Oblak, a segurança colchonera

Foto: Ángel Gutierrez/Atlético de Madrid/Divulgação

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Por longas e proveitosas três temporadas, o Atlético de Madrid contou com os préstimos do goleiro Thibaut Courtois, emprestado por um Chelsea que gostaria de possibilitar um importante ganho de experiência ao jovem belga. Antes, a meta colchonera já era devidamente protegida por um promissor David De Gea, então a grande esperança para a sucessão de Iker Casillas e que rapidamente foi vendido ao Manchester United para substituir o histórico Edwin van der Sar. Quando se poderia prever dificuldades para a contratação de um goleiro à altura de Courtois e De Gea, o Atleti buscou no Benfica uma nova e excelente solução: Jan Oblak.

Início de carreira

Oblak apareceu no Benfica em um contexto difícil para qualquer arqueiro. Até sua ascensão, os Encarnados não contavam com jogadores de grande qualidade salvaguardando sua meta. Figuras como os portugueses Quim e Moreira, o espanhol Roberto ou os brasileiros Júlio César (ex-Botafogo) e Artur Moraes estiveram na maior parte do tempo distantes do nível que se espera do goleiro de um clube da estirpe do Benfica.

Foi então que, na temporada 2013-2014, o clube lisboeta, encontrando-se em um beco sem saída, optou pelo lançamento do garoto esloveno, que já estava na equipe desde 2010, acumulando passagens, por empréstimo, pelos modestos Beira-Mar, Olhanense, União de Leiria e Rio Ave; e a aposta se confirmou extremamente frutífera.

Foto: Atlético de Madrid/Divulgação

Foto: Atlético de Madrid/Divulgação

Em apenas uma temporada como primeira opção benfiquista, o jogador ajudou o clube a conquistar o Campeonato Português, a Taça de Portugal, a Taça da Liga Portuguesa e chegou à final da Europa League, perdendo-a para o Sevilla apenas nas penalidades máximas. Assim, ganhou holofotes e passou a estar em evidência.

Foi então que o Atlético de Madrid, ciente do interesse do Chelsea de contar com Courtois, cruzou o caminho de Oblak, que foi apenas um dos vários jogadores que fizeram parte de um grande desmanche no clube. As demonstrações de reflexos apurados e as defesas arrojadas deixaram de ser comemoradas no Estádio da Luz e foram levadas ao Vicente Calderón.

Com a camisa do Benfica, Oblak disputou apenas 26 partidas e conseguiu a marca incrível de 22 clean sheets, sofrendo apenas seis gols.

Adaptação no Vicente Calderón

Foto: Juan Gallut/Atlético de Madrid/Divulgação

Foto: Juan Gallut/Atlético de Madrid/Divulgação

No entanto, a adaptação do goleiro a sua nova casa não foi imediata. À época, o Atlético contratou outro jogador para a posição, menos talentoso, mas mais experiente e adaptado às exigências do Campeonato Espanhol: Moyá, arqueiro que atuava com destaque no modesto Getafe, também da capital hispânica. A preferência do treinador Diego Simeone no primeiro momento foi justamente pelo goleiro espanhol, deixando Oblak maturar e atuar em partidas das Copas.

Porém, nas oitavas de final da UEFA Champions League, contra o Bayer Leverkusen, Moyá se lesionou e o comandante argentino não teve outra alternativa senão lançar seu garoto.

Foto: NZS.si/ Divulgação

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Curiosamente, após essa entrada, fruto da emergência, Simeone seguiu sem alternativa, mas dessa vez sua limitação foi ocasionada pela impossibilidade de preterir Oblak, que muito se destacou e cavou lugar cativo em seu onze inicial. Na temporada 2014-2015, o esloveno entrou em campo 21 vezes com a camisa colchonera e conseguiu 11 clean sheets.

Sucesso e elogios na capital madrilena

Apesar de passar uma temporada com apenas uma conquista e de pouco peso – a Supercopa da Espanha –, perdendo La Liga para o Barcelona e sendo eliminado na Champions League pelo Real Madrid, o saldo da temporada 2014-2015 continuou sendo positivo para o Atleti, que seguiu afirmando sua intromissão na polarizada disputa entre Barcelona e Real Madrid em solo nacional e novamente deu trabalho na esfera continental.

Foto: Ángel Gutierrez/ Atlético de Madrid/ Divulgação

Foto: Ángel Gutierrez/ Atlético de Madrid/ Divulgação

Veio, então, a atual temporada e o jogador afirmou-se um grande destaque dos Rojiblancos. Titular absoluto, já alcançou a marca de 49 partidas disputadas, sofrendo míseros 25 gols e computando 31 clean sheets. Além disso, é membro de um time que segue no calcanhar do Barcelona na disputa pelo título espanhol e está na final da UEFA Champions League, láurea esta que contou com intervenção fundamental de Oblak.

Após eliminar o Barça da competição, nas semifinais os Colchoneros encontraram “apenas” o Bayern de Munique e, com muito coração e entrega – características que definem o a filosofia do Atleti, o afamado cholismo – avançaram em razão do gol fora de casa, com um 2×2 no placar agregado. Na partida de volta, em plena Allianz Arena, um goleiro foi fundamental (e não foi o monstro Manuel Neuer); Oblak confirmou seu grande momento e qualidade.

https://www.youtube.com/watch?v=BG54NXBy3mc

Quando o placar anunciava 1×0 para o clube bávaro, score que levava o jogo para as disputas penais, o Bayern teve a chance de liquidar a fatura e se colocar em ótima condição. Com uma penalidade a seu favor, o clube teve nos pés de Thomas Müller a oportunidade de ampliar consideravelmente sua vantagem. Todavia, o arqueiro colchonero cresceu e defendeu o chute do craque alemão, consagrando uma temporada de fantástica afirmação.

Foto: Ángel Gutierrez/ Atlético de Madrid/ Divulgação

Foto: Ángel Gutierrez/ Atlético de Madrid/ Divulgação

Pergunte ao torcedor do Atlético se ele sente saudades de Thibaut Courtois ou David De Gea. Talvez até sinta, mas uma saudade nostálgica, não aquela que permeia o íntimo do torcedor ao lembrar um jogador de grande qualidade que deixou o time carente. Aos 23 anos, Oblak vive excepcional momento. Por mais que cometa falhas eventualmente, como na última partida do clube contra o Betis (atire a primeira pedra o goleiro que não falha), o esloveno tem sido extremamente seguro e estando à altura das aspirações de seu time.

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Advogado graduado pela PUC Minas, pós-graduando em Direito Desportivo e Negócios do Esporte, 24 anos. Admito minha preferência pelo futebol bretão, mas aprecio o esférico rolado qualquer terra. Desde a infância, tenho no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; o melhor jogador que vi jogar foi o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Estou também no "O Futebólogo", meu blog.

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