Federico Bernardeschi, o canhoto da Viola

  • por Raniery Medeiros
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Muito se discute acerca da nova geração italiana, principalmente sobre a qualidade técnica (duvidosa) das jovens promessas – sobretudo em relação ao que pode ser feito na Eurocopa. Mediante tantas dúvidas, surge o talentoso Federico Bernardeschi. Natural de Carrara, o garoto de apenas 22 anos de idade começa a ser notado, portanto, faz-se necessário salientar a ascensão em sua carreira.

OLHO NELE - BERNARDESCHI

Em primeiro plano, percebe-se o talento do rapaz quando, com sua canhota, sai fazendo fila e deixando os zagueiros para trás. Neste contexto, parece que estamos abordando o futebol de um sul-americano, mas trata-se mesmo é de um italiano abusado. Esta conduta audaciosa em torno de seu futebol abriu portas ao menino que se apresentava de maneira vivaz no modesto Crotone. Além disso, sua maneira clássica de conduzir a bola nos remete aos bons jogadores que a Itália cansou de mostrar ao mundo.

Federico Bernardeschi começou sua carreira ainda jovem, passando pelos times de base do Atletico Carrara e Polisportiva Ponzano, até finalmente ingressar na Fiorentina. Foram dez anos em que viveu e conviveu com as histórias contadas sobre Giancarlo Antogoni e Roberto Baggio. Desenvolver seu futebol foi e sempre será sua principal ambição e, quem sabe, dessa forma, ser reconhecido como um dos grandes. Esse pensamento foi colocado para dentro das quatro linhas, ganhando notoriedade e fama nas categorias de base. Porém, então treinador da Fiorentina, Vincenzo Montella conversou com o presidente Mario Cognigni e optou por emprestá-lo ao Crotone. O intuito foi o de dar experiência e lastro ao canhoto que enfrentava os adversários sem medo.

Crotone – Destaque na Calábria

bernardeschi-crotone-fonte-fccrotoneEmprestado ao time da Calábria, teve pela frente seu maior desafio, quando disputou partidas mais acirradas na série B. Então treinador da equipe, Massimo Drago soube, desde o início, que Bernardeschi poderia atuar em quaisquer funções do meio para frente. No 4-3-3, com variações para o 4-5-1, atuou pela direita, esquerda e até mesmo centralizado. Importante mesmo foi deixa-lo livre, desempenhando o que tem de melhor: driblar e romper defesas bem postadas.

Sua estreia foi com timidez, diante do Pescara, mas aos poucos foi se soltando dentro de campo. Formou ótimas parcerias ao lado de Bidaoui, Dop, Dezi e Pettinari, com movimentação e saindo da ponta para o meio. Em sua melhor partida, nos 3×0 sobre o Pescara, partida do 2º turno, atuou pela direita, tendo extrema facilidade para usar e abusar de suas famosas arrancadas nos contra-ataques.

Outra boa partida do camisa 29 ocorreu na vitória por 2×1 diante do Trapani. Fez gol, deu assistência e inverteu de posição com Pettinari. Veloz, habilidoso e letal – principalmente nos dribles em franca aceleração.

Apesar da boa campanha, que contou com 12 gols de Federico, o Crotone não conseguiu superar o Bari nos Playoffs rumo à elite. Bernardeschi foi muito bem individualmente, mas, acima de tudo, de grande importância para o time. Seu desenvolvimento foi rápido e o talentoso italianinho retornou à equipe que o revelou com o moral elevado.

Fiorentina – Reconhecimento e valorização

Retornou com o status de promessa que realmente soube aproveitar seu “estágio” na série B, onde adquiriu muita disciplina tática e versatilidade. Winger, atacante e até mesmo lateral, é tido como o grande talento da nova geração. Porém, em seu retorno a Fiorentina, sofreu uma grave lesão que o afastou dos gramados por seis longos meses. Retornou como se nada tivesse acontecido e deixou a sua marca no último jogo da temporada.

Sua ascensão foi perceptível, o que lhe rendeu vestir a gloriosa camisa 10, que um dia foi de Roberto Baggio. A temporada 2015/2016 foi a de afirmação, mas sem muitos gols. Tamanha versatilidade possibilitou que atuasse em diversos setores no esquema do técnico Paulo Sousa. Sua contribuição ofensiva, através do drible, quebra a marcação pesada. Contudo, no futebol de hoje, em que cada espaço vale ouro, Bernardeschi também destaca-se pela percepção defensiva.

É melhor ficar de olho nesta jovem promessa, que mais parece estar jogando futsal, tamanha capacidade que tem para fintar em espaços curtos. Outra qualidade está em sua batida na bola, então não é recomendado aos adversários cometer faltas próximo à área.

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Todo o empenho foi recompensado ao ser convocado para defender a seleção italiana nos amistosos, em março de 2016, contra Espanha e Alemanha (e segue no grupo pré-convocado para a Eurocopa 2016). Quem ganha é a Squadra Azzurra, que realmente necessita de um jogador aos moldes de um sul-americano driblador, mas com características de um bom italiano disciplinado taticamente.

Olho nele!

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