Taticamente, como foi a abertura da Copa América

  • por Lucas Martins
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A Copa América Centenário começou nesta sexta-feira (3), com os donos da casa Estados Unidos enfrentando a Colômbia de James Rodríguez. Em uma partida de puro domínio e controle sul-americano, foi possível observar alguns conceitos de José Pekerman funcionando muito bem – assim como outros rendendo mal. Pelo lado estadunidense, Jürgen Klinsmann mais uma vez comandou um time insosso, nada intenso e ofensivamente nulo. No final, tranquila vitória cafetera por 2 a 0. Veja como foi taticamente a abertura da Copa América.

O texto não necessariamente seguirá uma ordem cronológica dos fatos, pois o objetivo é apenas mostrar como as seleções jogaram desde a tática.

Colômbia

Os colombianos foram a campo num 4-2-3-1 mais equilibrado em relação às partidas recentes, que naturalmente se transformava em 4-4-1-1 quando a equipe defendia. No 2º tempo, Pekerman passou ao 4-3-3, trocando as zonas de atuação de James e Edwin Cardona.

O 4-4-1-1 defensivo da Colômbia | Clique e amplie

Defensivamente, apesar da entrega de todos, a Colômbia não se portou maravilhosamente. De qualquer maneira, foi suficiente para frear os avanços norte-americanos. Com marcação individual por setor – ou seja, com cada jogador encaixando em um adversário até este deixar seu espaço de atuação -, o time cedeu alguns buracos pelo gramado. Não fosse a passividade e lentidão dos anfitriões, Ospina certamente teria trabalhado mais. Sem contar que a linha de defesa esteve consideravelmente adiantada, mas sem passar total confiança em momento algum. Além disso, o vácuo entre os dois blocos de quatro foi grande e precisou ser corrigido pelos zagueiros com certa frequência.

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Time cafetero desmontado pelo estilo de marcação | Clique e amplie

De positivo há o fato de todos os onze que começaram a partida terem trabalhado com atenção atrás, incluindo James Rodríguez e Cardona, que às vezes fracassam nesse sentido. Houve compromisso para pressionar, solidariedade geral em prol do plano desenhado pelo treinador. Provavelmente os erros irão diminuir com o tempo de competição.

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Pressão alta colombiana, com seis atletas no campo adversário | Clique e amplie

Com a pelota dominada a equipe mostrou sua melhor faceta, aproveitando-se de qualidade e inspiração individual para decidir o confronto o quanto antes. A saída de bola era iniciada com os zagueiros, que conduziam até o centro para ou ativar os extremos (Cuadrado e Cardona) ou passar aos meias – que abririam a jogada de qualquer forma. A dupla citada rumava dos flancos para o meio, abrindo corredor para as subidas dos laterais. Assim a Colômbia se colocava na metade de campo estadunidense, aproximando-se posteriormente para tabelar ou lançando para Carlos Bacca. Se tivesse forçado, talvez a seleção cafetera goleasse na Califórnia.

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Movimentação ofensiva padrão da Colômbia | Clique e amplie

Estados Unidos

Klinsmann optou por um 4-3-3, que na fase defensiva consistia num 4-1-4-1. A exemplo do que tem reproduzido no passado recente, os Estados Unidos pecaram pela falta de intensidade nas ações, o que facilitou toda a vida dos visitantes.

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O 4-1-4-1 norte-americano | Clique e amplie

Sem a gorduchinha os norte-americanos se organizaram bem, formando linhas visíveis, minimamente próximas e de tal forma ocupando os espaços racionalmente. O ponto chave foi não ter apertado tanto quanto poderia e deveria, permitindo a troca de passes oponente – colocando os melhores futebolistas colombianos no jogo, consequentemente. Juan Cuadrado e Edwin Cardona, além do lateral Santiago Arias, tocaram na bola quanto e como quiseram. Contra tanto talento, isso acaba tendo seu preço. Se você não mata o monstro, ele cresce e te devora. Foi o que ocorreu.

Todavia, construindo jogadas a seleção de Michael Bradley conseguiu ser ainda pior. O próprio Bradley contribuiu, pois teve exibição tímida e nada condizente com sua responsabilidade no selecionado. Foi um time pesado, que circulou a redonda muito lentamente, forçou poucos passes verticais e errou quase tudo que tentou. Assim, mesmo quando a movimentação encaixava, nada saía. Só na reta final, sob gritos de olé, pela absoluta obrigação de fazer algo, o conjunto criou chances de verdade. Pouquíssimo.

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EUA com dificuldade na criação, só com opções atrás da linha da bola | Clique e amplie

Estudante, 16 anos. Um doente por futebol que busca entender esse jogo magnífico de forma completa - claro, sem sucesso.

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