Tributo a Edílson Capetinha

  • por Rogério Júnior
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Foto: Divulgação - Edilson Capeta em meio a mais pura simbologia dos futebol dos anos 90.

Foto: Divulgação – Edilson Capeta em meio a mais pura simbologia dos futebol dos anos 90.

Há pouco mais de 45 anos, no berço da cidade de Salvador, nascia Edílson da Silva Ferreira, chamado de Capeta por todos os envolvidos com o futebol brasileiro nos saudosos anos 90. O folclórico atacante baiano, em meio a sua carreira de 23 anos iniciada no Industrial, modesto time da cidade capixaba de Linhares, e finalizada oficialmente no Esporte Clube Bahia, em 2010, colecionou títulos, idolatria, gols, artilharias, amigos e muita história para contar.

Edílson é a personificação dos tão falados e aclamados anos 90. Com seu jeito irreverente, promovia com certa frequência um verdadeiro carnaval nas canchas Brasil afora. Drible, velocidade, ousadia, improviso e muita marra eram alguns dos principais atributos alocados em seu imenso repertório. Em sua carreira, os títulos, o folclore e a as histórias se entrelaçam, fazendo dele uma espécie de ícone de um futebol brasileiro de outrora: um futebol carregado de magia, rivalidade, fascínio, encanto e sedução.

Ascensão meteórica

Depois de iniciar sua trajetória pelo Industrial e, logo em seguida, debutar em gramados paulistas pelo também modesto Tanabi, Edílson chamou a atenção de um olheiro, que, mais tarde, o levaria para o Bugre de Campinas. No Guarani, estreou logo de cara como titular no Campeonato Paulista de 1992, numa peleja diante da Portuguesa de Desportos, capitaneada pela grande estrela Dener.

Edílson também levou o dito encanto típico do futebol da década de 90 para o Palmeiras, gerido na época pela poderosa Parmalat. No Parque Antártica, o Capeta – apelido adquirido no próprio Porco, em sua breve e vitoriosa passagem de pouco mais de uma temporada – cravou seu nome na história do clube. Ao todo, foram quatro importantes títulos: Campeonato Brasileiro 1993, Torneio Rio-São Paulo 1993 e mais dois triunfos no Campeonato Paulista, em 1993 e em 1994.

Anos 90: dose extra de folclore

O destino e o futebol dos anos 90 no Brasil pregavam peças. Pouco mais de três anos depois de fazer história no Palmeiras, Edílson Capeta era anunciado com pompa no arquirrival Corinthians, após breves passagens por Benfica, pelo próprio Palmeiras e pelo Kashiwa Reysol do Japão.

No Timão do Parque São Jorge, Edílson foi ainda mais vitorioso e apimentado. Colecionou dois títulos do Campeonato Brasileiro (1998 e 1999), o Mundial de Clubes da FIFA de 2000 e o Paulistão de 1999, no qual se notabilizou como uma das figuras mais emblemáticas do Corinthians e do futebol brasileiro.

No segundo jogo da final do certame caseiro, contra o Palmeiras, então campeão da Libertadores, Edílson fez das suas. Nos instantes finais da partida, em meio ao placar de 2 a 2 que dava o título ao Corinthians com certa folga, o Capetinha resolveu provocar o adversário, promovendo um verdadeiro festival de malabarismos com a bola.

As famosas embaixadinhas de Edilson Capeta entraram para o imaginário popular e fizeram história. Mesmo com um caminhão de títulos nas costas, incluindo a Copa do Mundo de 2002, é por esse episódio que Edílson é reverenciado até hoje, o que prova que o folclore era um grande e ilustre aspecto do futebol brasileiro nos anos 90. Certamente, Edílson é um dos personagens que mais fazem muita falta em nosso futebol atual.

Observação: Edilson atualmente faz parte do elenco do Taboão da Serra, clube da quarta divisão paulista, mas raramente entre em campo, tendo maior importância nas áreas de marketing e prospecção de patrocinadores do clube.

Curitibano, jornalista, 22 anos. Apaixonado pela bola, apegado pelas canchas e admirador do povão que as frequentam. Apreciador do futebol, seja ele jogado na final da Copa do Mundo ou numa singela rodada da terceirona gaúcha.

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