A evolução de Mariano

  • por Victor Mendes Xavier
  • 1 year atrás

Quando destroçou Alberto Moreno e cruzou para Gameiro empatar a final da Liga Europa 2016, o brasileiro Mariano cravou: sua evolução estava completada. O lateral, que chegou ao Sevilla ainda verde, menos de um ano depois mostra semanalmente estar por dentro de todos os atributos que devem formar um jogador de sua posição. Se era descontrolado no ataque, hoje Mariano ataca com perfeita sintonia; se por vezes dava espaço às suas costas na defesa, atualmente mostra uma disciplina digna de quem, de fato, mudou. O crescimento do brasileiro nas mãos do técnico Unai Emery foi um dos grandes acontecimentos da temporada que está por se encerrar na Europa.

Mariano chegou ao Sevilla quase que “sem querer”. Explico: a ideia inicial do clube hispalense era contratar Douglas, ex-São Paulo, aquele mesmo que nem no banco tem ficado no Barcelona. O plano de Ramón Rodríguez Verdejo, o Monchi, um dos mais destacáveis diretores esportivos de todo o mundo, era ter em seu elenco um lateral brasileiro, alguém que pudesse repetir as atuações daquele brilhante Daniel Alves de 2003 a 2008. Ou seja, um futebolista de muita inclinação ofensiva, habituado a subir ao ataque, veloz, intenso, potente e, acima de tudo, criativo. A sensibilidade de Monchi para observar derivados talentos e a humildade para mudar o plano A é o que fazem dele uma das estrelas do futebol espanhol. A chegada de Kanouté (considerado por muitos o maior jogador da história do Sevilla) ao Ramón Sánchez Pijzuán, por exemplo, só se deveu ao fato da diretoria ter desistido de Fred, à época, no Cruzeiro.

Procedente do Campeonato Francês, Mariano caminha para os 30 anos, mas está com a energia em dia. Energia essa que o fez ter uma passagem destacável pelo Fluminense, onde conquistou o Campeonato Brasileiro e pôde chegar à Seleção Brasileira. No Sevilla de Unai Emery, que privilegia bastante o jogo físico e intenso, especialmente pelas laterais, era questão de tempo para o pernambucano se destacar. Desde o primeiro dia, o brasileiro deixou claro que poderia subir quantas vezes quisesse ao ataque. O primeiro lampejo foi especial. Quando o Sevilla recebeu o Real Madrid pelo primeiro turno de La Liga, a valentia de Mariano serviu para castigar a fragilidade defensiva de Cristiano Ronaldo e gerar uma vantagem importante à sua equipe. Doze dias depois, sua excêntrica forma de atacar foi elogiada por Unai Emery: “parecia que estávamos com 12 jogadores, porque Mariano era lateral e extremo ao mesmo tempo”. Bingo. Mariano já estava em casa.

mariano sevilla dpf

Apesar do título da Liga Europa, a temporada do Sevilla no Campeonato Espanhol foi um pouco complicada. O sucesso nas Copas (está na final da Copa do Rei também) contrasta com o fracasso na tentativa de alcançar uma vaga na Liga dos Campeões via campeonato nacional. Unai Emery não fixou um onze inicial, alterando-o quase que de três em três rodadas. O ímpeto de atacante de Mariano, independente do cenário, sempre esteve presente e isso engrandece sua relevância, ainda mais se for considerar o quão visível foi a melhoria na parte defensiva.

A exibição na Basileia contra o Liverpool de Klopp foi a consagração definitiva do brasileiro. Mariano foi uma máquina de atacar quando o Sevilla tinha a bola, construiu o gol que recolocou os Nervionenses de volta à final, tomou conta de maneira exemplar de sua zona na defesa e terminou a noite como um dos três melhores em campo. O Chefe do Governo da Espanha, Mariano Rajoy, aproveitou para fazer uma brincadeira com tom de verdade com o seu xará: “Estou orgulhoso com a conquista do Sevilla. Creio que a chave tenha sido Mariano”, publicou em seu twitter. Está mais do que claro: Mariano ganhou o respeito de todos os torcedores do Sevilla.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa Esporte@Globo da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.