As possibilidades táticas do Brasil de Micale no Rio 2016

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Na última quinta-feira (14) Rogério Micale anunciou a lista final da seleção brasileira para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Entre pré-convocados, uma primeira lista que sofreu duas baixas e a seleção final, dezoito atletas foram escolhidos para alcançar a tão sonhada medalha de ouro.

O grande destaque na convocação de Micale é a versatilidade das peças escolhidas. Marquinhos, do PSG, é zagueiro, mas joga na lateral e de volante caso seja necessário; Zeca, do Santos, atua nas duas laterais. Thiago Maia e Walace podem fazer qualquer papel como volantes – tanto mais fixos, quanto se projetando mais. Luan, Neymar e os “Gabrieis” fazem referência e pontas com excelência.

Mais dois pontos que precisam ser destacados em relação a escolha e características das peças são as ausências do “volante mordedor”, o “camisa cinco”, e também do centro avante fixo, o “número nove”. Nas Olímpiadas, um dos princípios do time que vai em busca do título é jogar. Todos jogam e todos fazem jogar.

Nunca antes na história da seleção canarinho houve uma preparação tão completa para os Jogos Olímpicos. Como levantou o companheiro Dassler Marques em seu blog do UOL, a seleção sub-23 jogou 25 amistosos preparatórios, além do torneio de Toulon em 2014, quando foi campeã.

É hora, portanto, de analisarmos a possibilidades táticas e de montagem do time de Micale:

O mais provável (4-2-3-1):

Com exceção de Fernando Prass, Marquinhos e Neymar, nenhum jogador pode ser considerado titular absoluto da seleção, mesmo que muitos sejam favoritos para ocuparem uma vaga no onze inicial. As variantes são muito grandes, mas é muito provável que Micale parta do 4-2-3-1. Alta intensidade e movimentação, linhas altas e próximas, troca de passes e inversões são alguns dos conceitos trabalhados pelo técnico. Pensando em abrigar os quatro talentos da frente (Luan, Gabriel Barbosa, Gabriel Jesus e Neymar), esta pode ser a formação, tendo ainda dois meias de alta qualidade no passe por trás.

Um possível Brasil no 4-2-3-1 - Reprodução: Tactical Pad

Um possível Brasil no 4-2-3-1 – Reprodução: Tactical Pad

Ofensividade e Neymar na referência móvel (4-3-3):

Neste outro desenho, Micale pode optar por Thiago Maia mais recuado, dando qualidade na saída de bola e também chegando a frente. Junto a ele, Renato Augusto – que jogava assim no Corinthians – e Felipe Anderson – que já atuou assim na seleção. Com Gabriel Barbosa e Luan abertos, muito fortes e incisivos nas diagonais e Neymar avançado, como emulou Dunga algumas vezes, sem sucesso. Ideia boa se executada com clareza a coordenação.

Um possível Brasil no 4-3- 3 com Neymar na referência - Reprodução: Tactical Pad

Um possível Brasil no 4-3- 3 com Neymar na referência – Reprodução: Tactical Pad

Clássico e leve (4-3-3):

Outra opção, ainda no 4-3-3, pode abrigar o meia Wallace do Grêmio coordenando a saída. Thiago Maia e Rafinha mais adiantados, chegando a frente como fazem com qualidade em seus clubes. Detalhe para o meia do Barça, que pode aparecer pelo lado também na transição. Na frente, Neymar volta à ponta, e Gabriel Jesus assume a referência móvel, como vem jogando no Palmeiras em que é artilheiro do Brasileirão. Tendo também Gabriel Barbosa do lado oposto, um jogador de muita explosão do lado para dentro e potência/técnica no arremate.

Outra opção para Micale no 4-3-3 - Reprodução: Tactical Pad

Outra opção para Micale no 4-3-3 – Reprodução: Tactical Pad

Losango e dupla leve (4-3-1-2):

Sem Gabriel Barbosa ou em um momento do jogo, o Brasil de Micale pode recorrer ao 4-3-1-2, este menos usado durante a campanha. Felipe Anderson ganharia uma vaga no centro da armação, com Rodrigo Dourado por trás de tudo, fazendo a saída com qualidade, como no Inter. Renato Augusto mais armador e Rafinha mais incisivo no meio. Neymar e Gabriel Jesus numa dupla muito veloz e variante no ataque. Time mais leve. Uma hipótese.

Possível seleção num losango - Reprodução: Tactical Pad.

Possível seleção num losango – Reprodução: Tactical Pad.

Fugindo do óbvio (3-4-1-2):

Por fim, montamos um esquema completamente fora do óbvio e usado por Micale. Com seus três zagueiros em campo, dois alas bem agudos e meias de qualidade no passe e chegada a frente. Neymar armaria tudo do centro para os lados e área, com a dupla de “Gabrieis” no comando de ataque. Não é provável, mas quem sabe seja uma variável.

Desenho brasileiro em um sistema com três zagueiros - Reprodução: Tactical Pad

Desenho brasileiro em um sistema com três zagueiros – Reprodução: Tactical Pad

O que há de certo é que a Seleção Olímpica é muito qualificada e está entregue em grandes mãos, as mais competentes possíveis para o momento. O título pode não vir, mas a chance de que isso aconteça com o time que Micale conseguiu montar e as peças/variações disponíveis é muito remota. O torcedor pode, como nunca, confiar na chance do ouro olímpico.

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Estudante de jornalismo. Redator e editor no Taticamente Falando. Colunista no Doentes por Futebol. Contato: [email protected]