Granit Xhaka, o futuro general do Arsenal

Como é de conhecimento do público apaixonado pelo futebol, a Seleção Suíça é uma verdadeira colcha de retalhos quando tratamos da origem étnica de seus membros. Diplomaticamente neutra, a Suíça foi e é porto procurado por muitos povos de nações que convivem com conflitos intensos e diários. Essa é a grande razão que justifica a faceta multicultural de sua equipe. Dentre nomes como Xherdan Shaqiri, um dos que se destaca com esse perfil é Granit Xhaka, meio-campista do Borussia Mönchengladbach, de origem albano-kosovar e que é cobiçado por alguns dos maiores e mais ricos clubes do mundo.


OLHO NELE XHAKA

Suíço de nascimento, Xhaka foi criado na Basileia, após sua família mudar-se do Kosovo, que, como a integralidade da sua região, vivia todo tipo de instabilidade no final dos anos 80 e início dos 90. Produto da base do Basel, que vem formando ótimos jogadores nos últimos tempos, o atleta deu seus primeiros passos no futebol no modesto Concordia Basel, mas mudou-se para o Basel ainda aos nove anos, tendo permanecido 10 anos na equipe, oito na base e dois como profissional.

Foto: FCB.ch | Ainda um garoto no Basel

Foto: FCB.ch | Ainda um garoto no Basel

Canhotinho e dotado de impressionante capacidade para controlar o meio-campo, ditando o ritmo do jogo, Xhaka é um daqueles jogadores que é possível imaginar em boa parte das posições de um time de futebol. Sua noção de espaço e inteligência tática transmitem essa impressão. A despeito disso, sua ótima técnica nunca deixou dúvidas de que seu lugar é o meio-campo, usualmente pelo centro, mas sempre uma alternativa mais ofensiva ou defensiva. O jogador de 23 anos pode ser caracterizado como box-to-box.

Sua passagem pelo Basel como profissional foi curta, tendo durado apenas duas temporadas e somando 67 partidas, com três tentos anotados e sete assistências criadas. Nesse período demonstrou suas capacidades e atuou em uma equipe muito coesa, ladeado por jogadores de talento como Shaqiri e o experiente Alexander Frei. O jogador foi membro de uma equipe que fez um bom papel na UEFA Champions League de 2011-2012, ocasião em que o Basel chegou a vencer Manchester United, na fase de grupos, e Bayern de Munique nas oitavas de finais – a despeito de uma massacrante goleada de 7×0 dos bávaros no jogo de volta.

Em 2012-2013, após conquistar dois Campeonatos Suíços e uma Copa da Suíça, deixou seu clube e partiu para o Borussia Mönchengladbach, que pagou aproximadamente €8,5 milhões por seus serviços. Sua chegada coincidiu com um período de recuperação do clube, que voltou a brigar nas cabeças na Bundesliga.

Foto: Borussia.de | Xhaka tem sido vital às pretensões do Borussia

Foto: Borussia.de | Xhaka tem sido vital às pretensões do Borussia

csm_granit_xhaka_bmg_1aec2e280fEm sua primeira temporada, Xhaka ajudou o time a terminar em oitavo; na segunda em quinto; na terceira temporada – sua melhor com a camisa do clube – ajudou os potros a terminarem em terceiro, valendo o retorno dos Potros à UEFA Champions League após longa ausência; e a quarta em quarto, valendo classificação para os play-offs da maior competição do continente europeu. Grande parte desse sucesso deve-se ao jogador, que apesar de ser um pouco “esquentado” tem grande espírito de luta e ajuda enormemente a organizar o jogo coletivo do Gladbach.

Nesse período, um fato que merece menção é a dupla que o suíço fez com Christoph Kramer, talentoso volante alemão. Esta se deu entre 2013 e 2015 e ajudou a consolidar o melhor posicionamento de Xhaka: organizando o jogo, como de hábito, mas ajudando o suíço a compreender que o centro do campo é seu verdadeiro habitat na cancha, aumentando sua eficiência na função e nos passes (ao lado de Kramer, Xhaka fez suas melhores apresentações com a camisa do Gladbach, o que lhe rendeu até uma vaga na seleção da Bundesliga 14/15, feita por nós)

Foto: Borussia.de | O suíço foi o capitão do clube nesta temporada

Foto: Borussia.de | O suíço foi o capitão do clube nesta temporada (o mais jovem entre todas as equipes da Bundesliga 15/16)

Não obstante sua juventude, o jogador foi o capitão da equipe em toda a temporada 2015-2016, deixando ainda mais evidente o quão influente é sua presença no time atualmente treinado por André Schubert e que protagonizou uma das mais brilhantes recuperações vistas no futebol do Velho Continente na Bundesliga recém-encerrada.

Com isso, muitos olhares cobiçosos do mundo da bola estão voltados para o jogador, que tem o Arsenal apontado como o maior interessado em contar com seu talento. Recentemente, o Sky Sports inclusive chamou-o de “jovem Schweinsteiger”, tamanha é a qualidade e personalidade do suíço. Na temporada que se encerrou, o jogador registrou estatísticas muito sólidas: 84,5% de acerto nos passes, 56,7% nos desarmes e 79% nas recuperações de bola.

Parece muito claro que o jogador não permanecerá no Gladbach no próximo ano e quem garantiu isso foi o próprio jogador:

“O ciclo se fechou. Agora estamos em conversações diárias [sobre uma transferência] e haverá uma decisão definitiva antes da Euro. Fiz meu primeiro jogo oficial pelo Borussia em uma copa contra o Darmstadt. Ela foi seguida por quatro anos maravilhosos. Agora, meu último jogo pode ser contra o Darmstadt novamente”, disse o jogador ao Bild.

Foto: Football.ch | Jogador em treino da Seleção Suíça

Foto: Football.ch | Jogador em treino da Seleção Suíça

Como já foi dito, o jogador defende as cores da Seleção Suíça regularmente, o que é um padrão desde o escalão sub-17, pelo qual conquistou o Mundial da categoria em 2009. Na sequência, foi vice da Euro Sub-21, em 2011, perdendo para a Espanha de Thiago, David De Gea e Isco, e ajudou a equipe principal a fazer uma boa Copa do Mundo em 2014, com a eliminação vindo apenas na prorrogação contra a vice-campeã Argentina. Apesar disso, seu futuro por seleções também será alvo de especulações em breve, com a recente afiliação do Kosovo à FIFA.

Leia mais: Kosovo: o direito de perder, ganhar e fazer história

Curiosamente, o jogador tem um irmão mais velho, Taulant Xhaka, que optou por defender a Seleção Albanesa, após também passar pelas equipes de base da Suíça.

Foto: Borussia.de | Xhaka é um dos destaques de sua seleção também

Foto: Borussia.de | Xhaka é um dos destaques de sua seleção também

É cada vez mais claro o fato de que ouviremos muito sobre Granit Xhaka. Seu talento não cabe mais em uma equipe que, a despeito de sua belíssima história, não briga por grandes títulos no cenário europeu e uma transferência será inevitável. Aos 23 anos, o jogador acumula experiência, já tem uma história no futebol marcada por êxitos importantes e possui a técnica necessária para alçar os mais altos voos.

Olho nele!

https://www.youtube.com/watch?v=WyAQYL_SJsM

 


 

Futuro Gunner

 Enquanto finalizamos esta matéria, cada vez mais se fortalecem os rumores de que Xhaka está de malas prontas para desembarcar em Londres, mais precisamente no Emirates Stadium. Entretanto, até Arsenal e Mönchengladbach oficializarem a transferência, preferimos não tratar o negócio como fechado, porém, como as fotos vazadas demonstram, o capitão dos Potros está prestes a jogar sob comando de Arsène Wenger.

Xhaka pode acrescentar a agressividade que falta ao meio-campo gunner (jogando ao lado de Cazorla ou Ramsey, por exemplo) e ao mesmo tempo manter o alto nível técnico no passe / organização de jogo que Wenger tanto preza em sua equipe. Certamente o jogador não sairá barato (especula-se por volta de 40 milhões de euros), porém, deve-se levar em conta que se trata de um jovem talentoso, já com bastante rodagem em futebol de alto nível – sendo até titular numa Copa do Mundo.

“Estou convencido que ele tem uma grande carreira pela frente. Ele é um líder, um jogador que é responsável e autoconfiante. Um absoluto jogador de alto nível, capaz de jogar em qualquer equipe no mundo.” (Ottmar Hitzfeld, lendário treinador do Bayern e que comandou Xhaka na Copa de 2014)

Desde Gilberto Silva, o Arsenal não possui um xerife em seu meio-campo. Granit Xhaka pode vir a ser o general que falta para comandar e acrescentar combatividade ao time de frágeis bailarinos orquestrados por Arsène Wenger.

Comentários

Advogado graduado pela PUC Minas, pós-graduando em Direito Desportivo e Negócios do Esporte, 24 anos. Admito minha preferência pelo futebol bretão, mas aprecio o esférico rolado qualquer terra. Desde a infância, tenho no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; o melhor jogador que vi jogar foi o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Estou também no "O Futebólogo", meu blog, e no "Bundesliga Brasil".