EURO2016: Joe Allen, o Pirlo dos castelos

Hf4lnnt

Arte: Felipe Simonetti ([email protected])

Cabelos longos e repartidos ao vento, barba por fazer, jogo de cabeça erguida. Um bocado de inversões, muito controle da meia-cancha, domínio absoluto da saída de bola. Esta poderia ser mais uma descrição de Andrea Pirlo, mas não é – ao menos, não do original. Pois o dono de tais atributos atende por Joe Allen, o galês que encanta a Europa e comanda o meio-campo da seleção de Gareth Bale.

Vindo da terra dos castelos, onde existe um para cada 7500 pessoas, Allen absorveu a alma do italiano para realizar uma das melhores campanhas individuais da Eurocopa. Terminando em título ou não, a já histórica caminhada de Gales na competição terá a impressão digital de Joe Allen.

Fonte: Whoscored.com

Fonte: Whoscored.com

A equipe galesa gira em torno de Bale, isso é inegável. Aliás, se o time do treinador Chris Coleman conseguiu chegar à França, grandíssima parte do mérito é do madridista. Todavia, Gareth ainda não é capaz de bater o escanteio e estar na área para cabecear. Há toda uma engrenagem ao redor dele. Nessa mecânica, à frente do gunner Aaron Ramsey, o destaque mais complexo é Allen. Que sabe interpretar cada cenário vivido por Gales, cada variação de ritmo. Defendendo, atacando, de forma mais pausada ou de maneira veloz, Joe Allen se coloca como epicentro britânico. Quase tudo passa por sua cabine de controle.

ClZuzHKWQAAU-Qz

Foto: Uefa

No 3-4-2-1 galês, Allen representa capacidade organizativa. Na saída de bola, recua para receber dos zagueiros e foge bastante da marcação, oferecendo-se como opção de passe quase sempre. A chave é ocupar espaços vazios, tocar na pelota em boas condições de fazer o time progredir. Contudo, a exemplo do que já ocorreu em certos momentos, o meia do Liverpool em geral se vira quando pressionado.

Algo especificamente complicado pela deficiência ofensiva do colega Joe Ledley, que tende a contribuir menos e sobrecarregar Allen. Apesar dessa responsabilidade, o Pirlo dos castelos está lá em baixo na lista de passadores e nem é o maior de sua seleção. O motivo é explicável. Antes de tudo, Gales possui apenas 47% de posse de bola média nesta Euro 2016 – é a 16ª posicionada no quesito. Assim sendo, não é o estilo do time ostentar longas trocas de passes. Indo além, nesse contexto Allen tenta ativar as peças mais ofensivas e decisivas de uma vez (sem forçar demasiadamente, porém).

Cl01bwIWIAA2vuK

Foto: Uefa

Tanto que o número de verticalizações e inversões é considerável. Ramsey, Bale, Robson-Kanu, Sam Vokes: eles é que devem jogar, Joe é uma ponte entre os setores. Um elemento de ligação que acelera e freia, pensa, solta bem, mas ainda um elo. Ele não deseja holofotes, quer é fazer Gales fluir.

Defensivamente o trabalho também é elogiável, não dá para ser só um construtor numa equipe tão destruidora. Respaldado pelo trio de zaga e por Ledley, é possível sair mais de posição para desarmar. Depois de roubar a redonda, a ordem é avançar rápido no contragolpe. Foi assim contra a Rússia, no primeiro gol da partida.

Joe Allen está próximo de marcar de vez seu nome na história do país, um triunfo sobre a oscilante Bélgica seria o ápice do futebol nacional. Na primeira grande competição sem Andrea Pirlo em muito tempo, brilha um sósia do italiano. Para fazer tremer a terra dos castelos, Allen precisa manter essa aura especial.

Visite nossa página especial sobre a Euro 2016:

banner_home_960x250

[playbuzz-item url=”//www.playbuzz.com/doentesporfutebol10/eden-hazard-ou-joe-allen-quem-vai-s-semifinais”]

Comentários

2000. Um doente por futebol que busca insistentemente entender esse jogo magnífico de forma completa - claro, sem sucesso.