Qual é o limite de Kevin De Bruyne?

  • por Doentes por Futebol
  • 1 year atrás

Janeiro de 2012. Todos os jornais ingleses noticiavam que o Chelsea havia assegurado a compra de mais um jovem promissor da afamada “geração belga”.

Ele não tinha a grife. Sequer era tão badalado quanto seu compatriota Hazard. Mas Kevin De Bruyne era tido como ótimo nome para o futuro. E a direção dos Blues o havia contratado pensando nisso, como disse à época, o treinador da equipe André Villas Boas:

“Ele é um alvo escolhido pelo clube. Ele é uma boa aposta, independente do treinador com o qual vier a trabalhar”.

Contratado por cerca de 07 milhões de libras, o jovem belga seguiria emprestado a seu clube formador até a temporada 2012/2013, quando chegaria o lendário treinador José Mourinho. Após 112 jogos como profissional, 17 gols e 36 assistências, era a hora de Kevin dar um salto em sua carreira. Infelizmente para o jogador, a chegada do lusitano não seria nada benéfica e acabaria atrapalhando sua adaptação ao clube inglês:

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Mourinho foi muito injusto comigo. Chamou todos os médios ofensivos. Mostrou-nos as nossas estatísticas – assistências, gols, percentagem de passe, passes chave, dribles. Queria provar que eu não estava ao nível dos meus colegas. Limitei-me a responder-lhe que tal não era lógico, que tinha jogado menos jogos do que os outros e que não era justo comparar-nos”.

>>Leia mais: Desprezado pelo Chelsea, pretendido pelo mundo<<

De fato, Kevin teve pouquíssimos minutos em campo pelo Chelsea para poder demonstrar seu talento. Foram apenas 09 partidas disputadas, totalizando 425 minutos jogados.

Seu futuro não estaria ligado a Londres por muito tempo. Na Alemanha é que o rapaz voltaria a sorrir.

 

Primeiros passos na Bundesliga: jovem jóia no Werder Bremen

(por Raniery Medeiros)

Após seu início promissor no Genk (Bélgica), Kevin de Bruyne foi vendido ao Chelsea. Por maior que fosse seu potencial, seria sua primeira oportunidade fora de seu país e, dessa forma, os Blues o emprestaram ao Werder Bremen com o intuito de torná-lo mais maduro para os desafios que estavam por vir.

O belga aterrissou na Bundesliga na temporada 2012/2013 para ser o maestro do Werder. À época treinador da equipe, Thomas Schaaf ressaltou a importância que o atleta teria em sua equipe. Schaaf abriu mão do seu 4-4-2 (losango) e aderiu ao 4-2-3-1, com variações, e neste novo modelo de jogo o talentoso camisa 6 teve liberdade para atuar pela direita, esquerda ou centro. Demorou, mas Thomas encontrou a posição ideal para De Bruyne.

A temporada do Bremen foi de total sofrimento, tendo que sobreviver até mesmo ao fantasma do rebaixamento. Contudo, ao analisarmos o futebol do belga através dos aspectos individuais, torna-se impossível não se encantar com seus dribles e imposição perante seus marcadores implacáveis. Chegou e logo assumiu a responsabilidade de ser o homem das bolas paradas, de conduzir a transição da defesa ao ataque. Veja, taticamente, sua ótima contra o Borussia Mönchengladbach.

Ao término da temporada, apesar da vexatória 14ª colocação, o saldo foi positivo. Kevin entendeu sua importância tática, amadureceu e fez boas parcerias com seus companheiros: Hunt, Petersen, Arnautovic.

Números na Bundesliga (2012/2013): 33 partidas, 9 assistências e 9 gols.

Deu assistências para: A. Hunt, Petersen (3), Prödl, Arnautovic, Ekici, Ignjovski, Junuzovic.

Se era de maturidade e adaptação que ele precisava, pode-se concluir que conseguiu isso, e muito mais, atuando pelo Werder Bremen. Ótimo passe, visão de jogo privilegiada, disciplina tática, bons chutes de longa e média distância, infiltração etc.

https://www.youtube.com/watch?v=4EoG5s49jTI

Retorno à Alemanha: volta por cima – melhor jogador da Bundesliga

(por Raniery Medeiros)

Os Lobos precisavam de um substituto para o brasileiro Diego. Então treinador do time, Dieter Hecking tentou introduzir Max Arnold ao posto de armador de sua equipe, mas sem tanto sucesso. Ao perceber que a situação era complicada, Dieter apostou todas as fichas em De Bruyne. Sem tantas oportunidades no Chelsea, aceitou atuar pelo Wolfsburg. Mesmo chegando com a temporada em andamento, mostrou seu valor nas 16 partidas em que esteve presente. Fez 3 gols, distribuiu 6 assistências e se encontrou em campo exercendo a função de armador e cérebro do time.

O melhor ainda estava por vir. Quem acompanhou a temporada 2014/2015 da Bundesliga ficou encantado com o absurdo de futebol que jogou Kevin de Bruyne. Apesar do vice-campeonato, os Lobos impressionaram pela forma intensa e ofensiva de jogar.

>> Leia mais: Os lobos uivantes da Bundesliga <<

Foi realmente surreal o desempenho do camisa 14 durante toda a temporada, mantendo regularidade e estabilidade. Citamos, no texto acima, algo relevante:

“Joga como armador, mas se movimenta pela esquerda, direita e até mesmo de centroavante. Está entrando cada vez mais dentro da área. Que jogador!”.

Para chegar ao ataque com qualidade, seria preciso ter a assinatura do belga. O que mais impressionava, mesmo sabendo que o time foi montado para atacar de maneira insana, era a percepção no momento de cadenciar o jogo. Isso só acontece para os diferenciados.

https://www.youtube.com/watch?v=CxgLR6RmeVY&nohtml5=False

O grande momento, a grande partida, sem sombra de dúvidas, foi contra o Bayern. Aula de contra-ataque, gabarito do melhor jogador belga na atualidade.

O 4-2-3-1 de Dieter foi amplamente entendido pelos jogadores. Guardar posição? Não! Movimentação, ocupação de espaços e até mesmo uma defesa alta (suicida). Quem orquestrou esse time, de maneira brilhante, foi esse belga de ótimo futebol. Provou que o armador moderno não deve guardar posição, restringindo-se apenas a esperar a bola. Esquerda, direita, centro, gols, tudo isso foi visto no Wolfsburg de Kevin de Bruyne.

Arte: Pedro Galindo/DPF

Arte: Pedro Galindo/DPF

Várias brincadeiras foram feitas pela imprensa alemã. Uma delas foi: “a certeza é a de que Kevin de Bruyne dará outra assistência na rodada”. Quem mais se beneficiou com o ótimo futebol do camisa 14 foi o gigante Bas Dost. Na verdade, o amante do bom futebol pôde se deleitar com a categoria e plasticidade do melhor jogador da Bundesliga 2014/2015.

Como definir sua passagem pela Bundesliga? Marcante, espantosa, surreal:

https://www.youtube.com/watch?v=dWbuB1U1VMc

Números na Bundesliga 2014/2015: 34 partidas, 8 gols e 20 assistências.

Deu assistências para: Arnold (3), Rodríguez (2), Caligiuri (3), Knoche, Perisic (2), Olic, Hunt, Naldo, Dost (5), Schürrle,

Kevin de Bruyne estava pronto para atuar em qualquer equipe do mundo. Seria injusto analisar apenas seus números. O desenvolvimento de seu futebol foi totalmente construído na Bundesliga. O City faria uma excelente aquisição ao levá-lo de volta a Premier League.

De Bruyne no City: chegada avassaladora

(por Wladimir Dias)

Destaque absoluto do Wolfsburg e um dos jogadores de maior destaque da Bundesliga, Kevin De Bruyne desembarcou no Etihad Stadium nos dias finais da janela de transferências do último verão europeu. Capaz de criar jogadas e marcar gols com semelhante eficiência, o belga chegava para adicionar poder de decisão aos Citizens, sempre muito reféns dos gols de Sergio Agüero e da aproximação de Yaya Touré.

“É preciso ser um jogador especial para melhorar nosso elenco e eu não tenho dúvidas de que Kevin é certamente um desses – ele tem todos os atributos mentais, físicos, táticos e técnicos necessários para se encaixar. Gostamos de jogar um futebol ofensivo e atrativo e trazer um jogador como De Bruyne só nos ajudará, uma vez que lutamos em quatro frentes”, disse o treinador Manuel Pellegrini quando concluiu-se a negociação entre Wolfsburg e City.

Sua adaptação ao clube de Manchester foi rápida. A estreia, contra o Crystal Palace, na 5ª rodada da Premier League se deu de forma precipitada, uma vez que o jogador foi chamado a substituir Agüero, que se lesionou ainda na primeira etapa da partida – nada que tenha impedido o êxito do clube mancuniano. O impacto verdadeiro do jogador seria verificado, todavia, no jogo seguinte da Premier League, contra o West Ham.

Após atuar por poucos minutos contra a Juventus, na derrota por 2×1 válida pela Champions League, o belga foi titular na partida contra os Hammers e, a despeito da nova derrota por 2×1, foi o responsável pelo tento do City, situação que se repetiu na rodada seguinte do inglês, ocasião em que os Citizens sofreram pesada derrota para o Tottenham, 4×1, mas voltaram a ver seu camisa 17 ir às redes.

A instabilidade do clube parecia não se refletir no futebol de De Bruyne que em seus dez primeiros jogos no campeonato nacional em seu novo clube marcou quatro gols e criou seis assistências. Além disso, na Champions League, o belga foi decisivo nas partidas da fase de grupos contra Borussia Monchengladbach e Sevilla, com um passe para gol e um tento, respectivamente. Embora toda mudança de clube inspire paciência, com De Bruyne o sucesso aconteceu rápido, justificando os mais de £50 milhões investidos pelos Citizens em seu futebol.

Apesar disso, o jogador sofreu uma lesão no joelho e ficou afastado por pouco mais de dois meses, perdendo 12 partidas – algumas delas de grande importância, como os encontros contra o Dynamo de Kiev, pelas oitavas de finais da Champions. Quando se poderia esperar que fosse necessário novo tempo para que, uma vez recuperado, o jogador voltasse a entrar em forma, De Bruyne deu resposta fantástica e imediata.

Autor de gols contra o Paris Saint-Germain nas duas partidas das quartas de final da competição continental mais importante do mundo, o talentoso atleta foi o grande responsável pela inédita chegada do Manchester City às semifinais do torneio. Além disso, na volta à Premier League, marcou contra o Bournemouth e destruiu o Chelsea em Stamford Bridge, participando da maior parte das jogadas ofensivas do clube no impactante triunfo por 3×0.

https://www.youtube.com/watch?v=CKmes8Vo3CI

Num dos trechos do vídeo acima, o comentarista da BBC se derrete pelo jogador:

“Ele tem tudo; movimentação sem a bola, ocupação de espaços … nunca pensei que fosse dizer isto, mas acho que ele é uma versão melhorada do David Silva (um dos melhores meio-campistas da Premier League nos últimos 04 anos). De Bruyne tem tudo o que Silva tem e mais: marca mais gols, dá mais assistências e ainda é mais atlético do que o espanhol.”

Outro ponto interessante de ser discutido é o fato de que o jogador já atuou em todas as posições do meio-campo ofensivo, obtendo destaque, mostrando que para além de sua ótima técnica, raciocínio rápido, bom passe e finalização apurada o jogador se adapta a diferentes circunstâncias e dá diversas possibilidades ao time, inclusive permitindo trocas de posições durante as partidas, confundindo as marcações adversárias.

Um pouco distante dos holofotes de Premier e Champions League, De Bruyne também foi fantástico na disputa da Capital One Cup. Em cinco jogos, balançou as redes cinco vezes e criou quatro assistências, conduzindo os Citizens à final. Cruelmente, lesionado, o jogador viu de longe o clube vencer a final da competição para o Liverpool, nas penalidades máximas. Com excelente início de trajetória e contrato até 2021, o jogador parece ter futuro brilhante no City. A empolgação do torcedor do clube com o jogador é legítima e tende a crescer com a iminente chegada de Pep Guardiola ao comando do clube.

Respondendo ao questionamento que intitula a matéria, o céu parece ser o limite para Kevin De Bruyne, que passou de jovem sub-aproveitado no Chelsea a referência (tanto no City quanto na Bélgica) e esperança de futuro brilhante e títulos para quem conta com seu futebol:

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