator casa e a qualidade técnica dos jogadores favorecem os argentinos. O Cerro joga com a motivação de eliminar um dos maiores clubes do continente e sonhando com outra campanha histórica de Gustavo Morínigo. No feito de 2014, o “Nacional Querido” de Morínigo começou a escrever sua história eliminando os argentinos do Vélez nas oitavas de final. Vale a superstição para a torcida paraguaia.

Embora Boca Juniors e Cerro Porteño seja um dos confrontos mais desiguais desse início de mata-mata, trata-se de Libertadores, onde nada se ganha antes de entrar em campo.