São Paulo: 10 anos de eliminações para brasileiros

  • por Raniery Medeiros
  • 1 year atrás

O torcedor são paulino acostumou-se a ser chamado de “Senhor Libertadores” até 2005. Convenhamos, era uma percepção totalmente pertinente aos feitos do Tricolor na principal competição de clubes da América do Sul. Ser tricampeão só demonstra a grandeza deste clube viciado em Libertadores da América. Contudo, de 2006 para cá, um fantasma vem assombrando o clube que se habituou a derrubar gigantes: os brasileiros. Sim, foram sete eliminações desde a última conquista, e todas para times locais. Que sina!

Antes de elencar as recentes eliminações, é importante ressaltar que na campanha dos três títulos da América o Tricolor passou por cima de times brasileiros.

https://www.youtube.com/watch?v=fZ54FxAmZyA

 

Na primeira conquista, em 1992, foram quatro embates contra o Criciúma, então campeão da Copa do Brasil. Na fase de grupos, o Tricolor perdeu por 3 x 0, mas emplacou um impiedoso 4 x 0 no Morumbi. Já nas quartas, duas partidas dramáticas. O 1 a 0 no Morumbi deu a vantagem do empate, que se confirmou no Heriberto Hülse, com o gol salvador de Palhinha.

Campeão no ano anterior, o Tricolor Paulista começou sua participação em 1993 nas oitavas de final. Pela frente o Flamengo, o campeão brasileiro. Os comandados de Telê Santana empataram em 1 a 1 no Maracanã, e no Morumbi, uma vitória convincente por 2 a 0, que levou o time rumo ao bicampeonato.

Em 2005, na campanha do tri, clássico contra o Palmeiras já nas oitavas de final. Apesar do jogo pegado, duas vitórias concretas do São Paulo: 1 a 0 (Cicinho) no Parque Antártica e 2 a 0 (Rogério Ceni e Cicinho) no Morumbi. O momento histórico veio justamente na final, quando o surpreendente Atlético Paranaense tentou, mas não foi páreo para Amoroso, Fabão, Luizão e D. Tardelli, que fizeram os tentos da goleada e do título.

Após todos os momentos citados, com glórias e alegrias, o Tricolor parece ter encontrado um fantasma, uma sina que teima em não ir embora: ser eliminado por clubes brasileiros no mata-mata. Em muitas dessas eliminações o São Paulo apresentava-se como favorito. Entretanto, para levar vantagem era preciso ter algo a mais. Vamos às eliminações que tanto atormentam os são paulinos.

2006 – Gigante da Beira Rio

Parecia tudo normal, ao eliminar o Palmeiras novamente nas oitavas de final. Contudo, na final a história foi outra. Pela frente o destemido Internacional de Abel Braga. O jogo de ida, no Morumbi, foi pegado e nervoso, tanto que Josué foi expulso ainda no primeiro tempo, com a partida em 0 x 0. O dono da partida foi Rafael Sóbis, autor dos dois gols que garantiram o 2 a 1 e a vantagem para a partida decisiva. A final apontava para duas equipes que estavam brigando pela liderança no Brasileirão: São Paulo (1º – 33 pontos; Inter 2º – 29 pontos). Ou seja, os melhores times do país. Mas vamos ao jogo.

https://www.youtube.com/watch?v=vhroRYrGFeI

2007 – Diego Souza, o dono da festa

Grêmio e São Paulo já de cara nas oitavas. O Tricolor Paulista manteve boa parte dos jogadores campeões brasileiros em 2006, no estilo Muricy de jogar futebol. Já o Grêmio de Mano Menezes superou às expectativas e foi crescendo durante o torneio. O minguado 1 a 0 no Morumbi, após várias oportunidades sendo desperdiçadas, deu aquele ânimo a mais para o Grêmio decidir no Olímpico. Ao Tricolor Paulista restou sucumbir perante Tcheco, Carlos Eduardo e Diego Souza.

2008 – Washington, no último suspiro

O oponente da vez foi o Tricolor Carioca, que vinha em ótima campanha e com um elenco muito qualificado. No Morumbi, outro magro 1 a 0, gol de Adriano Imperador. O Flu sabia que no Maraca, em jogo decisivo nas quartas de final, a coisa seria dramática. E foi! Como não lembrar da cabeçada salvadora de Washington? Outra eliminação são paulina para um clube brasileiro.

2009 – Sob a batuta de Kléber Gladiador

Adversário histórico, o Cruzeiro aumentou ainda mais a crise no São Paulo. A primeira partida das quartas de final, no Mineirão, evidenciou a “fome” dos mineiros. Apesar do placar de 2 a 1, que rendeu possibilidades aos paulistas, no Morumbi os mineiros não tomaram conhecimento e determinaram a cisão entre diretoria, Muricy e São Paulo. O treinador foi demitido no dia seguinte.

Obs: o goleiro nas duas partidas foi Dênis. Rogério Ceni passou um bom tempo no departamento médico.

2010 – Celso Roth calou os críticos (?)

Para a surpresa de muitos, o São Paulo eliminou o Cruzeiro. A sina teria acabado? A resposta veio nas semifinais. Novamente o Internacional no caminho do São Paulo. Só que dessa vez na fase semifinal. Foi justamente na pausa para a Copa do Mundo que as coisas aconteceram. Antes do Mundial, o São Paulo estava muito bem e confiante. Já o Inter mergulhava na “crise” com Jorge Fossati. Foi então que Celso Roth assumiu a equipe e derrubou o Tricolor de Ricardo Gomes. Em Porto Alegre, o gol solitário de Giuliano deu boa vantagem aos gaúchos. No Morumbi, precisando do placar, o treinador são paulino foi para cima com Fernandão, Hernanes, Dagoberto e Ricardo Oliveira. Que zica!

2013 – Galo doido e voador

Foi o ano com menos chances para o Tricolor. O Atlético Mineiro, adversário nas oitavas, já havia dado as credenciais na fase de grupos contra o mesmo São Paulo – que só se classificou na última rodada.

Parecia o roteiro perfeito: 1 a 0 a favor e muitas chances de ampliar o placar, até o zagueiro Lúcio ser expulso. Após isso, show de Ronaldinho Gaúcho e equipe. A maldição permanecia.

2015 – Despedida de Rogério Ceni

Foi a última Libertadores do mito Rogério Ceni. Assim como em 2009 e 2010, lá estava o Cruzeiro novamente no caminho do São Paulo. No Morumbi, mais de 66 mil torcedores apoiaram o time comandado por Milton Cruz. Futebol rápido, ofensivo e várias oportunidades para liquidar a fatura. O 1 a 0 deu a sensação de que a classificação fora perdida em casa.

Mineirão lotado, jogo dramático. Necessitando reverter o placar, o que se viu foi o predomínio do Cruzeiro, que encontrou seu gol salvador nos pés de Leandro Damião. Quanto aos paulistas, apatia total. A partida foi para a decisão de pênaltis e, nos pés de Gabriel Xavier, o sonho de Rogério Ceni foi esvaído.

Sina? Maldição? O fato é que o São Paulo precisa de maior rendimento contra times brasileiros. Na atual edição, em que nos encaminhamos para as quartas de final, São Paulo contra Atlético Mineiro.

Será que dessa vez o time passará uma borracha no tabu e seguirá em frente?

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